Capítulo 1— Rafa, na minha opinião, você deveria aproveitar essa farsa e se divorciar de vez da Helena Gomes.— É verdade. O acidente de carro da Beatriz me pareceu suspeito. Agora que o irmão dela faleceu, não sei o que será dela.Assim que Helena Gomes recebeu a notícia de que Rafael Soares estava hospitalizado, ela dirigiu apressadamente para o hospital.Ao chegar, viu que o elevador estava cheio demais.Ela subiu os dez andares de escada e, quando estava prestes a empurrar a porta corta-fogo, ouviu uma voz familiar.O homem no centro tinha traços marcantes e um olhar profundo, tingido por uma sombra de melancolia.Seus lábios finos estavam pressionados.Com dedos finos e ossudos, ele segurava um cigarro, batendo suavemente para derrubar a cinza.O homem ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar.— Veremos.— Veremos? Rafa, acho que você é bondoso demais. Mesmo que a Helena Gomes tenha salvado sua vida, vocês já não deram a ela um milhão? E mesmo assim, ela ainda te drogou para dormir com você, forçando-o a se casar com ela. Para mim, ela nunca teve boas intenções!Rafael Soares deu uma longa tragada no cigarro e, ao levantar os olhos, notou a silhueta atrás da porta.Os outros dois seguiram seu olhar e perceberam que Helena Gomes havia chegado em algum momento.A mão de Helena Gomes, apoiada na porta, tremia incontrolavelmente.A franja em sua testa estava molhada de suor, colada em seu rosto pálido e delicado.Ela respirava ofegante, com os lábios entreabertos.Tomando um fôlego profundo, ela empurrou a porta e caminhou diretamente até Rafael Soares.Ergueu a cabeça e o encarou em seus olhos frios.— Você não disse que estava no hospital?Risadas zombeteiras ecoaram ao redor, fazendo-a perceber que havia sido enganada.— Assine isto. — Disse Rafael Soares, ignorando a pergunta dela e entregando-lhe um documento.Helena Gomes baixou o olhar para as palavras no papel, franzindo a testa instantaneamente.Ela ergueu os olhos e o encarou em silêncio.Com uma expressão indiferente, ele apagou o cigarro.— A Beatriz acabou de sair da cirurgia. Assine isto, só para fingir, para acalmá-la.Vendo que ela não reagia, Rafael Soares acrescentou:— Aquele colar que você gostou outro dia será entregue em breve.O olhar de Helena Gomes se tornou pesado.Ela soltou uma risada baixa, não disse nada e pegou a caneta que ele oferecia.No momento de assinar, a ponta de seus dedos hesitou.O nome já escrito ao lado feria seus olhos.Cinco anos atrás, Rafael Soares estava gravemente doente e foi espancado por um bando de marginais até quase morrer.Enquanto ele jazia na neve, esperando a morte, foi ela quem apareceu e o levou ao hospital.Gastou mais da metade de seu salário para salvá-lo, ficou ao seu lado, esgotou suas economias para apoiar seu empreendimento.Em menos de dois anos, Rafael Soares começou a se destacar no mundo dos negócios.Quando a família Soares o encontrou, Rafael Soares disse com firmeza que se casaria com ela.No entanto, para sua surpresa, ele concordou com o casamento arranjado entre as famílias e se casaria com Beatriz Nunes.Na véspera do casamento, ela se tornou a vilã que drogou Rafael Soares para forçá-lo a se casar com ela.Ela pensou que, se recusasse o casamento, a raiva de Rafael Soares passaria.Mas, em vez disso, recebeu dele a seguinte frase: "Como você deseja, eu me caso com você. Mas não se arrependa depois!"Três anos de casamento sem cerimônia.Ele se declarava solteiro publicamente e nunca a tocou.Ela sabia que Rafael Soares a odiava profundamente.— O que está esperando? — Rafael Soares viu as lágrimas se formando nos cantos dos olhos avermelhados dela e empurrou o documento em sua direção. — Já disse que é só para acalmá-la. Assine logo.A respiração de Helena Gomes falhou.Seu coração, que ela pensava já não poder sentir dor, doeu agudamente com aquelas palavras.Seus cílios tremeram levemente.Ela assinou seu nome, traço por traço.Olhando para os dois nomes no papel, ela perguntou com um ar de resignação:— Como a Beatriz está?Rafael Soares estendeu a mão para pegar o documento.Helena Gomes o segurou com força, um traço de sarcasmo quase imperceptível em seu rosto.— Já que é para acalmá-la, por que não me deixa entregar em mãos? Isso a deixaria mais tranquila, não?Rafael Soares ponderou por um momento.— Não diga o que não deve.O que não devia ser dito? O que devia ser dito?Ela não entendia e não queria entender.Silenciosamente, seguiu Rafael Soares até o quarto VIP.— Helena Gomes? — Beatriz Nunes, vestindo o pijama do hospital, levantou-se agitada ao vê-la entrar.Rafael Soares caminhou a passos largos até ela, ajudando-a a se sentar.