Seis anos de casamento, enchidos apenas com a euforia noturna, ausentes de qualquer ternura diurna. Sófia Lopes o amou profundamente, sem reservas. Sua filha biológica se via proibida de chamá-lo de pai, enquanto o filho de sua amante aprendia a chamá-lo de pai em seu colo. A família toda tratava o filho adotivo como um herdeiro precioso, enquanto a filha biológica era vista como uma mancha vergonhosa. Só depois que ela e sua filha pagaram o preço da vida, que ele, após assinar pessoalmente o atestado de cremação delas e, com seu filho, participar de uma festa em homenagem à amante de volta ao país, ela entendeu. O coração genuíno não pode ser trocado por um coração genuíno. Pessoas inconstantes simplesmente não têm coração. Vivendo novamente, ela está determinada a abandonar completamente esse casamento apenas com humilhação e indiferença! Na vida passada, ela abandonou os estudos, asneiramente, para ser dona de casa, disposta a se sacrificar pela família. Nesta vida, ela assina resolutamente o acordo de divórcio, leva a filha para longe do atoleiro, retoma sua carreira e retorna ao pico! Na primeira semana após Sófia Lopes ir embora, Gregório Pacheco apenas pensou que Sófia Lopes estivesse fazendo birra. No primeiro mês após Sófia Lopes ir embora, Gregório Pacheco não se importou, deixando-a ir. No dia N após Sófia Lopes ir embora... ele a viu! Ela estava em um encontro de profissionais de elite! Sófia Lopes estava totalmente focada em sua carreira, enquanto a filha estava totalmente focada em encontrar um novo pai. Pois é, ela e a filha realmente não precisavam mais dele! O homem perdeu completamente a razão. Ele, que sempre fora orgulhoso e indiferente, desafiou a opinião pública e impediu a mãe e a filha em público, implorando: "Amor, estou de joelhos aqui, você pode me amar de novo?"

Capítulo 1"Sinto muito, Sra. Lopes. Sua filha faleceu à 1h13 da madrugada do dia 15 de fevereiro. A reanimação não teve sucesso."Sófia Lopes agarrava um coelho de pelúcia, olhando fixamente para a sala de cirurgia, com uma expressão entorpecida.Ela foi se despedir de sua filha.Ao lado da cama de cirurgia, Sófia segurou as pequenas e definhadas mãos de sua filha.Gélidas, sem calor.Ela ajeitou os cabelos da menina.Em sua mente, ecoava a voz fraca da filha antes de ser levada para a sala de emergência."Mamãe, o tio ainda não chegou?"O "tio" a quem a filha se referia era seu pai biológico, Gregório Pacheco. Ele nunca permitiu que a filha o chamasse de pai, mas deixava que o filho de seu grande amor do passado o fizesse.O maior desejo de aniversário de Isabela era passá-lo com o pai, e que ele a deixasse chamá-lo de "papai" pelo menos uma vez.Devido à sua imunidade baixa, no ano anterior, Isabela contraiu uma gripe enquanto esperava Gregório no vento gelado para o jantar, que evoluiu para uma pneumonia. Neste ano, sua saúde piorou drasticamente e ela estava hospitalizada desde então.Hoje, em mais um dia gélido de inverno, Isabela, sem que ela soubesse, esperou novamente por Gregório do lado de fora do portão para jantarem juntos.Após o desmaio, Sófia a levou às pressas para o hospital.O médico emitiu um aviso de estado crítico.Sófia implorou a Gregório que voltasse para passar o aniversário com a filha.Ele prometeu.E quebrou sua promessa.Ela abraçou suavemente o pequeno corpo frágil da filha, sussurrando: "Minha querida filha... você está livre agora."Livre do tormento da doença.Livre de ser rejeitada diariamente pelo pai, de ansiar por um amor paterno que nunca receberia."Mamãe, por que o tio não me deixa chamá-lo de papai, mas o irmão pode...""Mamãe, é porque a Sra. Almeida gosta do meu irmão que o papai gosta dele também..."As perguntas inocentes da filha pareciam ressoar repetidamente em seus ouvidos.Tão jovem, ela não entendia por que o pai não gostava dela, por que não podia chamá-lo de "papai", apenas acreditava que não era boa o suficiente como seu irmão, e por isso o pai a rejeitava...Seis anos atrás, ela e Gregório tiveram um acidente, ela engravidou de Isabela e tiveram um casamento forçado pela gravidez.Durante o parto de Isabela, ela teve uma hemorragia grave, mas ele não demonstrou qualquer preocupação.Isso porque Gregório estava acompanhando o parto de seu grande amor do passado, Patrícia Almeida. Suas prioridades eram claras.Depois que Patrícia deu à luz seu filho, ela abandonou a criança com Gregório e foi para o exterior, desaparecendo sem deixar rastros.E ela, que amava Gregório por anos, para agradá-lo, aceitou que ele trouxesse o filho de Patrícia para casa, cuidando dele como se fosse seu próprio filho.Ele não deixava Isabela chamá-lo de pai, mas tratava o filho de seu grande amor como um tesouro. Essa era a diferença...Naquele parto difícil, ela deveria ter entendido: o coração de um homem é como uma pedra, não importa o que fizesse, jamais conseguiria aquecê-lo.Embora Isabela tivesse nascido primeiro, na manhã daquele dia, ele insistiu que o filho de seu grande amor fosse o mais velho, garantindo-lhe o status de neto mais velho da