Na sua vida anterior, Mariana Fernandes foi manipulada emocionalmente, sofrendo uma profunda decepção que a levou a um estado grave de depressão, quase à beira da morte. No momento de maior desespero, ela foi forçada a se casar com a herdeira da família Santos. Quando se recusou, foi ameaçada e humilhada, com toda a família usando vídeos para coagi-la. Incapaz de suportar tanta dor, ela escolheu o desespero e se lançou de uma janela. Porém, milagrosamente, ela reencarnou no mesmo dia em que foi forçada a se casar. Desta vez, ela tomou o controle da situação: forçou seus pais a assinarem um documento de corte definitivo, além de levar todos os milhões em presente de casamento. Apesar de não ser vista com bons olhos, ela usou sua força e inteligência para reverter seu destino, conquistando seu espaço de volta — até mesmo ressurgindo no meio do entretenimento, depois de ter sido completamente apagada pela família Santos. Gradualmente, o império dos Santos começou a ruir, e a filha legítima que eles desprezaram se transformou em uma lendária figura de sucesso. Enfrentando sombras do passado e uma ascensão surpreendente, a família Santos se arrependeu e implorou que ela os aceitasse de volta. Mas ela tinha mudado de nome e cortado todos os laços, já seguindo seu próprio caminho. Esta é uma história de reviravolta, vingança e renascimento. Com força e inteligência, ela escreveu uma nova lenda, que é só dela.

Capítulo 1De manhã cedoMariana Fernandes abriu os olhos e, ao encarar a luz ofuscante que entrava pela janela, seu olhar ficou um tanto perdido. Após alguns instantes, sentou-se abruptamente na cama, fitando o calendário pendurado na parede, e um sorriso frio surgiu em seus lábios.Ela havia retornado.Renascera justamente no dia em que fora obrigada a se casar em lugar de outra. Na vida passada, também morrera neste mesmo dia, nas mãos daquela família.Um ódio avassalador tomou conta de seu coração, quase a sufocando, mas logo se dissipou, levando consigo as emoções caóticas de sua morte anterior.Agora, ela estava viva de novo! Faria todos pagarem um preço alto por tudo o que lhe fizeram.Enquanto organizava seus pensamentos, ouviu passos pesados do lado de fora da porta.— Tum, tum, tum. — Neste momento, bateram à porta.Antes que ela pudesse ir abri-la, a porta foi escancarada com um pontapé. Uma figura alta entrou apressadamente, segurou seu braço e a levantou, bradando com raiva:— Mariana, você ficou surda?O rosto de Mariana imediatamente se tornou frio.Ela segurou a mão que apertava seu braço e a afastou com força. Instintivamente, para se proteger, pressionou o botão de gravação.A mão de Santiago Santos foi afastada por ela, deixando-o surpreso. Ele a encarou, incrédulo.A irmã, sempre obediente e submissa, agora ousava enfrentá-lo! Sua fúria foi instantaneamente acesa.— Você sabe que hoje virão pessoas da família Rios, e mesmo assim está dormindo até tarde! Se a família Rios levar a Wilma, você vai ficar feliz, não é?Mariana levantou os olhos e lançou um olhar frio ao irmão.Santiago sentiu um calafrio percorrer seu corpo, como se um vento gelado tivesse passado por ele.— O quê? A família Rios não pode levá-la? Quem tem compromisso de casamento com eles é ela. Agora que sabem que o rapaz está à beira da morte, querem que eu me case no lugar dela? Têm medo de ela ficar viúva, mas não se importam se eu virar viúva? — Mariana falou com um sorriso gelado.Essas palavras deixaram Santiago sem resposta.Ele desviou o olhar, sentindo-se culpado, e disse entre dentes:— Você e a Wilma não são iguais! Se descobrirem que ela já foi casada, a vida dela estará arruinada.Mariana soltou uma risada irônica.O riso dela deixou Santiago ainda mais furioso, e ele estava prestes a explodir quando uma figura delicada entrou correndo.Wilma Santos, com os olhos marejados, falou com a voz embargada:— Mano, não force mais a mana! Eu caso, eu caso, está bem? Se ele morrer depois, eu... — Ela soluçou, as lágrimas quase transbordando. Maquiada para parecer doente, parecia prestes a desmaiar a qualquer momento.— Basta! Mariana, como irmã mais velha, hoje você tem que se casar no lugar da Wilma. — Neste momento, a voz autoritária de Carolina se fez ouvir.Mariana virou-se e viu sua mãe biológica, além de Patrício e Valeriano bloqueando a porta.A raiva estampada nos olhos deles quase transbordava, como se ela tivesse cometido o maior dos crimes.— Mariana, como você pode ser tão cruel? Wilma ainda é sua irmã, você realmente quer vê-la morta? — Patrício Santos falou, cerrando os punhos.Valeriano Santos concordou, acrescentando:— Exatamente! Ninguém está te mandando à morte, é só casar no lugar dela. Assim que o rapaz morrer, você volta pra casa.A segurança com que falavam fez Mariana rir de indignação.Se fosse na vida passada, com certeza teria discutido furiosamente, seria forçada a tomar remédios, teria suas roupas arrancadas e fotos tiradas, ameaçada com a divulgação dessas imagens e vídeos. Se não aceitasse o casamento, destruiriam sua vida publicamente.Naquela época, olhara para eles, desesperada, enquanto era despida. Não suportando a humilhação, acabou pulando da janela e tirando a própria vida.Pensando nisso, Mariana respirou fundo.