— Você ainda está ferida, não se mova.Helena Gomes permaneceu na porta, cerrando os punhos.Um Rafael Soares tão gentil e atencioso era algo que ela não via desde o casamento.Mas não importava mais.O acordo já estava assinado.Com quem ele era gentil já não tinha mais nada a ver com ela.Beatriz Nunes lançou-lhe um olhar de reprovação e depois se virou para Helena Gomes com um sorriso.— Ouvi dizer que você estava com febre alta nos últimos dias. Já passou?Helena Gomes entrou no quarto e assentiu.— Foi o Rafa que te chamou, não foi? Eu disse que estava bem, não precisava de todo esse alvoroço. — Dizendo isso, ela olhou zangada para Rafael Soares e deu um tapa leve em seu braço.O olhar de Rafael Soares passou por Helena Gomes e se fixou no acordo em sua mão, sinalizando para que ela o entregasse.Helena Gomes baixou os cílios, a garganta apertada por um nó de amargura.— A investigação do acidente já foi concluída?Assim que ela falou, o rosto de Rafael Soares endureceu.Ele a repreendeu em voz baixa:— Helena Gomes!— Rafa! — Beatriz Nunes elevou a voz, puxando o braço dele. — A Helena ainda está doente, não seja tão duro com ela!Helena Gomes mordeu o lábio com força.Ela ergueu os olhos e viu a fúria no olhar dele.Um sorriso frio brotou em seu coração.Ele se importava tanto assim com Beatriz?A ponto de não permitir nem uma pergunta?— Disseram que os freios foram sabotados de propósito. A polícia ainda está investigando, mas acredito que logo teremos um resultado. — Ela suspirou profundamente. — Não sei quem poderia ter feito isso. Se eu não tivesse tido sorte, eu... eu...Rafael Soares rapidamente pegou um lenço de papel e, com gestos suaves e habilidosos, enxugou as lágrimas dela.— Eu já pedi à polícia para acelerar a investigação. Não fique pensando nessas coisas.Com os olhos vermelhos, Beatriz Nunes assentiu.— Isto é para você. — Ela disse, suprimindo a náusea que revirava seu estômago e entregando o acordo.— O que é isso? — Beatriz Nunes pegou o papel e, ao ver o que estava escrito, seu rosto empalideceu. — Vocês... O que está acontecendo? Rafa, você está tratando a Helena Gomes mal de novo!— Foi ela quem propôs. — Disse Rafael Soares.— Helena Gomes... você...Helena Gomes assentiu, os cantos de seus lábios tensos se curvando em um sorriso de alívio.— Sim, nós vamos nos divorciar.Beatriz Nunes pegou a mão dela e devolveu o acordo de divórcio.— Me diga, foi o Rafa que te forçou a assinar? A culpa pelo que aconteceu no passado não foi toda sua. Além disso, você era jovem, e o Rafa fez tantas promessas... qualquer um ficaria ressentido.Helena Gomes baixou os cílios, as pontas dos dedos geladas, sentindo como se seu sangue estivesse fluindo ao contrário.Seus lábios estavam quase sem cor.— Foi voluntário. Eu o ocupei por três anos. Assim que o período de reflexão terminar, nós iremos ao cartório para oficializar o divórcio.Sua voz estava firme, sem qualquer traço de relutância ou arrependimento.Até Rafael Soares ficou atônito por alguns segundos.Embora fosse para acalmar Beatriz, a atuação dela era convincente demais.— Eu tenho um compromisso, preciso ir.Helena Gomes se virou e saiu, apenas para descobrir que lá fora começara a chover torrencialmente.— Helena Gomes, vou pedir ao Rafa para te levar para casa. — Disse Beatriz Nunes, empurrando-o levemente. — Vá logo. Conversem com calma, não fiquem assim.Helena Gomes ouviu os passos atrás dela, mas não parou.Rafael Soares a alcançou.— Você atuou muito bem.Helena Gomes não respondeu, seus olhos fixos no elevador.— Além daquele colar, se quiser mais alguma coisa, é só... — Ele foi interrompido pelo toque de seu celular. — O que foi?— Rafa, a Beatriz de repente não está se sentindo bem. Venha rápido!— Certo! — Rafael Soares desligou.— Rafael Soares, eu quero me divorciar de você...— Peça o que quiser diretamente ao meu assistente. — Rafael Soares disse apressadamente e correu de volta.Observando as costas de Rafael Soares se afastando, ela suprimiu a amargura em seu coração e caminhou em direção ao estacionamento.Ela dirigiu de volta para a casa onde moravam.Rafael Soares raramente voltava para casa e, mesmo quando o fazia, dormia no quarto de hóspedes.Helena Gomes pegou uma mala de um canto e guardou algumas roupas que havia comprado, seus pertences pessoais, documentos e o notebook.Enquanto arrastava a mala para sair, seu olhar caiu sobre a foto de casamento pendurada na cabeceira da cama.Era a única foto que tinham juntos.Naquele dia, ela alugou um vestido de noiva e, aproveitando um momento livre de Rafael Soares, pediu à empregada que tirasse a foto.Ela segurava um buquê, sorrindo radiante, fantasiando com uma vida de casada feliz.A felicidade daquele sorriso era proporcional à dor que sentia agora.Helena Gomes subiu no colchão, tirou o porta-retrato, removeu a foto de casamento e, sem expressão, rasgou-a em pedaços, jogando-os na lata de lixo.