Família Pacheco.A ponto de...Todos acreditarem que aquele era o verdadeiro filho de Gregório.E Isabela, apenas uma filha ilegítima!O médico, parado atrás dela, observava seu corpo trêmulo com pesar. "O pai da criança ainda não chegou?"Desde que Isabela Pacheco foi internada, o pai nunca havia aparecido.Os olhos de Sófia se encheram de frieza, e um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios. "O pai da criança? Viajou para o exterior com seu filho ilegítimo para encontrar a mãe biológica dele, para comemorar seu aniversário."Era assim todos os anos.E ela, tola, criando o filho de outra pessoa por quatro anos.No mesmo dia de aniversário, para Isabela, restava apenas o abandono infinito!O médico ficou atônito, olhando para a mulher lamentável à sua frente, sem saber como consolá-la.-No primeiro dia após a morte de Isabela, Sófia cuidou de todos os trâmites.O formulário de autorização para cremação na Cidade Prosperidade exigia a assinatura de ambos os pais.Sófia voltou para a Mansão Costa para recolher as coisas de Isabela.Ouviu-se o som de um carro se aproximando no andar de baixo."Papai! Quando você vai deixar a mamãe para se casar com a Sra. Almeida? Eu quero que a Sra. Almeida seja minha mãe!"Gregório pendurou o casaco no braço e se inclinou para beliscar a bochecha do menino. "Enzo, você pode chamar a Sra. Almeida de mãe."Do andar de cima, Sófia ouviu tudo com clareza.Seu coração se apertou dolorosamente. Ela fechou os olhos, respirando fundo."Vá pedir para sua mãe te dar um banho e trocar de roupa. Depois, vamos para a festa de boas-vindas da Sra. Almeida."Enzo pulou de alegria. "Eba!"No segundo seguinte, seu rosto se entristeceu. "Mas... se a mamãe souber, ela não vai me deixar ir? Eu odeio a mamãe, ela nunca me deixa comer as coisas de fora!"Gregório afagou a cabeça de Enzo, dando-lhe apoio. "Papai está aqui, ela não vai ousar."O homem ergueu o olhar e seus olhos encontraram os de Sófia, que descia as escadas.Seu olhar era indiferente, e ele desviou a visão sem qualquer emoção, como se ela não estivesse ali.Enzo correu e puxou a mão de Sófia. "Mamãe, me dê um banho, eu vou sair daqui a pouco."Sófia retirou a mão e olhou para Gregório. "Você não está esquecendo de algo?"Gregório lançou-lhe um olhar breve e indiferente. "O quê?"Por tantos anos, ele fora sempre frio. Frio com ela, frio com Isabela.Sófia riu de si mesma com amargura.Claro, como ele poderia se lembrar que o aniversário de Isabela e Enzo era no mesmo dia?O aniversário de Enzo, ele comemorava todos os anos com Patrícia, com grandes festas.Enquanto Isabela, ano após ano, esperava no vento gelado por um pai que nunca voltaria para casa."Tenho algo para discutir com você."Gregório zombou. "Hoje não tenho tempo.""Não vai demorar muito." Sófia disse. "É só para assinar dois documentos."Ela segurou a pasta e apontou para o local da assinatura.Gregório estava visivelmente impaciente, como se cada segundo a mais com ela fosse uma irritação.Ele franziu a testa e assinou seu nome com traços rápidos e impacientes, entregando-lhe os papéis."Hoje à noite, Enzo e eu não voltaremos para casa. Amanhã de manhã, peça para Isabela ir à escola e pedir à professora que libere Enzo por meio período."Sófia cerrou os dentes, apertando os documentos com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.Se ele tivesse olhado com atenção por um instante.Teria visto que um era um acordo de divórcio, e o outro, os documentos para a cremação de Isabela.Até para assinar documentos, ele era extremamente negligente."E mais uma coisa, diga a Isabela para não me ligar."Sófia sorriu friamente.Isabela não ligaria mais.E nem ela.Gregório notou sua atitude incomum, mas não deu importância.Vendo que o tempo estava se esgotando, Patrícia ligou para perguntar quando eles chegariam.Sem banho e sem trocar de roupa, Enzo saiu com Gregório. "Hoje à noite, vou pedir para minha nova mamãe me dar banho!"O homem respondeu com indulgência."Claro."Sófia ficou parada, observando-os partir, atordoada por um longo tempo.Ela reuniu tudo em casa que pertencia a ela e a Isabela e queimou tudo.Em seguida, foi ao crematório para a cremação do corpo de Isabela.Ao receber as cinzas.As lágrimas de Sófia finalmente caíram incontrolavelmente."Isabela, espere pela mamãe. Mamãe irá te encontrar em breve..."