Certa noite, Belmira Galhardo acidentalmente se envolveu com a pessoa errada. Para obter ações do Grupo Galhardo, ela pediu o homem em casamento. O homem disse arrogantemente: "Posso concordar em me casar com você, mas será apenas um casamento por acordo." Os dois chegaram a um acordo e rapidamente se casaram. Quando chegou a hora combinada, Belmira disse com o acordo de divórcio: "Sr. Belmonte, nosso acordo expirou." O homem entrou em pânico instantaneamente. Ele vem evitando-a desde então. Vendo que ele demorava a responder, Belmira não aguentou mais: "Nelson, o que você quer?" O homem a abraçou e implorou humildemente: "Querida, não vamos nos divorciar, ok?"

Capítulo 1Noite chuvosa.A chuva caía intensamente do lado de fora, batendo contra a janela de vidro e deixando trilhas d’água escorrendo pelo vidro transparente.No interior da suíte do hotel, a iluminação permanecia fraca e indecisa.A mulher empurrou o homem contra a parede, seus braços finos e alvos enlaçaram o pescoço longo dele, com um olhar perdido e embriagado."Ajude-me... Eu estou me sentindo muito mal..."Nelson Belmonte fitou a mulher em seus braços, seus olhos cor de âmbar refletiam uma expressão enigmática e insondável.Ele segurou o queixo dela, e sua voz grave veio carregada de um leve tom rouco: "Sabe quem eu sou? Te atreve a se aproximar de mim?"A luz amarelada caía sobre o pequeno rosto de Belmira Galhardo, cuja pele alva como porcelana exibia um leve tom rosado, tornando-a ainda mais sedutora.Sob o nariz delicado e empinado, seus lábios eram vermelhos e brilhantes; os olhos, cintilantes e cheios de encanto.O nó na garganta de Nelson apertou, sentindo o calor crescente dentro de si quase incontrolável, todo o seu sangue fervilhava em suas veias.Depois de tantos anos de indiferença, aquela era a primeira vez que reagia diante de uma mulher.O mais surpreendente era que ele não rejeitava sua aproximação, tampouco seu toque.Naquele momento, a vontade de Belmira já estava completamente dominada pelo efeito do medicamento em seu corpo.Ao perceber a demora na resposta do homem, ela começou a tirar a roupa dele com as próprias mãos."Eu estou me sentindo muito mal..."Nelson segurou imediatamente a mão inquieta dela, o maxilar tenso denunciando sua luta interna por autocontrole, e sua voz soou ainda mais rouca."Quer mesmo que eu te ajude?""Ajude-me..."Assim que terminou de falar, Belmira se colocou nas pontas dos pés e beijou os lábios finos do homem.Aquele beijo fez o coração de Nelson estremecer.A delicada fragrância floral única dela envolveu sua respiração, destruindo por completo o último resquício de razão que lhe restava."Muito bem, mas depois não venha se arrepender."Nelson fechou os olhos e seus dedos longos percorreram os cabelos dela, pousando na nuca com firmeza moderada.Em seguida, ele tomou a iniciativa e beijou os lábios macios e vermelhos da mulher.O calor dos dois se misturou, os lábios e os dentes entrelaçados em uma paixão arrebatadora.Com a outra mão, Nelson segurou firmemente a cintura fina da mulher, conduzindo-a passo a passo rumo ao desconhecido.Imersos em um beijo ardente, os dois acabaram se entregando ao suave leito.O ambiente ficou impregnado de desejo, roupas espalhadas por todo o chão.Do lado de fora, a chuva desfocava as linhas do mundo, criando uma atmosfera nebulosa.Dentro do quarto, o cenário era de pura intensidade e beleza.……No dia seguinte.Após a chuva, o céu clareou e a luz do sol invadiu o ambiente através da janela de vidro.Belmira franziu levemente as sobrancelhas e, instintivamente, levantou o braço dolorido para bloquear a luz forte.Quando seus olhos finalmente se adaptaram, ela os abriu devagar.Ao contemplar aquele ambiente desconhecido, o coração de Belmira disparou.A consciência foi voltando aos poucos, enquanto fragmentos da noite passada se encaixavam em sua mente.Na noite anterior...Belmira retirou o edredom de cima de si e olhou para baixo, examinando-se."