— Senhora, o diretor Soares voltou e pediu para a senhora descer.Assim que Helena Gomes terminou de jogar fora os destroços da foto, ouviu a voz da empregada no corredor.— Certo. Empregada, por favor, leve este lixo. — Disse Helena Gomes, descendo as escadas.Ao chegar à sala de estar, viu Rafael Soares segurando um envelope pardo, que ele jogou sobre a mesa.— Este é o caso que a Beatriz estava cuidando. Ainda não está finalizado. Termine para ela.Helena Gomes olhou para o envelope sobre a mesa.— Eu tenho um caso de divórcio para cuidar e não posso ajudar. Peça ao estagiário dela para fazer.Rafael Soares afrouxou a gravata, sem demonstrar surpresa.— Deixe seu caso para depois. Se o estagiário dela fosse competente, ela teria pedido para você?— Isso é problema dela, não meu.Rafael Soares a encarou com um olhar gélido.— Helena Gomes, eu mal te elogiei no hospital e você já está criando caso? Diga logo, o que você quer em troca para ajudar?As palavras dele a atingiram como facas, como se ela fosse uma egoísta que só agia por interesse.— Faça um bom trabalho. Quando a Beatriz tiver alta, não deixe escapar nada. Use aquela sua ótima atuação do hospital.Rafael Soares se levantou, pronto para voltar ao hospital, quando ouviu a voz de Helena Gomes.— Eu não estava atuando. Eu realmente quero o divórcio.Rafael Soares parou e se virou, seus olhos sombrios fixos nela.Ele zombou friamente após alguns segundos.— O quê, assinar um acordo de divórcio para acalmá-la te deixou tão ofendida que agora quer mesmo se divorciar?— Não se esqueça, se não fosse por você, a posição de Sra. Soares não seria sua. Se você tem alguma queixa, engula. Você procurou por tudo isso!— Sim, eu procurei. Por isso, em trinta dias, quando o período de reflexão acabar, por favor, encontre-me no cartório para oficializarmos o divórcio.Rafael Soares caminhou a passos largos até ela, agarrou seu colarinho e a puxou para perto.Vendo sua expressão de desamparo e mágoa, a fúria em seu peito ardeu ainda mais forte.— Você realmente quer o divórcio?Helena Gomes assentiu, seus olhos límpidos e sem qualquer traço de apego fixos nos dele.Aquele olhar o sufocou, tornando sua respiração pesada.Ele a soltou com frieza e, sem dizer mais nada, virou-se e saiu.O olhar de Helena Gomes atravessou a chuva torrencial e pousou em suas costas apressadas.Seu coração se contraiu violentamente, cheio de amargura.Ela cerrou os punhos e se sentou desolada no sofá.— Senhora, estas coisas... — A empregada desceu com o saco de lixo cheio de pedaços da foto de casamento, sem saber o que fazer.Helena Gomes olhou para o saco, os olhos pesados, e disse com os dentes cerrados:— Jogue fora. Leve e jogue fora agora mesmo.A empregada assentiu.Ela se recompôs por um tempo, desceu com a mala e, ignorando o envelope pardo sobre a mesa, dirigiu sob a chuva até um hotel.Nesta cidade, ela só tinha aquela casa.Uma vez que saísse, estaria sem lar novamente.Capítulo 2— Rafa, na minha opinião, você deveria aproveitar essa farsa e se divorciar de vez da Helena Gomes.— É verdade. O acidente de carro da Beatriz me pareceu suspeito. Agora que o irmão dela faleceu, não sei o que será dela.Assim que Helena Gomes recebeu a notícia de que Rafael Soares estava hospitalizado, ela dirigiu apressadamente para o hospital.Ao chegar, viu que o elevador estava cheio demais.Ela subiu os dez andares de escada e, quando estava prestes a empurrar a porta corta-fogo, ouviu uma voz familiar.O homem no centro tinha traços marcantes e um olhar profundo, tingido por uma sombra de melancolia.Seus lábios finos estavam pressionados.Com dedos finos e ossudos, ele segurava um cigarro, batendo suavemente para derrubar a cinza.O homem ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar.— Veremos.— Veremos? Rafa, acho que você é bondoso demais. Mesmo que a Helena Gomes tenha salvado sua vida, vocês já não deram a ela um milhão? E mesmo assim, ela ainda te drogou para dormir com você, forçando-o a se casar com ela. Para mim, ela nunca teve boas intenções!Rafael Soares deu uma longa tragada no cigarro e, ao levantar os olhos, notou a silhueta atrás da porta.Os outros dois seguiram seu olhar e perceberam que Helena Gomes havia chegado em algum momento.A mão de Helena Gomes, apoiada na porta, tremia incontrolavelmente.A franja em sua testa estava molhada de suor, colada em seu rosto pálido e delicado.Ela respirava ofegante, com os lábios entreabertos.Tomando um fôlego profundo, ela empurrou a porta e caminhou diretamente até Rafael Soares.Ergueu a cabeça e o encarou em seus olhos frios.