-Enquanto isso, em outro lugar.Gregório levou Enzo para a festa de boas-vindas de Patrícia.Os três pareciam uma família feliz e unida. Todos elogiavam a harmonia familiar, dizendo que Sófia se apegava ao título de Sra. Pacheco e destruía a felicidade deles.Nesse momento, alguém abriu caminho apressadamente pela multidão e se aproximou de Gregório."Diretor Pacheco, sua esposa e filha foram cremadas hoje. Por favor, dirija-se ao crematório para recolher as cinzas."Gregório nem sequer franziu a testa, sua voz era fria. "Ela já é adulta. Quanto tempo mais vai continuar com esse joguinho de ciúmes?""Mas, senhor, foi o senhor mesmo quem assinou a autorização de cremação, e também um acordo de divórcio..."O coração do homem pareceu falhar uma batida. "O que você disse?"Gregório praticamente voou com o carro até o crematório. Ele testemunhou sua esposa e filha sendo levadas para o forno crematório.Apenas aquele vislumbre foi o suficiente para que seu peito parecesse ser rasgado por algo.Os funcionários do crematório viram apenas o homem desabar no chão com um baque surdo..."Pá--"Algo macio caiu a seus pés, despertando Sófia de seu torpor.Ela olhou para baixo, confusa, e viu um bolo azul de pasta americana."Mamãe, eu já disse que não quero que você faça meu bolo de aniversário!" A voz irritada de Enzo invadiu seus ouvidos. Ele olhou para Sófia. "É feio e ruim, você não entende o que eu digo?"Ela estava...Sófia prendeu a respiração.Ela tinha voltado?!Ela realmente tinha voltado!De volta à festa de aniversário de Enzo, um ano antes.Enzo continuava resmungando: "Eu quero o bolo que a Sra. Almeida faz!""Mamãe, a Isabela acha que o bolo que a mamãe faz é delicioso. Se o Enzo não quer, a Isabela come tudo sozinha."Ao ouvir novamente a voz doce e suave da filha, Sófia olhou para o rosto pequeno e pálido da menina, e as lágrimas embaçaram sua visão.Ela se agachou, segurando suavemente o rostinho da filha. A sensação de calor e realidade a fez acreditar que tinha realmente voltado.Nesta vida, ela não permitiria que sua filha sofresse o menor dano!Isabela olhou para Enzo. "Você não pode falar assim com a mamãe. Não tem medo que ela nunca mais faça bolo para você?""Pode comer tudo, eu não faço a menor questão." Enzo continuou com desdém, segurando a mão de Patrícia. "Eu quero que a Tia Patrícia seja minha mãe.""A Tia Patrícia me faz muitas coisas gostosas, me leva para andar a cavalo e escalar. A mamãe nem sabe o que é equitação, é uma vergonha.""O papai gosta da Tia Patrícia, e eu também!"Gregório franziu a testa. "Que bobagem é essa?"Patrícia, vestindo um conjunto de couro elegante, riu abertamente.Ela passou o braço esquerdo pelos ombros de Gregório, numa postura de bons amigos, e com a outra mão, afagou a cabeça de Enzo. "Ser esposa do seu pai não é fácil! Eu e ele somos irmãos de alma.""E Enzo, a Tia Patrícia não te ensinou? Não se pode falar assim com a sua mãe. Você não vai mais ouvir a Tia Patrícia?"Enzo fez um bico e se aproximou ainda mais de Patrícia, jogando no chão o presente de aniversário que Sófia lhe dera. "Mas os presentes da mamãe são sempre essas canetas-tinteiro baratas, ela nunca me dá brinquedos. Não se compara ao modelo de avião que a Tia Patrícia me deu, foi ela mesma que fez! E ele voa de verdade! É muito mais precioso que o presente da mamãe!"Papai disse que a Tia Patrícia vai projetar aviões de verdade no futuro, e que eles poderiam até voar em um avião projetado por ela. Isso soava muito legal.Diferente da mamãe, que era apenas uma *coxinha* sem graça que não sabia de nada.Sófia observou a criança que ela havia criado com as próprias mãos ao lado de Patrícia, sentindo uma pontada de ironia.Como ela não percebeu isso antes?Enzo era filho biológico de Patrícia, era natural que fossem próximos, mesmo que Enzo não soubesse que sua mãe biológica era Patrícia.Na vida passada, ela o tratou como seu próprio filho, apenas para ganhar o afeto de Gregório.Mas eles sempre agiram como se fosse sua obrigação.Agora, ela não iria mais engolir o orgulho e sofrer em silêncio com Isabela!Sófia se abaixou para pegar a caneta, sem nenhum traço de raiva no rosto, apenas um sorriso leve. "A Srta. Almeida realmente sabe cuidar de crianças. Então, de agora em diante, Enzo e Gregório ficam por sua conta."Patrícia ficou subitamente atônita, parecendo não esperar que Sófia dissesse algo assim, sem discussões ou debates, sem humildade ou fraqueza.Apenas um sorriso calmo como um lago.No segundo seguinte, ela olhou para Gregório. "Gregório, será que o que eu disse foi mal interpretado pela cunhada... Então eu não vou mais falar, fui indiscreta."Gregório franziu a testa, olhando para Sófia. "Você já é adulta, ainda vai ficar fazendo birra de criança? Essas coisas não são para serem ditas levianamente."Ele estava claramente protegendo Patrícia, sentindo que Sófia a havia desrespeitado.Ela encontrou o olhar do homem, insensível, indiferente, como sempre. Protegendo Patrícia na frente de todos, sem lhe dar o mínimo de consideração.Era porque ele tinha certeza de que ela nunca o deixaria, por isso agia com tanta naturalidade!Desta vez, ela não seria como na vida passada, engolindo o orgulho e forçando sorrisos para satisfazer o desejo da filha de passar o aniversário com o pai, ficando até o final da festa.Capítulo 2"Sinto muito, Sra. Lopes. Sua filha faleceu à 1h13 da madrugada do dia 15 de fevereiro. A reanimação não teve sucesso."Sófia Lopes agarrava um coelho de pelúcia, olhando fixamente para a sala de cirurgia, com uma expressão entorpecida.Ela foi se despedir de sua filha.Ao lado da cama de cirurgia, Sófia segurou as pequenas e definhadas mãos de sua filha.Gélidas, sem calor.Ela ajeitou os cabelos da menina.Em sua mente, ecoava a voz fraca da filha antes de ser levada