— Está bem, nunca disse que não vou me casar. — Um leve sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela se dirigia à escrivaninha, pegava papel e caneta e acionava o vídeo em seu celular.Todos ficaram surpresos, olhando para ela com desconfiança.Após alguns instantes, Mariana entregou um "acordo de rompimento de laços familiares" e, em voz baixa, disse:— Desde que vocês assinem o acordo de rompimento de laços familiares e providenciem o reconhecimento em cartório, eu caso no lugar dela.Suas palavras deixaram todos chocados.O desprezo no olhar deles era quase sufocante.— Você acha mesmo que pode romper laços conosco? Fale, quanto dinheiro você quer? — Valeriano perguntou, pegando o acordo das mãos dela.Santiago lançou um olhar profundo, tirou um cartão e entregou diretamente, dizendo:— Leve cem mil, pare de fazer drama. Não é só casar com alguém? Precisa mesmo criar confusão conosco?Wilma, ao ver a carta de rompimento de relações, deixou transparecer um leve brilho de felicidade no olhar, mas logo balançou a cabeça com lágrimas nos olhos.— Mana, não faça isso! Eu caso, eu caso, está bem? Só te peço que não fique chateada com a mamãe e com os nossos irmãos. A culpa é toda minha, eu não deveria ter ficado em casa.— Se eu soubesse que você se importava, teria ido embora no mesmo dia em que te trouxeram de volta. — Ela disse isso enquanto se virava, prestes a sair.Mas, como se estivesse tomada por uma tristeza profunda, seu corpo cambaleou algumas vezes e caiu nos braços do irmão.— Irmãzinha. — Santiago apressou-se em segurar a cintura da irmã adotiva, acolhendo-a em seus braços, e levantou a voz, furioso: — Mariana, você quer destruir a família para então se dar por satisfeita?— Eu já parei! Assim que vocês assinarem e autenticarem o documento, eu caso no lugar dela. — Mariana respondeu com um leve sorriso.Ao ver a expressão de raiva nos rostos dos presentes, ela ficou sem palavras.Não conseguia entender por que, em sua vida passada, fez tanto esforço para agradá-los e disputar por carinho! Essas pessoas realmente mereciam?Anos atrás, quando ela foi perdida, a família Santos adotou outra filha para substituí-la, enquanto ela própria vagava pelas ruas. Se não tivesse sido acolhida por seu mestre, já teria sido devorada por cães de rua.Talvez tenha sido aquela sensação de injustiça que a levou à morte pelas mãos de seus próprios familiares.Agora, tendo uma segunda chance, a primeira coisa que queria fazer era se livrar deles.— Não se arrependa depois. — Carolina disse de repente, com voz fria, depois se virou para os empregados: — Chame o advogado agora.Carolina parecia tão temerosa de um possível arrependimento que queria, o quanto antes, cortar todos os laços.Os outros três irmãos mudaram as expressões, mas não ousaram contrariar a mãe.— Ah? Sim, senhora. — O empregado, um pouco atônito, recebeu um olhar gelado de Carolina e rapidamente se virou em direção à escada.Santiago ficou paralisado, sem esperar que a mãe realmente assinasse imediatamente. Abriu a boca, prestes a falar, mas foi interrompido pelo soluço de Wilma, que desviou sua atenção.Valeriano e Patrício também ficaram perplexos e correram para segurar Carolina, dizendo:— Mãe, não precisa autenticar. Ela ainda é nossa irmã.— Que ingratidão, não? Depois de tudo que fizemos, ainda tem coragem de romper com nossa família? Sem o apoio da família Santos, quero ver como ela vai sobreviver. — Carolina respondeu com um sorriso frio.O advogado chegou rapidamente, e ela entregou o documento para autenticação online.Mariana recebeu o termo assinado, tirou uma foto para registro e guardou em sua bolsa.— Saiam da minha frente, vocês estão me bloqueando o caminho. — Ela passou por eles a passos largos, sem olhar para trás, dirigindo-se para fora.Carolina ficou ali parada, observando Mariana se afastar, tomada pela raiva, pegou o celular e atirou na direção dela, gritando:— Sua ingrata, quer mesmo me matar de raiva?Mal terminou de falar e parecia prestes a desmaiar.Foi então que ouviram a voz de Mariana, vinda do andar de baixo:— Todos esses presentes de casamento foram enviados pela família Rios?— Sim, senhora. — Alguém respondeu prontamente.Todos ficaram surpresos e, instintivamente, desceram as escadas. Viram Mariana parada ali, olhando ao redor para os itens dispostos na frente da porta, cada caixa contendo objetos de alto valor.Ela rapidamente entregou sua identidade e disse:— Por favor, me ajude a abrir um cofre no banco e guardar todos esses presentes de casamento.Ao ouvir isso, a pessoa ficou surpresa, achando que tinha entendido errado.Mariana ficou ali, com o rosto delicado esboçando um leve sorriso, ergueu a sobrancelha e perguntou:— O que foi, os presentes de casamento não são para mim?— São, sim! — respondeu a pessoa prontamente.Ela ouviu, ergueu o queixo e disse, orgulhosa:— Se são para mim, levem todos.Com essa frase, os seguranças avançaram imediatamente, carregando todas as caixas recém-descidas do carro.A entrada da mansão Santos virou um verdadeiro alvoroço.