— Você não disse que estava no hospital?Risadas zombeteiras ecoaram ao redor, fazendo-a perceber que havia sido enganada.— Assine isto. — Disse Rafael Soares, ignorando a pergunta dela e entregando-lhe um documento.Helena Gomes baixou o olhar para as palavras no papel, franzindo a testa instantaneamente.Ela ergueu os olhos e o encarou em silêncio.Com uma expressão indiferente, ele apagou o cigarro.— A Beatriz acabou de sair da cirurgia. Assine isto, só para fingir, para acalmá-la.Vendo que ela não reagia, Rafael Soares acrescentou:— Aquele colar que você gostou outro dia será entregue em breve.O olhar de Helena Gomes se tornou pesado.Ela soltou uma risada baixa, não disse nada e pegou a caneta que ele oferecia.No momento de assinar, a ponta de seus dedos hesitou.O nome já escrito ao lado feria seus olhos.Cinco anos atrás, Rafael Soares estava gravemente doente e foi espancado por um bando de marginais até quase morrer.Enquanto ele jazia na neve, esperando a morte, foi ela quem apareceu e o levou ao hospital.Gastou mais da metade de seu salário para salvá-lo, ficou ao seu lado, esgotou suas economias para apoiar seu empreendimento.Em menos de dois anos, Rafael Soares começou a se destacar no mundo dos negócios.Quando a família Soares o encontrou, Rafael Soares disse com firmeza que se casaria com ela.No entanto, para sua surpresa, ele concordou com o casamento arranjado entre as famílias e se casaria com Beatriz Nunes.Na véspera do casamento, ela se tornou a vilã que drogou Rafael Soares para forçá-lo a se casar com ela.Ela pensou que, se recusasse o casamento, a raiva de Rafael Soares passaria.Mas, em vez disso, recebeu dele a seguinte frase: "Como você deseja, eu me caso com você. Mas não se arrependa depois!"Três anos de casamento sem cerimônia.Ele se declarava solteiro publicamente e nunca a tocou.Ela sabia que Rafael Soares a odiava profundamente.— O que está esperando? — Rafael Soares viu as lágrimas se formando nos cantos dos olhos avermelhados dela e empurrou o documento em sua direção. — Já disse que é só para acalmá-la. Assine logo.A respiração de Helena Gomes falhou.Seu coração, que ela pensava já não poder sentir dor, doeu agudamente com aquelas palavras.Seus cílios tremeram levemente.Ela assinou seu nome, traço por traço.Olhando para os dois nomes no papel, ela perguntou com um ar de resignação:— Como a Beatriz está?Rafael Soares estendeu a mão para pegar o documento.Helena Gomes o segurou com força, um traço de sarcasmo quase imperceptível em seu rosto.— Já que é para acalmá-la, por que não me deixa entregar em mãos? Isso a deixaria mais tranquila, não?Rafael Soares ponderou por um momento.— Não diga o que não deve.O que não devia ser dito? O que devia ser dito?Ela não entendia e não queria entender.Silenciosamente, seguiu Rafael Soares até o quarto VIP.— Helena Gomes? — Beatriz Nunes, vestindo o pijama do hospital, levantou-se agitada ao vê-la entrar.Rafael Soares caminhou a passos largos até ela, ajudando-a a se sentar.— Você ainda está ferida, não se mova.Helena Gomes permaneceu na porta, cerrando os punhos.Um Rafael Soares tão gentil e atencioso era algo que ela não via desde o casamento.Mas não importava mais.O acordo já estava assinado.Com quem ele era gentil já não tinha mais nada a ver com ela.Beatriz Nunes lançou-lhe um olhar de reprovação e depois se virou para Helena Gomes com um sorriso.— Ouvi dizer que você estava com febre alta nos últimos dias. Já passou?Helena Gomes entrou no quarto e assentiu.— Foi o Rafa que te chamou, não foi? Eu disse que estava bem, não precisava de todo esse alvoroço. — Dizendo isso, ela olhou zangada para Rafael Soares e deu um tapa leve em seu braço.O olhar de Rafael Soares passou por Helena Gomes e se fixou no acordo em sua mão, sinalizando para que ela o entregasse.Helena Gomes baixou os cílios, a garganta apertada por um nó de amargura.— A investigação do acidente já foi concluída?Assim que ela falou, o rosto de Rafael Soares endureceu.Ele a repreendeu em voz baixa:— Helena Gomes!— Rafa! — Beatriz Nunes elevou a voz, puxando o braço dele. — A Helena ainda está doente, não seja tão duro com ela!Helena Gomes mordeu o lábio com força.Ela ergueu os olhos e viu a fúria no olhar dele.Um sorriso frio brotou em seu coração.Ele se importava tanto assim com Beatriz?A ponto de não permitir nem uma pergunta?— Disseram que os freios foram sabotados de propósito. A polícia ainda está investigando, mas acredito que logo teremos um resultado. — Ela suspirou profundamente. — Não sei quem poderia ter feito isso. Se eu não tivesse tido sorte, eu... eu...Rafael Soares rapidamente pegou um lenço de papel e, com gestos suaves e habilidosos, enxugou as lágrimas dela.