para a sala de emergência."Mamãe, o tio ainda não chegou?"O "tio" a quem a filha se referia era seu pai biológico, Gregório Pacheco. Ele nunca permitiu que a filha o chamasse de pai, mas deixava que o filho de seu grande amor do passado o fizesse.O maior desejo de aniversário de Isabela era passá-lo com o pai, e que ele a deixasse chamá-lo de "papai" pelo menos uma vez.Devido à sua imunidade baixa, no ano anterior, Isabela contraiu uma gripe enquanto esperava Gregório no vento gelado para o jantar, que evoluiu para uma pneumonia. Neste ano, sua saúde piorou drasticamente e ela estava hospitalizada desde então.Hoje, em mais um dia gélido de inverno, Isabela, sem que ela soubesse, esperou novamente por Gregório do lado de fora do portão para jantarem juntos.Após o desmaio, Sófia a levou às pressas para o hospital.O médico emitiu um aviso de estado crítico.Sófia implorou a Gregório que voltasse para passar o aniversário com a filha.Ele prometeu.E quebrou sua promessa.Ela abraçou suavemente o pequeno corpo frágil da filha, sussurrando: "Minha querida filha... você está livre agora."Livre do tormento da doença.Livre de ser rejeitada diariamente pelo pai, de ansiar por um amor paterno que nunca receberia."Mamãe, por que o tio não me deixa chamá-lo de papai, mas o irmão pode...""Mamãe, é porque a Sra. Almeida gosta do meu irmão que o papai gosta dele também..."As perguntas inocentes da filha pareciam ressoar repetidamente em seus ouvidos.Tão jovem, ela não entendia por que o pai não gostava dela, por que não podia chamá-lo de "papai", apenas acreditava que não era boa o suficiente como seu irmão, e por isso o pai a rejeitava...Seis anos atrás, ela e Gregório tiveram um acidente, ela engravidou de Isabela e tiveram um casamento forçado pela gravidez.Durante o parto de Isabela, ela teve uma hemorragia grave, mas ele não demonstrou qualquer preocupação.Isso porque Gregório estava acompanhando o parto de seu grande amor do passado, Patrícia Almeida. Suas prioridades eram claras.Depois que Patrícia deu à luz seu filho, ela abandonou a criança com Gregório e foi para o exterior, desaparecendo sem deixar rastros.E ela, que amava Gregório por anos, para agradá-lo, aceitou que ele trouxesse o filho de Patrícia para casa, cuidando dele como se fosse seu próprio filho.Ele não deixava Isabela chamá-lo de pai, mas tratava o filho de seu grande amor como um tesouro. Essa era a diferença...Naquele parto difícil, ela deveria ter entendido: o coração de um homem é como uma pedra, não importa o que fizesse, jamais conseguiria aquecê-lo.Embora Isabela tivesse nascido primeiro, na manhã daquele dia, ele insistiu que o filho de seu grande amor fosse o mais velho, garantindo-lhe o status de neto mais velho da Família Pacheco.A ponto de...Todos acreditarem que aquele era o verdadeiro filho de Gregório.E Isabela, apenas uma filha ilegítima!O médico, parado atrás dela, observava seu corpo trêmulo com pesar. "O pai da criança ainda não chegou?"Desde que Isabela Pacheco foi internada, o pai nunca havia aparecido.Os olhos de Sófia se encheram de frieza, e um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios. "O pai da criança? Viajou para o exterior com seu filho ilegítimo para encontrar a mãe biológica dele, para comemorar seu aniversário."Era assim todos os anos.E ela, tola, criando o filho de outra pessoa por quatro anos.No mesmo dia de aniversário, para Isabela, restava apenas o abandono infinito!O médico ficou atônito, olhando para a mulher lamentável à sua frente, sem saber como consolá-la.-No primeiro dia após a morte de Isabela, Sófia cuidou de todos os trâmites.O formulário de autorização para cremação na Cidade Prosperidade exigia a assinatura de ambos os pais.Sófia voltou para a Mansão Costa para recolher as coisas de Isabela.Ouviu-se o som de um carro se aproximando no andar de baixo."Papai! Quando você vai deixar a mamãe para se casar com a Sra. Almeida? Eu quero que a Sra. Almeida seja minha mãe!"Gregório pendurou o casaco no braço e se inclinou para beliscar a bochecha do menino. "Enzo, você pode chamar a Sra. Almeida de mãe."Do andar de cima, Sófia ouviu tudo com clareza.Seu coração se apertou dolorosamente. Ela fechou os olhos, respirando fundo."Vá pedir para sua mãe te dar um banho e trocar de roupa. Depois, vamos para a festa de boas-vindas da Sra. Almeida."Enzo pulou de alegria. "Eba!"No segundo seguinte, seu rosto se entristeceu. "Mas... se a mamãe souber, ela não vai me deixar ir? Eu odeio a mamãe, ela nunca me deixa comer as coisas de fora!"Gregório afagou a cabeça de Enzo, dando-lhe apoio. "Papai está aqui, ela não vai ousar."O homem ergueu o olhar e seus olhos encontraram os de Sófia, que descia as escadas.Seu olhar era indiferente, e ele desviou a visão sem qualquer emoção, como se ela não estivesse ali.Enzo correu e puxou a mão de Sófia. "Mamãe, me dê um banho, eu vou sair daqui a pouco."Sófia retirou a mão e olhou para Gregório. "Você não está esquecendo de algo?"Gregório lançou-lhe um olhar breve e indiferente. "O quê?"Por tantos anos, ele