— Mariana, o que você pensa que está fazendo? — Carolina, ao ver aquilo, ficou tão furiosa que quase cuspiu sangue.Como todos sabiam, a família Rios era uma das mais poderosas do país, rica a ponto de rivalizar com grandes fortunas nacionais. Os presentes de noivado que enviaram eram de valor incalculável; ainda que não tivessem sido totalmente conferidos, já se sabia que juntos valiam, no mínimo, centenas de milhões de reais.Em outros tempos, uma família como a Santos jamais teria chance de se aliar à família Rios.No entanto, Hipólito Santos e Carlos Rios haviam sido companheiros de guerra. Depois de passarem juntos por situações de vida ou morte, firmaram verbalmente um compromisso de casamento entre seus filhos.A família Santos originalmente pretendia reconhecer formalmente o parentesco e casar Wilma com o herdeiro dos Rios, mas os planos mudaram quando o patriarca da família Rios adoeceu gravemente e corria rumores de que não viveria por muito tempo.Como poderiam permitir que Wilma se casasse apenas para logo ficar viúva? Por coincidência, sete meses antes, a família Santos reencontrou a filha biológica que havia se perdido anos atrás. Era a ocasião perfeita para usá-la em benefício próprio.Bastava ela se casar; mesmo que, no pior dos casos, terminasse viúva, ainda assim ajudaria a família Santos e não desagradaria a família Rios. Era a solução ideal. Por isso, decidiram enviar Mariana em seu lugar.– E por quê? Obviamente para levar o que é meu! – Mariana arqueou as sobrancelhas, o olhar repleto de ironia e satisfação.Ela observava o grupo, visivelmente irritado, querendo reagir, mas se contendo devido à presença dos homens da família Rios. Isso lhe dava uma sensação de triunfo.– O que foi? Ainda pretendem ficar com tudo para vocês? Não me digam que estão de olho nos presentes que a família Rios enviou? – Mariana fingiu inocência, dizendo em tom proposital: – Ah, já entendi. Vocês estão desprezando a família Rios e querem me prejudicar.Na mesma hora, todos os seguranças responsáveis pela mudança dos presentes viraram-se para encarar os membros da família Santos, atentos.Carolina ficou lívida; a maquiagem pesada quase se deformou em seu rosto distorcido pelo ódio. Mordendo os dentes, respondeu:– Já que foram dados a você pela família Rios, leve tudo.– Movam, rápido! Levem tudo! – Mariana acenou imediatamente, ouvindo a autorização.Os seguranças, ao escutarem, rapidamente colocaram de volta no carro as 99 caixas com os presentes de noivado que haviam acabado de descarregar.Alguns ainda contavam em voz baixa:– Cem mil cédulas de cem reais, três caixas.– Ouro e joias com diamantes, cento e noventa e nove peças, duas caixas.– Seis escrituras de imóveis do Chalé Brisa Marinha, pouco menos de uma caixa.– Chaves de onze carros de luxo, uma caixa pequena.Wilma escutava a leitura da lista com os punhos cerrados, tamanha era a raiva que sentia; as unhas afundavam nas palmas das mãos, causando-lhe dor quase insuportável.Como Mariana ousava levar tudo? Aqueles presentes deveriam ser dela.Ela não queria se casar, mas nunca disse que não queria os presentes. Mariana, porém, não deixou nada para trás, nem uma peça sequer. Com que direito? Com que direito?– Mariana, você não tem medo de ser motivo de chacota? – Carolina avançou meio passo, tão nervosa que as mãos tremiam.Antes, estimava-se que os presentes valessem milhões. Mas, ouvindo a lista, ficava claro que o valor era ainda maior! Só uma casa na Brisa Marinha já custava mais de cinquenta milhões de reais.– Os presentes foram enviados pelo meu marido, levo comigo. Os outros que invejem, motivo de riso não há. Sra. Santos, será que não está apenas com inveja? – Mariana ficou ali, rindo baixinho, mas o sorriso não chegava aos olhos.Olhando para aqueles rostos familiares da família Santos, Mariana não sabia por quê, mas não sentia raiva. Pelo contrário, sentia-se cada vez mais tranquila.Já tinha morrido uma vez. Nesta nova chance, estava decidida a cortar todos os laços com essas pessoas. O que lhe deviam, ela cobraria, um por um.– Vamos, movam tudo. A família Rios veio me buscar, então tudo é meu por direito. Tenho algum problema em levar o que me pertence? – Mariana falou suavemente, mas havia frieza e desprezo em sua voz.Seus olhos amendoados brilhavam, lançando um olhar gélido ao grupo antes de se fixarem em Wilma.Mariana deu um passo à frente, fazendo Wilma recuar apressada, o olhar fixo nos presentes de noivado, lágrimas de inveja escorrendo sem parar.Ela só queria que Mariana se casasse em seu lugar, nunca dissera que os presentes também deveriam ir com ela.Capítulo 2De manhã cedoMariana Fernandes abriu os olhos e, ao encarar a luz ofuscante que entrava pela janela, seu olhar ficou um tanto perdido. Após alguns instantes, sentou-se abruptamente na cama, fitando o calendário pendurado na parede, e um sorriso frio surgiu em seus lábios.Ela havia retornado.Renascera justamente no dia em que fora obrigada a se casar em lugar de outra. Na vida passada, também morrera neste mesmo dia, nas mãos daquela família.Um ódio avassalador tomou conta de seu coração, quase a sufocando, mas logo se dissipou, levando consigo as emoções caóticas de sua morte anterior.Agora, ela estava viva de novo! Faria todos pagarem um preço alto por tudo o que lhe fizeram.Enquanto organizava seus pensamentos, ouviu passos pesados do lado de fora da porta.