— Eu já pedi à polícia para acelerar a investigação. Não fique pensando nessas coisas.Com os olhos vermelhos, Beatriz Nunes assentiu.— Isto é para você. — Ela disse, suprimindo a náusea que revirava seu estômago e entregando o acordo.— O que é isso? — Beatriz Nunes pegou o papel e, ao ver o que estava escrito, seu rosto empalideceu. — Vocês... O que está acontecendo? Rafa, você está tratando a Helena Gomes mal de novo!— Foi ela quem propôs. — Disse Rafael Soares.— Helena Gomes... você...Helena Gomes assentiu, os cantos de seus lábios tensos se curvando em um sorriso de alívio.— Sim, nós vamos nos divorciar.Beatriz Nunes pegou a mão dela e devolveu o acordo de divórcio.— Me diga, foi o Rafa que te forçou a assinar? A culpa pelo que aconteceu no passado não foi toda sua. Além disso, você era jovem, e o Rafa fez tantas promessas... qualquer um ficaria ressentido.Helena Gomes baixou os cílios, as pontas dos dedos geladas, sentindo como se seu sangue estivesse fluindo ao contrário.Seus lábios estavam quase sem cor.— Foi voluntário. Eu o ocupei por três anos. Assim que o período de reflexão terminar, nós iremos ao cartório para oficializar o divórcio.Sua voz estava firme, sem qualquer traço de relutância ou arrependimento.Até Rafael Soares ficou atônito por alguns segundos.Embora fosse para acalmar Beatriz, a atuação dela era convincente demais.— Eu tenho um compromisso, preciso ir.Helena Gomes se virou e saiu, apenas para descobrir que lá fora começara a chover torrencialmente.— Helena Gomes, vou pedir ao Rafa para te levar para casa. — Disse Beatriz Nunes, empurrando-o levemente. — Vá logo. Conversem com calma, não fiquem assim.Helena Gomes ouviu os passos atrás dela, mas não parou.Rafael Soares a alcançou.— Você atuou muito bem.Helena Gomes não respondeu, seus olhos fixos no elevador.— Além daquele colar, se quiser mais alguma coisa, é só... — Ele foi interrompido pelo toque de seu celular. — O que foi?— Rafa, a Beatriz de repente não está se sentindo bem. Venha rápido!— Certo! — Rafael Soares desligou.— Rafael Soares, eu quero me divorciar de você...— Peça o que quiser diretamente ao meu assistente. — Rafael Soares disse apressadamente e correu de volta.Observando as costas de Rafael Soares se afastando, ela suprimiu a amargura em seu coração e caminhou em direção ao estacionamento.Ela dirigiu de volta para a casa onde moravam.Rafael Soares raramente voltava para casa e, mesmo quando o fazia, dormia no quarto de hóspedes.Helena Gomes pegou uma mala de um canto e guardou algumas roupas que havia comprado, seus pertences pessoais, documentos e o notebook.Enquanto arrastava a mala para sair, seu olhar caiu sobre a foto de casamento pendurada na cabeceira da cama.Era a única foto que tinham juntos.Naquele dia, ela alugou um vestido de noiva e, aproveitando um momento livre de Rafael Soares, pediu à empregada que tirasse a foto.Ela segurava um buquê, sorrindo radiante, fantasiando com uma vida de casada feliz.A felicidade daquele sorriso era proporcional à dor que sentia agora.Helena Gomes subiu no colchão, tirou o porta-retrato, removeu a foto de casamento e, sem expressão, rasgou-a em pedaços, jogando-os na lata de lixo.— Senhora, o diretor Soares voltou e pediu para a senhora descer.Assim que Helena Gomes terminou de jogar fora os destroços da foto, ouviu a voz da empregada no corredor.— Certo. Empregada, por favor, leve este lixo. — Disse Helena Gomes, descendo as escadas.Ao chegar à sala de estar, viu Rafael Soares segurando um envelope pardo, que ele jogou sobre a mesa.— Este é o caso que a Beatriz estava cuidando. Ainda não está finalizado. Termine para ela.Helena Gomes olhou para o envelope sobre a mesa.— Eu tenho um caso de divórcio para cuidar e não posso ajudar. Peça ao estagiário dela para fazer.Rafael Soares afrouxou a gravata, sem demonstrar surpresa.— Deixe seu caso para depois. Se o estagiário dela fosse competente, ela teria pedido para você?— Isso é problema dela, não meu.Rafael Soares a encarou com um olhar gélido.— Helena Gomes, eu mal te elogiei no hospital e você já está criando caso? Diga logo, o que você quer em troca para ajudar?As palavras dele a atingiram como facas, como se ela fosse uma egoísta que só agia por interesse.— Faça um bom trabalho. Quando a Beatriz tiver alta, não deixe escapar nada. Use aquela sua ótima atuação do hospital.Rafael Soares se levantou, pronto para voltar ao hospital, quando ouviu a voz de Helena Gomes.— Eu não estava atuando. Eu realmente quero o divórcio.Rafael Soares parou e se virou, seus olhos sombrios fixos nela.Ele zombou friamente após alguns segundos.