!!!"Num instante, ela ficou completamente desperta, sentando-se na cama de supetão.O movimento brusco lhe causou uma dor intensa na região da cintura."Ah—"Belmira prendeu o fôlego, levando a mão à cintura em um gesto de resignação.Na noite anterior, ela fora ao Costa Azul Inn para negociar uma parceria com Roberto Leitão, vice-presidente do Grupo da Luz.Bastaram dois copos de bebida para que ela começasse a se sentir estranha, e Roberto logo revelou suas verdadeiras intenções.No momento crítico, ela pegou uma garrafa de bebida e acertou a cabeça de Roberto, aproveitando a oportunidade para fugir do salão privativo.Depois..."Já acordou?"De repente, uma voz masculina fria e magnética soou, interrompendo seus pensamentos.Belmira levantou a cabeça de repente, procurando a origem da voz.Diante de seus olhos, encontrou um rosto de traços definidos, belo e imponente.Os olhos profundos pareciam capazes de enxergar sua alma, e as sobrancelhas carregavam uma frieza e distância que intimidavam qualquer um.O nariz era alto e bem definido, e os lábios finos, cerrados num silêncio autoritário.Vestindo um terno azul-marinho de corte impecável, ele exalava uma elegância sóbria e uma masculinidade intensa.Belmira olhou fixamente para o homem à sua frente, tomada de surpresa.Nelson!Nelson Belmonte!A pessoa com quem ela estivera na noite anterior... era ele!Um homem no topo da pirâmide.Atual chefe da família Belmonte, a mais importante de Altavista, e líder do Grupo Horizonte, conhecido como o "demônio do mundo dos negócios".Detentor de um poder imenso, decisivo e implacável, era uma figura temida por todos.Dizia-se, inclusive, que ele era frio, cruel e impiedoso.Todos que ousaram provocá-lo ou ofendê-lo jamais tiveram um bom desfecho.Acabou para ela!!!Na noite anterior, havia se envolvido com ele—será que ele..."Já olhou o suficiente?"O pensamento de Belmira foi novamente interrompido por Nelson.A voz dele, assim como sua aparência, não transmitia qualquer calor.Belmira desviou o olhar às pressas, apertando o edredom contra o corpo.Nelson ajeitou a gravata, lançando-lhe um olhar indiferente, seus olhos passando pela clavícula dela.As marcas de beijos, intensas e dispersas, testemunhavam silenciosamente a intensidade da noite anterior.Seu olhar escureceu, e sua voz soou gélida e profunda: "Arrume-se. Precisamos conversar."Após dizer isso, ele virou-se e saiu do quarto.Belmira não ousou hesitar nem por um instante.Ela rapidamente pegou as roupas da noite anterior, vestiu-se e, mesmo com as pernas trêmulas e doloridas, caminhou devagar até o banheiro para se arrumar.Quando saiu do banheiro, o toque insistente do celular ecoou de dentro da bolsa.Belmira retornou até a cama e, de dentro da bolsa, tirou o aparelho.No visor, apareceu: [tia Fabiana]Essas três palavras pesavam sobre ela como uma pedra maciça.Belmira respirou fundo, deslizou o dedo sobre o botão de atender e aproximou o telefone do ouvido.Antes mesmo que dissesse qualquer coisa, a voz do outro lado veio carregada de raiva e censura, sem disfarçar nada."Você está querendo me enlouquecer? Onde esteve ontem à noite? Eu mandei você conversar sobre a parceria com o Sr. Leitão, e você acaba agredindo o homem? Agora está se achando esperta, não é?""Você faz ideia do que acontece com quem desagrada o Sr. Leitão? Se quer se arruinar, ao menos não arraste a mim, seu tio Rafael e o Grupo Galhardo junto!""Belmira, eu aviso: se hoje você não for pedir desculpas ao Sr. Leitão e compensar o prejuízo ao Grupo Galhardo, não pense que vai pôr as mãos em nenhum pertence dos seus pais."Ao ouvir a última frase, a mão de Belmira, caída ao lado do corpo, fechou-se com força em um punho.Ela conteve-se, os dentes cerrados, e respondeu em voz baixa: "Está bem, eu entendi.""É bom mesmo entender, senão você vai se arrepender!"Em seguida, a ligação foi encerrada abruptamente.Belmira permaneceu segurando o celular, fechou os olhos por um instante; os nós dos dedos ficaram brancos de tão forte que apertava o aparelho.Alguns instantes depois, ela recompôs as emoções, escondendo todo o ressentimento que transparecia no olhar.Ela sabia que precisava se livrar desse jugo invisível e não poderia mais permitir que eles a manipulassem.Se quisesse enfrentá-los e ingressar no conselho do Grupo Galhardo, teria que recuperar as ações deixadas pelo avô.E para conseguir as ações, precisava cumprir o testamento do avô: encontrar alguém para se casar.Casar-se...De repente, um pensamento ousado surgiu em sua mente.Belmira mordeu os lábios e, tentando acalmar a respiração descompassada, saiu do quarto procurando aparentar tranquilidade.Mas, diante de Nelson, todo preparo psicológico se desfez por completo.Nelson estava sentado bem ao centro do sofá da sala, as pernas cruzadas, transmitindo um ar de autoridade natural, mesmo em sua postura relaxada.A mão direita repousava levemente sobre o joelho, enquanto a esquerda segurava um charuto que queimava devagar, deixando a fumaça pairar no ar.Mesmo silencioso, o homem tinha uma presença que ofuscava tudo ao redor, como se o mundo inteiro estremecesse ao compasso de sua respiração."Sr. Belmonte."Assim que Belmira falou, a voz saiu trêmula, impossível de controlar.Nelson parecia já estar um pouco impaciente.Uma nuvem de fumaça branca escapou de seus lábios finos e, através