— Tum, tum, tum. — Neste momento, bateram à porta.Antes que ela pudesse ir abri-la, a porta foi escancarada com um pontapé. Uma figura alta entrou apressadamente, segurou seu braço e a levantou, bradando com raiva:— Mariana, você ficou surda?O rosto de Mariana imediatamente se tornou frio.Ela segurou a mão que apertava seu braço e a afastou com força. Instintivamente, para se proteger, pressionou o botão de gravação.A mão de Santiago Santos foi afastada por ela, deixando-o surpreso. Ele a encarou, incrédulo.A irmã, sempre obediente e submissa, agora ousava enfrentá-lo! Sua fúria foi instantaneamente acesa.— Você sabe que hoje virão pessoas da família Rios, e mesmo assim está dormindo até tarde! Se a família Rios levar a Wilma, você vai ficar feliz, não é?Mariana levantou os olhos e lançou um olhar frio ao irmão.Santiago sentiu um calafrio percorrer seu corpo, como se um vento gelado tivesse passado por ele.— O quê? A família Rios não pode levá-la? Quem tem compromisso de casamento com eles é ela. Agora que sabem que o rapaz está à beira da morte, querem que eu me case no lugar dela? Têm medo de ela ficar viúva, mas não se importam se eu virar viúva? — Mariana falou com um sorriso gelado.Essas palavras deixaram Santiago sem resposta.Ele desviou o olhar, sentindo-se culpado, e disse entre dentes:— Você e a Wilma não são iguais! Se descobrirem que ela já foi casada, a vida dela estará arruinada.Mariana soltou uma risada irônica.O riso dela deixou Santiago ainda mais furioso, e ele estava prestes a explodir quando uma figura delicada entrou correndo.Wilma Santos, com os olhos marejados, falou com a voz embargada:— Mano, não force mais a mana! Eu caso, eu caso, está bem? Se ele morrer depois, eu... — Ela soluçou, as lágrimas quase transbordando. Maquiada para parecer doente, parecia prestes a desmaiar a qualquer momento.— Basta! Mariana, como irmã mais velha, hoje você tem que se casar no lugar da Wilma. — Neste momento, a voz autoritária de Carolina se fez ouvir.Mariana virou-se e viu sua mãe biológica, além de Patrício e Valeriano bloqueando a porta.A raiva estampada nos olhos deles quase transbordava, como se ela tivesse cometido o maior dos crimes.— Mariana, como você pode ser tão cruel? Wilma ainda é sua irmã, você realmente quer vê-la morta? — Patrício Santos falou, cerrando os punhos.Valeriano Santos concordou, acrescentando:— Exatamente! Ninguém está te mandando à morte, é só casar no lugar dela. Assim que o rapaz morrer, você volta pra casa.A segurança com que falavam fez Mariana rir de indignação.Se fosse na vida passada, com certeza teria discutido furiosamente, seria forçada a tomar remédios, teria suas roupas arrancadas e fotos tiradas, ameaçada com a divulgação dessas imagens e vídeos. Se não aceitasse o casamento, destruiriam sua vida publicamente.Naquela época, olhara para eles, desesperada, enquanto era despida. Não suportando a humilhação, acabou pulando da janela e tirando a própria vida.Pensando nisso, Mariana respirou fundo.— Está bem, nunca disse que não vou me casar. — Um leve sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela se dirigia à escrivaninha, pegava papel e caneta e acionava o vídeo em seu celular.Todos ficaram surpresos, olhando para ela com desconfiança.Após alguns instantes, Mariana entregou um "acordo de rompimento de laços familiares" e, em voz baixa, disse:— Desde que vocês assinem o acordo de rompimento de laços familiares e providenciem o reconhecimento em cartório, eu caso no lugar dela.Suas palavras deixaram todos chocados.O desprezo no olhar deles era quase sufocante.— Você acha mesmo que pode romper laços conosco? Fale, quanto dinheiro você quer? — Valeriano perguntou, pegando o acordo das mãos dela.Santiago lançou um olhar profundo, tirou um cartão e entregou diretamente, dizendo:— Leve cem mil, pare de fazer drama. Não é só casar com alguém? Precisa mesmo criar confusão conosco?Wilma, ao ver a carta de rompimento de relações, deixou transparecer um leve brilho de felicidade no olhar, mas logo balançou a cabeça com lágrimas nos olhos.— Mana, não faça isso! Eu caso, eu caso, está bem? Só te peço que não fique chateada com a mamãe e com os nossos irmãos. A culpa é toda minha, eu não deveria ter ficado em casa.— Se eu soubesse que você se importava, teria ido embora no mesmo dia em que te trouxeram de volta. — Ela disse isso enquanto se virava, prestes a sair.Mas, como se estivesse tomada por uma tristeza profunda, seu corpo cambaleou algumas vezes e caiu nos braços do irmão.— Irmãzinha. — Santiago apressou-se em segurar a cintura da irmã adotiva, acolhendo-a em seus braços, e levantou a voz, furioso: — Mariana, você quer destruir a família para então se dar por satisfeita?— Eu já parei! Assim que vocês assinarem e autenticarem o documento, eu caso no lugar dela. — Mariana respondeu com um leve sorriso.Ao ver a expressão de raiva nos rostos dos presentes, ela ficou sem palavras.Não conseguia entender por que, em sua vida passada, fez tanto esforço para agradá-los e disputar por carinho! Essas pessoas realmente mereciam?Anos atrás, quando ela foi perdida, a família Santos adotou outra filha para substituí-la, enquanto ela própria vagava pelas ruas. Se não tivesse sido acolhida por seu mestre, já teria sido devorada por cães de rua.Talvez tenha sido aquela sensação de injustiça que a levou à morte pelas mãos de seus próprios familiares.Agora, tendo uma segunda chance, a primeira coisa que queria fazer era se livrar deles.