fora sempre frio. Frio com ela, frio com Isabela.Sófia riu de si mesma com amargura.Claro, como ele poderia se lembrar que o aniversário de Isabela e Enzo era no mesmo dia?O aniversário de Enzo, ele comemorava todos os anos com Patrícia, com grandes festas.Enquanto Isabela, ano após ano, esperava no vento gelado por um pai que nunca voltaria para casa."Tenho algo para discutir com você."Gregório zombou. "Hoje não tenho tempo.""Não vai demorar muito." Sófia disse. "É só para assinar dois documentos."Ela segurou a pasta e apontou para o local da assinatura.Gregório estava visivelmente impaciente, como se cada segundo a mais com ela fosse uma irritação.Ele franziu a testa e assinou seu nome com traços rápidos e impacientes, entregando-lhe os papéis."Hoje à noite, Enzo e eu não voltaremos para casa. Amanhã de manhã, peça para Isabela ir à escola e pedir à professora que libere Enzo por meio período."Sófia cerrou os dentes, apertando os documentos com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.Se ele tivesse olhado com atenção por um instante.Teria visto que um era um acordo de divórcio, e o outro, os documentos para a cremação de Isabela.Até para assinar documentos, ele era extremamente negligente."E mais uma coisa, diga a Isabela para não me ligar."Sófia sorriu friamente.Isabela não ligaria mais.E nem ela.Gregório notou sua atitude incomum, mas não deu importância.Vendo que o tempo estava se esgotando, Patrícia ligou para perguntar quando eles chegariam.Sem banho e sem trocar de roupa, Enzo saiu com Gregório. "Hoje à noite, vou pedir para minha nova mamãe me dar banho!"O homem respondeu com indulgência."Claro."Sófia ficou parada, observando-os partir, atordoada por um longo tempo.Ela reuniu tudo em casa que pertencia a ela e a Isabela e queimou tudo.Em seguida, foi ao crematório para a cremação do corpo de Isabela.Ao receber as cinzas.As lágrimas de Sófia finalmente caíram incontrolavelmente."Isabela, espere pela mamãe. Mamãe irá te encontrar em breve..."-Enquanto isso, em outro lugar.Gregório levou Enzo para a festa de boas-vindas de Patrícia.Os três pareciam uma família feliz e unida. Todos elogiavam a harmonia familiar, dizendo que Sófia se apegava ao título de Sra. Pacheco e destruía a felicidade deles.Nesse momento, alguém abriu caminho apressadamente pela multidão e se aproximou de Gregório."Diretor Pacheco, sua esposa e filha foram cremadas hoje. Por favor, dirija-se ao crematório para recolher as cinzas."Gregório nem sequer franziu a testa, sua voz era fria. "Ela já é adulta. Quanto tempo mais vai continuar com esse joguinho de ciúmes?""Mas, senhor, foi o senhor mesmo quem assinou a autorização de cremação, e também um acordo de divórcio..."O coração do homem pareceu falhar uma batida. "O que você disse?"Gregório praticamente voou com o carro até o crematório. Ele testemunhou sua esposa e filha sendo levadas para o forno crematório.Apenas aquele vislumbre foi o suficiente para que seu peito parecesse ser rasgado por algo.Os funcionários do crematório viram apenas o homem desabar no chão com um baque surdo..."Pá--"Algo macio caiu a seus pés, despertando Sófia de seu torpor.Ela olhou para baixo, confusa, e viu um bolo azul de pasta americana."Mamãe, eu já disse que não quero que você faça meu bolo de aniversário!" A voz irritada de Enzo invadiu seus ouvidos. Ele olhou para Sófia. "É feio e ruim, você não entende o que eu digo?"Ela estava...Sófia prendeu a respiração.Ela tinha voltado?!Ela realmente tinha voltado!De volta à festa de aniversário de Enzo, um ano antes.Enzo continuava resmungando: "Eu quero o bolo que a Sra. Almeida faz!""Mamãe, a Isabela acha que o bolo que a mamãe faz é delicioso. Se o Enzo não quer, a Isabela come tudo sozinha."Ao ouvir novamente a voz doce e suave da filha, Sófia olhou para o rosto pequeno e pálido da menina, e as lágrimas embaçaram sua visão.Ela se agachou, segurando suavemente o rostinho da filha. A sensação de calor e realidade a fez acreditar que tinha realmente voltado.Nesta vida, ela não permitiria que sua filha sofresse o menor dano!Isabela olhou para Enzo. "Você não pode falar assim com a mamãe. Não tem medo que ela nunca mais faça bolo para você?""Pode comer tudo, eu não faço a menor questão." Enzo continuou com desdém, segurando a mão de Patrícia. "Eu quero que a Tia Patrícia seja minha mãe.""A Tia Patrícia me faz muitas coisas gostosas, me leva para andar a cavalo e escalar. A mamãe nem sabe o que é equitação, é uma vergonha.""O papai gosta da Tia Patrícia, e eu também!"Gregório franziu a testa. "Que bobagem é essa?"Patrícia, vestindo um conjunto de couro elegante, riu abertamente.Ela passou o braço esquerdo pelos ombros de Gregório, numa postura de bons amigos, e com a outra mão, afagou a cabeça de Enzo. "Ser esposa do seu pai não é fácil! Eu e ele somos irmãos de alma.""E Enzo, a Tia Patrícia não te ensinou? Não se pode falar assim com a sua mãe. Você não vai mais ouvir a Tia Patrícia?"Enzo fez um bico e se aproximou ainda mais de Patrícia, jogando no chão o presente de