— O quê, assinar um acordo de divórcio para acalmá-la te deixou tão ofendida que agora quer mesmo se divorciar?— Não se esqueça, se não fosse por você, a posição de Sra. Soares não seria sua. Se você tem alguma queixa, engula. Você procurou por tudo isso!— Sim, eu procurei. Por isso, em trinta dias, quando o período de reflexão acabar, por favor, encontre-me no cartório para oficializarmos o divórcio.Rafael Soares caminhou a passos largos até ela, agarrou seu colarinho e a puxou para perto.Vendo sua expressão de desamparo e mágoa, a fúria em seu peito ardeu ainda mais forte.— Você realmente quer o divórcio?Helena Gomes assentiu, seus olhos límpidos e sem qualquer traço de apego fixos nos dele.Aquele olhar o sufocou, tornando sua respiração pesada.Ele a soltou com frieza e, sem dizer mais nada, virou-se e saiu.O olhar de Helena Gomes atravessou a chuva torrencial e pousou em suas costas apressadas.Seu coração se contraiu violentamente, cheio de amargura.Ela cerrou os punhos e se sentou desolada no sofá.— Senhora, estas coisas... — A empregada desceu com o saco de lixo cheio de pedaços da foto de casamento, sem saber o que fazer.Helena Gomes olhou para o saco, os olhos pesados, e disse com os dentes cerrados:— Jogue fora. Leve e jogue fora agora mesmo.A empregada assentiu.Ela se recompôs por um tempo, desceu com a mala e, ignorando o envelope pardo sobre a mesa, dirigiu sob a chuva até um hotel.Nesta cidade, ela só tinha aquela casa.Uma vez que saísse, estaria sem lar novamente.Capítulo 3— Rafa, na minha opinião, você deveria aproveitar essa farsa e se divorciar de vez da Helena Gomes.— É verdade. O acidente de carro da Beatriz me pareceu suspeito. Agora que o irmão dela faleceu, não sei o que será dela.Assim que Helena Gomes recebeu a notícia de que Rafael Soares estava hospitalizado, ela dirigiu apressadamente para o hospital.Ao chegar, viu que o elevador estava cheio demais.Ela subiu os dez andares de escada e, quando estava prestes a empurrar a porta corta-fogo, ouviu uma voz familiar.O homem no centro tinha traços marcantes e um olhar profundo, tingido por uma sombra de melancolia.Seus lábios finos estavam pressionados.Com dedos finos e ossudos, ele segurava um cigarro, batendo suavemente para derrubar a cinza.O homem ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar.— Veremos.— Veremos? Rafa, acho que você é bondoso demais. Mesmo que a Helena Gomes tenha salvado sua vida, vocês já não deram a ela um milhão? E mesmo assim, ela ainda te drogou para dormir com você, forçando-o a se casar com ela. Para mim, ela nunca teve boas intenções!Rafael Soares deu uma longa tragada no cigarro e, ao levantar os olhos, notou a silhueta atrás da porta.Os outros dois seguiram seu olhar e perceberam que Helena Gomes havia chegado em algum momento.A mão de Helena Gomes, apoiada na porta, tremia incontrolavelmente.A franja em sua testa estava molhada de suor, colada em seu rosto pálido e delicado.Ela respirava ofegante, com os lábios entreabertos.Tomando um fôlego profundo, ela empurrou a porta e caminhou diretamente até Rafael Soares.Ergueu a cabeça e o encarou em seus olhos frios.— Você não disse que estava no hospital?Risadas zombeteiras ecoaram ao redor, fazendo-a perceber que havia sido enganada.— Assine isto. — Disse Rafael Soares, ignorando a pergunta dela e entregando-lhe um documento.Helena Gomes baixou o olhar para as palavras no papel, franzindo a testa instantaneamente.Ela ergueu os olhos e o encarou em silêncio.Com uma expressão indiferente, ele apagou o cigarro.— A Beatriz acabou de sair da cirurgia. Assine isto, só para fingir, para acalmá-la.Vendo que ela não reagia, Rafael Soares acrescentou:— Aquele colar que você gostou outro dia será entregue em breve.O olhar de Helena Gomes se tornou pesado.Ela soltou uma risada baixa, não disse nada e pegou a caneta que ele oferecia.No momento de assinar, a ponta de seus dedos hesitou.O nome já escrito ao lado feria seus olhos.Cinco anos atrás, Rafael Soares estava gravemente doente e foi espancado por um bando de marginais até quase morrer.Enquanto ele jazia na neve, esperando a morte, foi ela quem apareceu e o levou ao hospital.Gastou mais da metade de seu salário para salvá-lo, ficou ao seu lado, esgotou suas economias para apoiar seu empreendimento.Em menos de dois anos, Rafael Soares começou a se destacar no mundo dos negócios.Quando a família Soares o encontrou, Rafael Soares disse com firmeza que se casaria com ela.No entanto, para sua surpresa, ele concordou com o casamento arranjado entre as famílias e se casaria com Beatriz Nunes.Na véspera do casamento, ela se tornou a vilã que drogou Rafael Soares para forçá-lo a se casar com ela.Ela pensou que, se recusasse o casamento, a raiva de Rafael Soares passaria.Mas, em vez disso, recebeu dele a seguinte frase: "Como você deseja, eu me caso com você. Mas não se arrependa depois!"Três anos de casamento sem cerimônia.Ele se declarava solteiro publicamente e nunca a tocou.Ela sabia que Rafael Soares a odiava profundamente.