— Não se arrependa depois. — Carolina disse de repente, com voz fria, depois se virou para os empregados: — Chame o advogado agora.Carolina parecia tão temerosa de um possível arrependimento que queria, o quanto antes, cortar todos os laços.Os outros três irmãos mudaram as expressões, mas não ousaram contrariar a mãe.— Ah? Sim, senhora. — O empregado, um pouco atônito, recebeu um olhar gelado de Carolina e rapidamente se virou em direção à escada.Santiago ficou paralisado, sem esperar que a mãe realmente assinasse imediatamente. Abriu a boca, prestes a falar, mas foi interrompido pelo soluço de Wilma, que desviou sua atenção.Valeriano e Patrício também ficaram perplexos e correram para segurar Carolina, dizendo:— Mãe, não precisa autenticar. Ela ainda é nossa irmã.— Que ingratidão, não? Depois de tudo que fizemos, ainda tem coragem de romper com nossa família? Sem o apoio da família Santos, quero ver como ela vai sobreviver. — Carolina respondeu com um sorriso frio.O advogado chegou rapidamente, e ela entregou o documento para autenticação online.Mariana recebeu o termo assinado, tirou uma foto para registro e guardou em sua bolsa.— Saiam da minha frente, vocês estão me bloqueando o caminho. — Ela passou por eles a passos largos, sem olhar para trás, dirigindo-se para fora.Carolina ficou ali parada, observando Mariana se afastar, tomada pela raiva, pegou o celular e atirou na direção dela, gritando:— Sua ingrata, quer mesmo me matar de raiva?Mal terminou de falar e parecia prestes a desmaiar.Foi então que ouviram a voz de Mariana, vinda do andar de baixo:— Todos esses presentes de casamento foram enviados pela família Rios?— Sim, senhora. — Alguém respondeu prontamente.Todos ficaram surpresos e, instintivamente, desceram as escadas. Viram Mariana parada ali, olhando ao redor para os itens dispostos na frente da porta, cada caixa contendo objetos de alto valor.Ela rapidamente entregou sua identidade e disse:— Por favor, me ajude a abrir um cofre no banco e guardar todos esses presentes de casamento.Ao ouvir isso, a pessoa ficou surpresa, achando que tinha entendido errado.Mariana ficou ali, com o rosto delicado esboçando um leve sorriso, ergueu a sobrancelha e perguntou:— O que foi, os presentes de casamento não são para mim?— São, sim! — respondeu a pessoa prontamente.Ela ouviu, ergueu o queixo e disse, orgulhosa:— Se são para mim, levem todos.Com essa frase, os seguranças avançaram imediatamente, carregando todas as caixas recém-descidas do carro.A entrada da mansão Santos virou um verdadeiro alvoroço.— Mariana, o que você pensa que está fazendo? — Carolina, ao ver aquilo, ficou tão furiosa que quase cuspiu sangue.Como todos sabiam, a família Rios era uma das mais poderosas do país, rica a ponto de rivalizar com grandes fortunas nacionais. Os presentes de noivado que enviaram eram de valor incalculável; ainda que não tivessem sido totalmente conferidos, já se sabia que juntos valiam, no mínimo, centenas de milhões de reais.Em outros tempos, uma família como a Santos jamais teria chance de se aliar à família Rios.No entanto, Hipólito Santos e Carlos Rios haviam sido companheiros de guerra. Depois de passarem juntos por situações de vida ou morte, firmaram verbalmente um compromisso de casamento entre seus filhos.A família Santos originalmente pretendia reconhecer formalmente o parentesco e casar Wilma com o herdeiro dos Rios, mas os planos mudaram quando o patriarca da família Rios adoeceu gravemente e corria rumores de que não viveria por muito tempo.Como poderiam permitir que Wilma se casasse apenas para logo ficar viúva? Por coincidência, sete meses antes, a família Santos reencontrou a filha biológica que havia se perdido anos atrás. Era a ocasião perfeita para usá-la em benefício próprio.Bastava ela se casar; mesmo que, no pior dos casos, terminasse viúva, ainda assim ajudaria a família Santos e não desagradaria a família Rios. Era a solução ideal. Por isso, decidiram enviar Mariana em seu lugar.– E por quê? Obviamente para levar o que é meu! – Mariana arqueou as sobrancelhas, o olhar repleto de ironia e satisfação.Ela observava o grupo, visivelmente irritado, querendo reagir, mas se contendo devido à presença dos homens da família Rios. Isso lhe dava uma sensação de triunfo.– O que foi? Ainda pretendem ficar com tudo para vocês? Não me digam que estão de olho nos presentes que a família Rios enviou? – Mariana fingiu inocência, dizendo em tom proposital: – Ah, já entendi. Vocês estão desprezando a família Rios e querem me prejudicar.Na mesma hora, todos os seguranças responsáveis pela mudança dos presentes viraram-se para encarar os membros da família Santos, atentos.Carolina ficou lívida; a maquiagem pesada quase se deformou em seu rosto distorcido pelo ódio. Mordendo os dentes, respondeu:– Já que foram dados a você pela família Rios, leve tudo.