aniversário que Sófia lhe dera. "Mas os presentes da mamãe são sempre essas canetas-tinteiro baratas, ela nunca me dá brinquedos. Não se compara ao modelo de avião que a Tia Patrícia me deu, foi ela mesma que fez! E ele voa de verdade! É muito mais precioso que o presente da mamãe!"Papai disse que a Tia Patrícia vai projetar aviões de verdade no futuro, e que eles poderiam até voar em um avião projetado por ela. Isso soava muito legal.Diferente da mamãe, que era apenas uma *coxinha* sem graça que não sabia de nada.Sófia observou a criança que ela havia criado com as próprias mãos ao lado de Patrícia, sentindo uma pontada de ironia.Como ela não percebeu isso antes?Enzo era filho biológico de Patrícia, era natural que fossem próximos, mesmo que Enzo não soubesse que sua mãe biológica era Patrícia.Na vida passada, ela o tratou como seu próprio filho, apenas para ganhar o afeto de Gregório.Mas eles sempre agiram como se fosse sua obrigação.Agora, ela não iria mais engolir o orgulho e sofrer em silêncio com Isabela!Sófia se abaixou para pegar a caneta, sem nenhum traço de raiva no rosto, apenas um sorriso leve. "A Srta. Almeida realmente sabe cuidar de crianças. Então, de agora em diante, Enzo e Gregório ficam por sua conta."Patrícia ficou subitamente atônita, parecendo não esperar que Sófia dissesse algo assim, sem discussões ou debates, sem humildade ou fraqueza.Apenas um sorriso calmo como um lago.No segundo seguinte, ela olhou para Gregório. "Gregório, será que o que eu disse foi mal interpretado pela cunhada... Então eu não vou mais falar, fui indiscreta."Gregório franziu a testa, olhando para Sófia. "Você já é adulta, ainda vai ficar fazendo birra de criança? Essas coisas não são para serem ditas levianamente."Ele estava claramente protegendo Patrícia, sentindo que Sófia a havia desrespeitado.Ela encontrou o olhar do homem, insensível, indiferente, como sempre. Protegendo Patrícia na frente de todos, sem lhe dar o mínimo de consideração.Era porque ele tinha certeza de que ela nunca o deixaria, por isso agia com tanta naturalidade!Desta vez, ela não seria como na vida passada, engolindo o orgulho e forçando sorrisos para satisfazer o desejo da filha de passar o aniversário com o pai, ficando até o final da festa.Capítulo 3"Sinto muito, Sra. Lopes. Sua filha faleceu à 1h13 da madrugada do dia 15 de fevereiro. A reanimação não teve sucesso."Sófia Lopes agarrava um coelho de pelúcia, olhando fixamente para a sala de cirurgia, com uma expressão entorpecida.Ela foi se despedir de sua filha.Ao lado da cama de cirurgia, Sófia segurou as pequenas e definhadas mãos de sua filha.Gélidas, sem calor.Ela ajeitou os cabelos da menina.Em sua mente, ecoava a voz fraca da filha antes de ser levada para a sala de emergência."Mamãe, o tio ainda não chegou?"O "tio" a quem a filha se referia era seu pai biológico, Gregório Pacheco. Ele nunca permitiu que a filha o chamasse de pai, mas deixava que o filho de seu grande amor do passado o fizesse.O maior desejo de aniversário de Isabela era passá-lo com o pai, e que ele a deixasse chamá-lo de "papai" pelo menos uma vez.Devido à sua imunidade baixa, no ano anterior, Isabela contraiu uma gripe enquanto esperava Gregório no vento gelado para o jantar, que evoluiu para uma pneumonia. Neste ano, sua saúde piorou drasticamente e ela estava hospitalizada desde então.Hoje, em mais um dia gélido de inverno, Isabela, sem que ela soubesse, esperou novamente por Gregório do lado de fora do portão para jantarem juntos.Após o desmaio, Sófia a levou às pressas para o hospital.O médico emitiu um aviso de estado crítico.Sófia implorou a Gregório que voltasse para passar o aniversário com a filha.Ele prometeu.E quebrou sua promessa.Ela abraçou suavemente o pequeno corpo frágil da filha, sussurrando: "Minha querida filha... você está livre agora."Livre do tormento da doença.Livre de ser rejeitada diariamente pelo pai, de ansiar por um amor paterno que nunca receberia."Mamãe, por que o tio não me deixa chamá-lo de papai, mas o irmão pode...""Mamãe, é porque a Sra. Almeida gosta do meu irmão que o papai gosta dele também..."As perguntas inocentes da filha pareciam ressoar repetidamente em seus ouvidos.Tão jovem, ela não entendia por que o pai não gostava dela, por que não podia chamá-lo de "papai", apenas acreditava que não era boa o suficiente como seu irmão, e por isso o pai a rejeitava...Seis anos atrás, ela e Gregório tiveram um acidente, ela engravidou de Isabela e tiveram um casamento forçado pela gravidez.Durante o parto de Isabela, ela teve uma hemorragia grave, mas ele não demonstrou qualquer preocupação.Isso porque Gregório estava acompanhando o parto de seu grande amor do passado, Patrícia Almeida. Suas prioridades eram claras.Depois que Patrícia deu à luz seu filho, ela abandonou a criança com Gregório e foi para o exterior, desaparecendo sem deixar rastros.E ela, que amava Gregório por anos, para agradá-lo, aceitou que ele trouxesse o filho de Patrícia para casa, cuidando dele como se fosse seu próprio filho.Ele não deixava