— O que está esperando? — Rafael Soares viu as lágrimas se formando nos cantos dos olhos avermelhados dela e empurrou o documento em sua direção. — Já disse que é só para acalmá-la. Assine logo.A respiração de Helena Gomes falhou.Seu coração, que ela pensava já não poder sentir dor, doeu agudamente com aquelas palavras.Seus cílios tremeram levemente.Ela assinou seu nome, traço por traço.Olhando para os dois nomes no papel, ela perguntou com um ar de resignação:— Como a Beatriz está?Rafael Soares estendeu a mão para pegar o documento.Helena Gomes o segurou com força, um traço de sarcasmo quase imperceptível em seu rosto.— Já que é para acalmá-la, por que não me deixa entregar em mãos? Isso a deixaria mais tranquila, não?Rafael Soares ponderou por um momento.— Não diga o que não deve.O que não devia ser dito? O que devia ser dito?Ela não entendia e não queria entender.Silenciosamente, seguiu Rafael Soares até o quarto VIP.— Helena Gomes? — Beatriz Nunes, vestindo o pijama do hospital, levantou-se agitada ao vê-la entrar.Rafael Soares caminhou a passos largos até ela, ajudando-a a se sentar.— Você ainda está ferida, não se mova.Helena Gomes permaneceu na porta, cerrando os punhos.Um Rafael Soares tão gentil e atencioso era algo que ela não via desde o casamento.Mas não importava mais.O acordo já estava assinado.Com quem ele era gentil já não tinha mais nada a ver com ela.Beatriz Nunes lançou-lhe um olhar de reprovação e depois se virou para Helena Gomes com um sorriso.— Ouvi dizer que você estava com febre alta nos últimos dias. Já passou?Helena Gomes entrou no quarto e assentiu.— Foi o Rafa que te chamou, não foi? Eu disse que estava bem, não precisava de todo esse alvoroço. — Dizendo isso, ela olhou zangada para Rafael Soares e deu um tapa leve em seu braço.O olhar de Rafael Soares passou por Helena Gomes e se fixou no acordo em sua mão, sinalizando para que ela o entregasse.Helena Gomes baixou os cílios, a garganta apertada por um nó de amargura.— A investigação do acidente já foi concluída?Assim que ela falou, o rosto de Rafael Soares endureceu.Ele a repreendeu em voz baixa:— Helena Gomes!— Rafa! — Beatriz Nunes elevou a voz, puxando o braço dele. — A Helena ainda está doente, não seja tão duro com ela!Helena Gomes mordeu o lábio com força.Ela ergueu os olhos e viu a fúria no olhar dele.Um sorriso frio brotou em seu coração.Ele se importava tanto assim com Beatriz?A ponto de não permitir nem uma pergunta?— Disseram que os freios foram sabotados de propósito. A polícia ainda está investigando, mas acredito que logo teremos um resultado. — Ela suspirou profundamente. — Não sei quem poderia ter feito isso. Se eu não tivesse tido sorte, eu... eu...Rafael Soares rapidamente pegou um lenço de papel e, com gestos suaves e habilidosos, enxugou as lágrimas dela.— Eu já pedi à polícia para acelerar a investigação. Não fique pensando nessas coisas.Com os olhos vermelhos, Beatriz Nunes assentiu.— Isto é para você. — Ela disse, suprimindo a náusea que revirava seu estômago e entregando o acordo.— O que é isso? — Beatriz Nunes pegou o papel e, ao ver o que estava escrito, seu rosto empalideceu. — Vocês... O que está acontecendo? Rafa, você está tratando a Helena Gomes mal de novo!— Foi ela quem propôs. — Disse Rafael Soares.— Helena Gomes... você...Helena Gomes assentiu, os cantos de seus lábios tensos se curvando em um sorriso de alívio.— Sim, nós vamos nos divorciar.Beatriz Nunes pegou a mão dela e devolveu o acordo de divórcio.— Me diga, foi o Rafa que te forçou a assinar? A culpa pelo que aconteceu no passado não foi toda sua. Além disso, você era jovem, e o Rafa fez tantas promessas... qualquer um ficaria ressentido.Helena Gomes baixou os cílios, as pontas dos dedos geladas, sentindo como se seu sangue estivesse fluindo ao contrário.Seus lábios estavam quase sem cor.— Foi voluntário. Eu o ocupei por três anos. Assim que o período de reflexão terminar, nós iremos ao cartório para oficializar o divórcio.Sua voz estava firme, sem qualquer traço de relutância ou arrependimento.Até Rafael Soares ficou atônito por alguns segundos.Embora fosse para acalmar Beatriz, a atuação dela era convincente demais.— Eu tenho um compromisso, preciso ir.Helena Gomes se virou e saiu, apenas para descobrir que lá fora começara a chover torrencialmente.