– Movam, rápido! Levem tudo! – Mariana acenou imediatamente, ouvindo a autorização.Os seguranças, ao escutarem, rapidamente colocaram de volta no carro as 99 caixas com os presentes de noivado que haviam acabado de descarregar.Alguns ainda contavam em voz baixa:– Cem mil cédulas de cem reais, três caixas.– Ouro e joias com diamantes, cento e noventa e nove peças, duas caixas.– Seis escrituras de imóveis do Chalé Brisa Marinha, pouco menos de uma caixa.– Chaves de onze carros de luxo, uma caixa pequena.Wilma escutava a leitura da lista com os punhos cerrados, tamanha era a raiva que sentia; as unhas afundavam nas palmas das mãos, causando-lhe dor quase insuportável.Como Mariana ousava levar tudo? Aqueles presentes deveriam ser dela.Ela não queria se casar, mas nunca disse que não queria os presentes. Mariana, porém, não deixou nada para trás, nem uma peça sequer. Com que direito? Com que direito?– Mariana, você não tem medo de ser motivo de chacota? – Carolina avançou meio passo, tão nervosa que as mãos tremiam.Antes, estimava-se que os presentes valessem milhões. Mas, ouvindo a lista, ficava claro que o valor era ainda maior! Só uma casa na Brisa Marinha já custava mais de cinquenta milhões de reais.– Os presentes foram enviados pelo meu marido, levo comigo. Os outros que invejem, motivo de riso não há. Sra. Santos, será que não está apenas com inveja? – Mariana ficou ali, rindo baixinho, mas o sorriso não chegava aos olhos.Olhando para aqueles rostos familiares da família Santos, Mariana não sabia por quê, mas não sentia raiva. Pelo contrário, sentia-se cada vez mais tranquila.Já tinha morrido uma vez. Nesta nova chance, estava decidida a cortar todos os laços com essas pessoas. O que lhe deviam, ela cobraria, um por um.– Vamos, movam tudo. A família Rios veio me buscar, então tudo é meu por direito. Tenho algum problema em levar o que me pertence? – Mariana falou suavemente, mas havia frieza e desprezo em sua voz.Seus olhos amendoados brilhavam, lançando um olhar gélido ao grupo antes de se fixarem em Wilma.Mariana deu um passo à frente, fazendo Wilma recuar apressada, o olhar fixo nos presentes de noivado, lágrimas de inveja escorrendo sem parar.Ela só queria que Mariana se casasse em seu lugar, nunca dissera que os presentes também deveriam ir com ela.Capítulo 3De manhã cedoMariana Fernandes abriu os olhos e, ao encarar a luz ofuscante que entrava pela janela, seu olhar ficou um tanto perdido. Após alguns instantes, sentou-se abruptamente na cama, fitando o calendário pendurado na parede, e um sorriso frio surgiu em seus lábios.Ela havia retornado.Renascera justamente no dia em que fora obrigada a se casar em lugar de outra. Na vida passada, também morrera neste mesmo dia, nas mãos daquela família.Um ódio avassalador tomou conta de seu coração, quase a sufocando, mas logo se dissipou, levando consigo as emoções caóticas de sua morte anterior.Agora, ela estava viva de novo! Faria todos pagarem um preço alto por tudo o que lhe fizeram.Enquanto organizava seus pensamentos, ouviu passos pesados do lado de fora da porta.— Tum, tum, tum. — Neste momento, bateram à porta.Antes que ela pudesse ir abri-la, a porta foi escancarada com um pontapé. Uma figura alta entrou apressadamente, segurou seu braço e a levantou, bradando com raiva:— Mariana, você ficou surda?O rosto de Mariana imediatamente se tornou frio.Ela segurou a mão que apertava seu braço e a afastou com força. Instintivamente, para se proteger, pressionou o botão de gravação.A mão de Santiago Santos foi afastada por ela, deixando-o surpreso. Ele a encarou, incrédulo.A irmã, sempre obediente e submissa, agora ousava enfrentá-lo! Sua fúria foi instantaneamente acesa.— Você sabe que hoje virão pessoas da família Rios, e mesmo assim está dormindo até tarde! Se a família Rios levar a Wilma, você vai ficar feliz, não é?Mariana levantou os olhos e lançou um olhar frio ao irmão.Santiago sentiu um calafrio percorrer seu corpo, como se um vento gelado tivesse passado por ele.— O quê? A família Rios não pode levá-la? Quem tem compromisso de casamento com eles é ela. Agora que sabem que o rapaz está à beira da morte, querem que eu me case no lugar dela? Têm medo de ela ficar viúva, mas não se importam se eu virar viúva? — Mariana falou com um sorriso gelado.Essas palavras deixaram Santiago sem resposta.Ele desviou o olhar, sentindo-se culpado, e disse entre dentes:— Você e a Wilma não são iguais! Se descobrirem que ela já foi casada, a vida dela estará arruinada.Mariana soltou uma risada irônica.O riso dela deixou Santiago ainda mais furioso, e ele estava prestes a explodir quando uma figura delicada entrou correndo.Wilma Santos, com os olhos marejados, falou com a voz embargada:— Mano, não force mais a mana! Eu caso, eu caso, está bem? Se ele morrer depois, eu... — Ela soluçou, as lágrimas quase transbordando. Maquiada para parecer doente, parecia prestes a desmaiar a qualquer momento.— Basta! Mariana, como irmã mais velha, hoje você tem que se casar no lugar da Wilma. — Neste momento, a voz autoritária de Carolina se fez ouvir.Mariana virou-se e viu sua mãe biológica, além de Patrício e Valeriano bloqueando a porta.A raiva estampada nos olhos deles quase transbordava, como se ela tivesse cometido o maior dos crimes.