Isabela chamá-lo de pai, mas tratava o filho de seu grande amor como um tesouro. Essa era a diferença...Naquele parto difícil, ela deveria ter entendido: o coração de um homem é como uma pedra, não importa o que fizesse, jamais conseguiria aquecê-lo.Embora Isabela tivesse nascido primeiro, na manhã daquele dia, ele insistiu que o filho de seu grande amor fosse o mais velho, garantindo-lhe o status de neto mais velho da Família Pacheco.A ponto de...Todos acreditarem que aquele era o verdadeiro filho de Gregório.E Isabela, apenas uma filha ilegítima!O médico, parado atrás dela, observava seu corpo trêmulo com pesar. "O pai da criança ainda não chegou?"Desde que Isabela Pacheco foi internada, o pai nunca havia aparecido.Os olhos de Sófia se encheram de frieza, e um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios. "O pai da criança? Viajou para o exterior com seu filho ilegítimo para encontrar a mãe biológica dele, para comemorar seu aniversário."Era assim todos os anos.E ela, tola, criando o filho de outra pessoa por quatro anos.No mesmo dia de aniversário, para Isabela, restava apenas o abandono infinito!O médico ficou atônito, olhando para a mulher lamentável à sua frente, sem saber como consolá-la.-No primeiro dia após a morte de Isabela, Sófia cuidou de todos os trâmites.O formulário de autorização para cremação na Cidade Prosperidade exigia a assinatura de ambos os pais.Sófia voltou para a Mansão Costa para recolher as coisas de Isabela.Ouviu-se o som de um carro se aproximando no andar de baixo."Papai! Quando você vai deixar a mamãe para se casar com a Sra. Almeida? Eu quero que a Sra. Almeida seja minha mãe!"Gregório pendurou o casaco no braço e se inclinou para beliscar a bochecha do menino. "Enzo, você pode chamar a Sra. Almeida de mãe."Do andar de cima, Sófia ouviu tudo com clareza.Seu coração se apertou dolorosamente. Ela fechou os olhos, respirando fundo."Vá pedir para sua mãe te dar um banho e trocar de roupa. Depois, vamos para a festa de boas-vindas da Sra. Almeida."Enzo pulou de alegria. "Eba!"No segundo seguinte, seu rosto se entristeceu. "Mas... se a mamãe souber, ela não vai me deixar ir? Eu odeio a mamãe, ela nunca me deixa comer as coisas de fora!"Gregório afagou a cabeça de Enzo, dando-lhe apoio. "Papai está aqui, ela não vai ousar."O homem ergueu o olhar e seus olhos encontraram os de Sófia, que descia as escadas.Seu olhar era indiferente, e ele desviou a visão sem qualquer emoção, como se ela não estivesse ali.Enzo correu e puxou a mão de Sófia. "Mamãe, me dê um banho, eu vou sair daqui a pouco."Sófia retirou a mão e olhou para Gregório. "Você não está esquecendo de algo?"Gregório lançou-lhe um olhar breve e indiferente. "O quê?"Por tantos anos, ele fora sempre frio. Frio com ela, frio com Isabela.Sófia riu de si mesma com amargura.Claro, como ele poderia se lembrar que o aniversário de Isabela e Enzo era no mesmo dia?O aniversário de Enzo, ele comemorava todos os anos com Patrícia, com grandes festas.Enquanto Isabela, ano após ano, esperava no vento gelado por um pai que nunca voltaria para casa."Tenho algo para discutir com você."Gregório zombou. "Hoje não tenho tempo.""Não vai demorar muito." Sófia disse. "É só para assinar dois documentos."Ela segurou a pasta e apontou para o local da assinatura.Gregório estava visivelmente impaciente, como se cada segundo a mais com ela fosse uma irritação.Ele franziu a testa e assinou seu nome com traços rápidos e impacientes, entregando-lhe os papéis."Hoje à noite, Enzo e eu não voltaremos para casa. Amanhã de manhã, peça para Isabela ir à escola e pedir à professora que libere Enzo por meio período."Sófia cerrou os dentes, apertando os documentos com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.Se ele tivesse olhado com atenção por um instante.Teria visto que um era um acordo de divórcio, e o outro, os documentos para a cremação de Isabela.Até para assinar documentos, ele era extremamente negligente."E mais uma coisa, diga a Isabela para não me ligar."Sófia sorriu friamente.Isabela não ligaria mais.E nem ela.Gregório notou sua atitude incomum, mas não deu importância.Vendo que o tempo estava se esgotando, Patrícia ligou para perguntar quando eles chegariam.Sem banho e sem trocar de roupa, Enzo saiu com Gregório. "Hoje à noite, vou pedir para minha nova mamãe me dar banho!"O homem respondeu com indulgência."Claro."Sófia ficou parada, observando-os partir, atordoada por um longo tempo.Ela reuniu tudo em casa que pertencia a ela e a Isabela e queimou tudo.Em seguida, foi ao crematório para a cremação do corpo de Isabela.Ao receber as cinzas.As lágrimas de Sófia finalmente caíram incontrolavelmente."Isabela, espere pela mamãe. Mamãe irá te encontrar em breve..."