— Helena Gomes, vou pedir ao Rafa para te levar para casa. — Disse Beatriz Nunes, empurrando-o levemente. — Vá logo. Conversem com calma, não fiquem assim.Helena Gomes ouviu os passos atrás dela, mas não parou.Rafael Soares a alcançou.— Você atuou muito bem.Helena Gomes não respondeu, seus olhos fixos no elevador.— Além daquele colar, se quiser mais alguma coisa, é só... — Ele foi interrompido pelo toque de seu celular. — O que foi?— Rafa, a Beatriz de repente não está se sentindo bem. Venha rápido!— Certo! — Rafael Soares desligou.— Rafael Soares, eu quero me divorciar de você...— Peça o que quiser diretamente ao meu assistente. — Rafael Soares disse apressadamente e correu de volta.Observando as costas de Rafael Soares se afastando, ela suprimiu a amargura em seu coração e caminhou em direção ao estacionamento.Ela dirigiu de volta para a casa onde moravam.Rafael Soares raramente voltava para casa e, mesmo quando o fazia, dormia no quarto de hóspedes.Helena Gomes pegou uma mala de um canto e guardou algumas roupas que havia comprado, seus pertences pessoais, documentos e o notebook.Enquanto arrastava a mala para sair, seu olhar caiu sobre a foto de casamento pendurada na cabeceira da cama.Era a única foto que tinham juntos.Naquele dia, ela alugou um vestido de noiva e, aproveitando um momento livre de Rafael Soares, pediu à empregada que tirasse a foto.Ela segurava um buquê, sorrindo radiante, fantasiando com uma vida de casada feliz.A felicidade daquele sorriso era proporcional à dor que sentia agora.Helena Gomes subiu no colchão, tirou o porta-retrato, removeu a foto de casamento e, sem expressão, rasgou-a em pedaços, jogando-os na lata de lixo.— Senhora, o diretor Soares voltou e pediu para a senhora descer.Assim que Helena Gomes terminou de jogar fora os destroços da foto, ouviu a voz da empregada no corredor.— Certo. Empregada, por favor, leve este lixo. — Disse Helena Gomes, descendo as escadas.Ao chegar à sala de estar, viu Rafael Soares segurando um envelope pardo, que ele jogou sobre a mesa.— Este é o caso que a Beatriz estava cuidando. Ainda não está finalizado. Termine para ela.Helena Gomes olhou para o envelope sobre a mesa.— Eu tenho um caso de divórcio para cuidar e não posso ajudar. Peça ao estagiário dela para fazer.Rafael Soares afrouxou a gravata, sem demonstrar surpresa.— Deixe seu caso para depois. Se o estagiário dela fosse competente, ela teria pedido para você?— Isso é problema dela, não meu.Rafael Soares a encarou com um olhar gélido.— Helena Gomes, eu mal te elogiei no hospital e você já está criando caso? Diga logo, o que você quer em troca para ajudar?As palavras dele a atingiram como facas, como se ela fosse uma egoísta que só agia por interesse.— Faça um bom trabalho. Quando a Beatriz tiver alta, não deixe escapar nada. Use aquela sua ótima atuação do hospital.Rafael Soares se levantou, pronto para voltar ao hospital, quando ouviu a voz de Helena Gomes.— Eu não estava atuando. Eu realmente quero o divórcio.Rafael Soares parou e se virou, seus olhos sombrios fixos nela.Ele zombou friamente após alguns segundos.— O quê, assinar um acordo de divórcio para acalmá-la te deixou tão ofendida que agora quer mesmo se divorciar?— Não se esqueça, se não fosse por você, a posição de Sra. Soares não seria sua. Se você tem alguma queixa, engula. Você procurou por tudo isso!— Sim, eu procurei. Por isso, em trinta dias, quando o período de reflexão acabar, por favor, encontre-me no cartório para oficializarmos o divórcio.Rafael Soares caminhou a passos largos até ela, agarrou seu colarinho e a puxou para perto.Vendo sua expressão de desamparo e mágoa, a fúria em seu peito ardeu ainda mais forte.— Você realmente quer o divórcio?Helena Gomes assentiu, seus olhos límpidos e sem qualquer traço de apego fixos nos dele.Aquele olhar o sufocou, tornando sua respiração pesada.Ele a soltou com frieza e, sem dizer mais nada, virou-se e saiu.O olhar de Helena Gomes atravessou a chuva torrencial e pousou em suas costas apressadas.Seu coração se contraiu violentamente, cheio de amargura.Ela cerrou os punhos e se sentou desolada no sofá.— Senhora, estas coisas... — A empregada desceu com o saco de lixo cheio de pedaços da foto de casamento, sem saber o que fazer.Helena Gomes olhou para o saco, os olhos pesados, e disse com os dentes cerrados:— Jogue fora. Leve e jogue fora agora mesmo.A empregada assentiu.Ela se recompôs por um tempo, desceu com a mala e, ignorando o envelope pardo sobre a mesa, dirigiu sob a chuva até um hotel.Nesta cidade, ela só tinha aquela casa.Uma vez que saísse, estaria sem lar novamente.