— Mariana, como você pode ser tão cruel? Wilma ainda é sua irmã, você realmente quer vê-la morta? — Patrício Santos falou, cerrando os punhos.Valeriano Santos concordou, acrescentando:— Exatamente! Ninguém está te mandando à morte, é só casar no lugar dela. Assim que o rapaz morrer, você volta pra casa.A segurança com que falavam fez Mariana rir de indignação.Se fosse na vida passada, com certeza teria discutido furiosamente, seria forçada a tomar remédios, teria suas roupas arrancadas e fotos tiradas, ameaçada com a divulgação dessas imagens e vídeos. Se não aceitasse o casamento, destruiriam sua vida publicamente.Naquela época, olhara para eles, desesperada, enquanto era despida. Não suportando a humilhação, acabou pulando da janela e tirando a própria vida.Pensando nisso, Mariana respirou fundo.— Está bem, nunca disse que não vou me casar. — Um leve sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela se dirigia à escrivaninha, pegava papel e caneta e acionava o vídeo em seu celular.Todos ficaram surpresos, olhando para ela com desconfiança.Após alguns instantes, Mariana entregou um "acordo de rompimento de laços familiares" e, em voz baixa, disse:— Desde que vocês assinem o acordo de rompimento de laços familiares e providenciem o reconhecimento em cartório, eu caso no lugar dela.Suas palavras deixaram todos chocados.O desprezo no olhar deles era quase sufocante.— Você acha mesmo que pode romper laços conosco? Fale, quanto dinheiro você quer? — Valeriano perguntou, pegando o acordo das mãos dela.Santiago lançou um olhar profundo, tirou um cartão e entregou diretamente, dizendo:— Leve cem mil, pare de fazer drama. Não é só casar com alguém? Precisa mesmo criar confusão conosco?Wilma, ao ver a carta de rompimento de relações, deixou transparecer um leve brilho de felicidade no olhar, mas logo balançou a cabeça com lágrimas nos olhos.— Mana, não faça isso! Eu caso, eu caso, está bem? Só te peço que não fique chateada com a mamãe e com os nossos irmãos. A culpa é toda minha, eu não deveria ter ficado em casa.— Se eu soubesse que você se importava, teria ido embora no mesmo dia em que te trouxeram de volta. — Ela disse isso enquanto se virava, prestes a sair.Mas, como se estivesse tomada por uma tristeza profunda, seu corpo cambaleou algumas vezes e caiu nos braços do irmão.— Irmãzinha. — Santiago apressou-se em segurar a cintura da irmã adotiva, acolhendo-a em seus braços, e levantou a voz, furioso: — Mariana, você quer destruir a família para então se dar por satisfeita?— Eu já parei! Assim que vocês assinarem e autenticarem o documento, eu caso no lugar dela. — Mariana respondeu com um leve sorriso.Ao ver a expressão de raiva nos rostos dos presentes, ela ficou sem palavras.Não conseguia entender por que, em sua vida passada, fez tanto esforço para agradá-los e disputar por carinho! Essas pessoas realmente mereciam?Anos atrás, quando ela foi perdida, a família Santos adotou outra filha para substituí-la, enquanto ela própria vagava pelas ruas. Se não tivesse sido acolhida por seu mestre, já teria sido devorada por cães de rua.Talvez tenha sido aquela sensação de injustiça que a levou à morte pelas mãos de seus próprios familiares.Agora, tendo uma segunda chance, a primeira coisa que queria fazer era se livrar deles.— Não se arrependa depois. — Carolina disse de repente, com voz fria, depois se virou para os empregados: — Chame o advogado agora.Carolina parecia tão temerosa de um possível arrependimento que queria, o quanto antes, cortar todos os laços.Os outros três irmãos mudaram as expressões, mas não ousaram contrariar a mãe.— Ah? Sim, senhora. — O empregado, um pouco atônito, recebeu um olhar gelado de Carolina e rapidamente se virou em direção à escada.Santiago ficou paralisado, sem esperar que a mãe realmente assinasse imediatamente. Abriu a boca, prestes a falar, mas foi interrompido pelo soluço de Wilma, que desviou sua atenção.Valeriano e Patrício também ficaram perplexos e correram para segurar Carolina, dizendo:— Mãe, não precisa autenticar. Ela ainda é nossa irmã.— Que ingratidão, não? Depois de tudo que fizemos, ainda tem coragem de romper com nossa família? Sem o apoio da família Santos, quero ver como ela vai sobreviver. — Carolina respondeu com um sorriso frio.O advogado chegou rapidamente, e ela entregou o documento para autenticação online.Mariana recebeu o termo assinado, tirou uma foto para registro e guardou em sua bolsa.— Saiam da minha frente, vocês estão me bloqueando o caminho. — Ela passou por eles a passos largos, sem olhar para trás, dirigindo-se para fora.Carolina ficou ali parada, observando Mariana se afastar, tomada pela raiva, pegou o celular e atirou na direção dela, gritando:— Sua ingrata, quer mesmo me matar de raiva?Mal terminou de falar e parecia prestes a desmaiar.Foi então que ouviram a voz de Mariana, vinda do andar de baixo:— Todos esses presentes de casamento foram enviados pela família Rios?— Sim, senhora. — Alguém respondeu prontamente.Todos ficaram surpresos e, instintivamente, desceram as escadas. Viram Mariana parada ali, olhando ao redor para os itens dispostos na frente da porta, cada caixa contendo objetos de alto valor.Ela rapidamente entregou sua identidade e disse:— Por favor, me ajude a abrir um cofre no banco e guardar todos esses presentes de casamento.Ao ouvir isso, a pessoa ficou surpresa, achando que tinha entendido errado.Mariana ficou ali, com o rosto delicado esboçando um leve sorriso, ergueu a sobrancelha e perguntou:— O que foi, os presentes de casamento não são para mim?