-Enquanto isso, em outro lugar.Gregório levou Enzo para a festa de boas-vindas de Patrícia.Os três pareciam uma família feliz e unida. Todos elogiavam a harmonia familiar, dizendo que Sófia se apegava ao título de Sra. Pacheco e destruía a felicidade deles.Nesse momento, alguém abriu caminho apressadamente pela multidão e se aproximou de Gregório."Diretor Pacheco, sua esposa e filha foram cremadas hoje. Por favor, dirija-se ao crematório para recolher as cinzas."Gregório nem sequer franziu a testa, sua voz era fria. "Ela já é adulta. Quanto tempo mais vai continuar com esse joguinho de ciúmes?""Mas, senhor, foi o senhor mesmo quem assinou a autorização de cremação, e também um acordo de divórcio..."O coração do homem pareceu falhar uma batida. "O que você disse?"Gregório praticamente voou com o carro até o crematório. Ele testemunhou sua esposa e filha sendo levadas para o forno crematório.Apenas aquele vislumbre foi o suficiente para que seu peito parecesse ser rasgado por algo.Os funcionários do crematório viram apenas o homem desabar no chão com um baque surdo..."Pá--"Algo macio caiu a seus pés, despertando Sófia de seu torpor.Ela olhou para baixo, confusa, e viu um bolo azul de pasta americana."Mamãe, eu já disse que não quero que você faça meu bolo de aniversário!" A voz irritada de Enzo invadiu seus ouvidos. Ele olhou para Sófia. "É feio e ruim, você não entende o que eu digo?"Ela estava...Sófia prendeu a respiração.Ela tinha voltado?!Ela realmente tinha voltado!De volta à festa de aniversário de Enzo, um ano antes.Enzo continuava resmungando: "Eu quero o bolo que a Sra. Almeida faz!""Mamãe, a Isabela acha que o bolo que a mamãe faz é delicioso. Se o Enzo não quer, a Isabela come tudo sozinha."Ao ouvir novamente a voz doce e suave da filha, Sófia olhou para o rosto pequeno e pálido da menina, e as lágrimas embaçaram sua visão.Ela se agachou, segurando suavemente o rostinho da filha. A sensação de calor e realidade a fez acreditar que tinha realmente voltado.Nesta vida, ela não permitiria que sua filha sofresse o menor dano!Isabela olhou para Enzo. "Você não pode falar assim com a mamãe. Não tem medo que ela nunca mais faça bolo para você?""Pode comer tudo, eu não faço a menor questão." Enzo continuou com desdém, segurando a mão de Patrícia. "Eu quero que a Tia Patrícia seja minha mãe.""A Tia Patrícia me faz muitas coisas gostosas, me leva para andar a cavalo e escalar. A mamãe nem sabe o que é equitação, é uma vergonha.""O papai gosta da Tia Patrícia, e eu também!"Gregório franziu a testa. "Que bobagem é essa?"Patrícia, vestindo um conjunto de couro elegante, riu abertamente.Ela passou o braço esquerdo pelos ombros de Gregório, numa postura de bons amigos, e com a outra mão, afagou a cabeça de Enzo. "Ser esposa do seu pai não é fácil! Eu e ele somos irmãos de alma.""E Enzo, a Tia Patrícia não te ensinou? Não se pode falar assim com a sua mãe. Você não vai mais ouvir a Tia Patrícia?"Enzo fez um bico e se aproximou ainda mais de Patrícia, jogando no chão o presente de aniversário que Sófia lhe dera. "Mas os presentes da mamãe são sempre essas canetas-tinteiro baratas, ela nunca me dá brinquedos. Não se compara ao modelo de avião que a Tia Patrícia me deu, foi ela mesma que fez! E ele voa de verdade! É muito mais precioso que o presente da mamãe!"Papai disse que a Tia Patrícia vai projetar aviões de verdade no futuro, e que eles poderiam até voar em um avião projetado por ela. Isso soava muito legal.Diferente da mamãe, que era apenas uma *coxinha* sem graça que não sabia de nada.Sófia observou a criança que ela havia criado com as próprias mãos ao lado de Patrícia, sentindo uma pontada de ironia.Como ela não percebeu isso antes?Enzo era filho biológico de Patrícia, era natural que fossem próximos, mesmo que Enzo não soubesse que sua mãe biológica era Patrícia.Na vida passada, ela o tratou como seu próprio filho, apenas para ganhar o afeto de Gregório.Mas eles sempre agiram como se fosse sua obrigação.Agora, ela não iria mais engolir o orgulho e sofrer em silêncio com Isabela!Sófia se abaixou para pegar a caneta, sem nenhum traço de raiva no rosto, apenas um sorriso leve. "A Srta. Almeida realmente sabe cuidar de crianças. Então, de agora em diante, Enzo e Gregório ficam por sua conta."Patrícia ficou subitamente atônita, parecendo não esperar que Sófia dissesse algo assim, sem discussões ou debates, sem humildade ou fraqueza.Apenas um sorriso calmo como um lago.No segundo seguinte, ela olhou para Gregório. "Gregório, será que o que eu disse foi mal interpretado pela cunhada... Então eu não vou mais falar, fui indiscreta."Gregório franziu a testa, olhando para Sófia. "Você já é adulta, ainda vai ficar fazendo birra de criança? Essas coisas não são para serem ditas levianamente."Ele estava claramente protegendo Patrícia, sentindo que Sófia a havia desrespeitado.Ela encontrou o olhar do homem, insensível, indiferente, como sempre. Protegendo Patrícia na frente de todos, sem lhe dar o mínimo de consideração.Era porque ele tinha certeza de que ela nunca o deixaria, por isso agia com tanta naturalidade!Desta vez, ela não seria como na vida passada, engolindo o orgulho e forçando sorrisos para satisfazer o desejo da filha de passar o aniversário com o pai, ficando até o final da festa.

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