— São, sim! — respondeu a pessoa prontamente.Ela ouviu, ergueu o queixo e disse, orgulhosa:— Se são para mim, levem todos.Com essa frase, os seguranças avançaram imediatamente, carregando todas as caixas recém-descidas do carro.A entrada da mansão Santos virou um verdadeiro alvoroço.— Mariana, o que você pensa que está fazendo? — Carolina, ao ver aquilo, ficou tão furiosa que quase cuspiu sangue.Como todos sabiam, a família Rios era uma das mais poderosas do país, rica a ponto de rivalizar com grandes fortunas nacionais. Os presentes de noivado que enviaram eram de valor incalculável; ainda que não tivessem sido totalmente conferidos, já se sabia que juntos valiam, no mínimo, centenas de milhões de reais.Em outros tempos, uma família como a Santos jamais teria chance de se aliar à família Rios.No entanto, Hipólito Santos e Carlos Rios haviam sido companheiros de guerra. Depois de passarem juntos por situações de vida ou morte, firmaram verbalmente um compromisso de casamento entre seus filhos.A família Santos originalmente pretendia reconhecer formalmente o parentesco e casar Wilma com o herdeiro dos Rios, mas os planos mudaram quando o patriarca da família Rios adoeceu gravemente e corria rumores de que não viveria por muito tempo.Como poderiam permitir que Wilma se casasse apenas para logo ficar viúva? Por coincidência, sete meses antes, a família Santos reencontrou a filha biológica que havia se perdido anos atrás. Era a ocasião perfeita para usá-la em benefício próprio.Bastava ela se casar; mesmo que, no pior dos casos, terminasse viúva, ainda assim ajudaria a família Santos e não desagradaria a família Rios. Era a solução ideal. Por isso, decidiram enviar Mariana em seu lugar.– E por quê? Obviamente para levar o que é meu! – Mariana arqueou as sobrancelhas, o olhar repleto de ironia e satisfação.Ela observava o grupo, visivelmente irritado, querendo reagir, mas se contendo devido à presença dos homens da família Rios. Isso lhe dava uma sensação de triunfo.– O que foi? Ainda pretendem ficar com tudo para vocês? Não me digam que estão de olho nos presentes que a família Rios enviou? – Mariana fingiu inocência, dizendo em tom proposital: – Ah, já entendi. Vocês estão desprezando a família Rios e querem me prejudicar.Na mesma hora, todos os seguranças responsáveis pela mudança dos presentes viraram-se para encarar os membros da família Santos, atentos.Carolina ficou lívida; a maquiagem pesada quase se deformou em seu rosto distorcido pelo ódio. Mordendo os dentes, respondeu:– Já que foram dados a você pela família Rios, leve tudo.– Movam, rápido! Levem tudo! – Mariana acenou imediatamente, ouvindo a autorização.Os seguranças, ao escutarem, rapidamente colocaram de volta no carro as 99 caixas com os presentes de noivado que haviam acabado de descarregar.Alguns ainda contavam em voz baixa:– Cem mil cédulas de cem reais, três caixas.– Ouro e joias com diamantes, cento e noventa e nove peças, duas caixas.– Seis escrituras de imóveis do Chalé Brisa Marinha, pouco menos de uma caixa.– Chaves de onze carros de luxo, uma caixa pequena.Wilma escutava a leitura da lista com os punhos cerrados, tamanha era a raiva que sentia; as unhas afundavam nas palmas das mãos, causando-lhe dor quase insuportável.Como Mariana ousava levar tudo? Aqueles presentes deveriam ser dela.Ela não queria se casar, mas nunca disse que não queria os presentes. Mariana, porém, não deixou nada para trás, nem uma peça sequer. Com que direito? Com que direito?– Mariana, você não tem medo de ser motivo de chacota? – Carolina avançou meio passo, tão nervosa que as mãos tremiam.Antes, estimava-se que os presentes valessem milhões. Mas, ouvindo a lista, ficava claro que o valor era ainda maior! Só uma casa na Brisa Marinha já custava mais de cinquenta milhões de reais.– Os presentes foram enviados pelo meu marido, levo comigo. Os outros que invejem, motivo de riso não há. Sra. Santos, será que não está apenas com inveja? – Mariana ficou ali, rindo baixinho, mas o sorriso não chegava aos olhos.Olhando para aqueles rostos familiares da família Santos, Mariana não sabia por quê, mas não sentia raiva. Pelo contrário, sentia-se cada vez mais tranquila.Já tinha morrido uma vez. Nesta nova chance, estava decidida a cortar todos os laços com essas pessoas. O que lhe deviam, ela cobraria, um por um.– Vamos, movam tudo. A família Rios veio me buscar, então tudo é meu por direito. Tenho algum problema em levar o que me pertence? – Mariana falou suavemente, mas havia frieza e desprezo em sua voz.Seus olhos amendoados brilhavam, lançando um olhar gélido ao grupo antes de se fixarem em Wilma.Mariana deu um passo à frente, fazendo Wilma recuar apressada, o olhar fixo nos presentes de noivado, lágrimas de inveja escorrendo sem parar.Ela só queria que Mariana se casasse em seu lugar, nunca dissera que os presentes também deveriam ir com ela.

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