dela, aqueles olhos experientes a encararam fixamente.Belmira sentiu-se intimidada sob o olhar dele.No momento em que não sabia como reagir, o homem finalmente falou."Sente-se."A ordem era curta, mas carregava uma autoridade inquestionável.Belmira apertou os lábios, reuniu coragem e sentou-se na poltrona à direita de Nelson, tensa e desconfortável.O cheiro forte de tabaco no ar logo a incomodou.Belmira não conseguiu se conter e tossiu levemente duas vezes.Nelson lançou-lhe um olhar indiferente e, sem alterar a expressão, apagou o charuto no cinzeiro, extinguindo a brasa imediatamente.Ele falou em tom severo: "O que aconteceu ontem foi culpa minha, por ter me aproveitado da situação. Se quiser algum tipo de compensação, basta dizer."Ao ouvir isso, as mãos de Belmira, pousadas sobre o colo, apertaram-se, agarrando com força a borda do vestido."Eu..."Ela hesitou, não conseguindo disfarçar o nervosismo.Nelson não a apressou, aguardando que ela apresentasse suas condições.Belmira baixou a cabeça, sem coragem de encará-lo, deixando que as mechas soltas de cabelo escondessem a vergonha e o conflito em seu olhar.O silêncio pairou por alguns instantes.De repente, ela reuniu toda a coragem e declarou o que pensava: "Eu quero me casar."Ao ouvir isso, o olhar de Nelson tornou-se imediatamente mais frio.O ambiente ficou tenso, quase sufocante.Mas Belmira já não podia recuar. Resolveu ir até o fim.Ela ergueu o rosto de repente, encarando os olhos penetrantes de Nelson, e disse: "A compensação que desejo é que o Sr. Belmonte se case comigo."Assim que terminou de falar, Nelson soltou uma risada fria, vinda do fundo da garganta."Então quer se aproveitar de mim?"O tom dele era de ironia, o olhar, de avaliação.Belmira engoliu em seco, as mãos suando, apertando ainda mais o vestido."O senhor mesmo disse que eu poderia pedir qualquer compensação.""A compensação que ofereço não inclui casamento."A voz de Nelson saiu ainda mais gelada.O coração de Belmira afundou, perdendo boa parte da coragem que havia reunido.Ela tornou a abaixar a cabeça e murmurou: "Mas, neste momento, não quero outra coisa além de me casar."Nelson manteve os lábios cerrados, os olhos, escuros como a noite, observando atentamente a mulher à sua frente.Era como se quisesse enxergar além da superfície e descobrir as verdadeiras intenções que ela escondia.Em pouco tempo, o toque abrupto de um celular rompeu o silêncio do ambiente.Nelson desviou o olhar dela e, sem pressa, tirou o celular do bolso interno do paletó.Ele lançou um olhar ao visor: era uma ligação da Vivendas do Parque da família Belmonte.Assim que atendeu, a voz aflita do mordomo Carlos soou do outro lado da linha: “senhor, a Sra. Graciele acabou de ter uma crise de angina, o senhor precisa voltar à Vivendas do Parque imediatamente.”Ao ouvir isso, Nelson teve uma leve mudança na expressão.Porém, não disse nada, respondeu apenas com calma: “Está bem.”Depois de desligar, guardou o celular de volta no bolso interno do paletó e se levantou lentamente.“Tenho outros assuntos para resolver agora. Trataremos do nosso assunto mais tarde.”Dito isso, Nelson se retirou do local sem qualquer hesitação.No instante em que a porta do quarto se fechou, toda a coragem de Belmira se esvaiu, tal qual um balão esvaziado.Apesar de já esperar por esse desfecho, sentiu um leve desapontamento no coração.Parecia que teria que reconsiderar seus planos.——Vivendas do Parque da família BelmonteO mordomo Carlos, ao ver Nelson retornar, subiu imediatamente para avisar Graciele Belmonte.“Sra. Graciele, o senhor já chegou.”Ao ser informada, Graciele levantou-se prontamente da cadeira de balanço entalhada e deitou-se ágilmente de volta na cama.Ela pressionou o peito com a mão, assumindo uma expressão de intensa dor e sofrimento.“Ai, que dor insuportável!”Enquanto falava, Graciele ainda tossiu algumas vezes de propósito.“Carlos, Nelson já voltou? Acho que não vou aguentar…”Antes que terminasse, Nelson entrou no quarto de Graciele, caminhando com calma.Sem expressão, ele desmascarou-a: “Pare de fingir, eu sei que a senhora não está doente.”Graciele: “......”Assim, sua mentira foi desmantelada e Graciele ficou visivelmente constrangida.Por fim, ela desistiu de fingir.“Seu garoto teimoso, precisa mesmo que eu passe mal para você voltar para casa?”Os lábios de Nelson se moveram levemente, prestes a dizer algo.No entanto, Graciele tomou a dianteira.“Não venha com essa desculpa de trabalho, por mais ocupado que esteja na empresa, não pode ser tão ocupado a ponto de não ter tempo para ver esta velha aqui, não é?”Nelson não encontrou argumentos para rebater.Silencioso, caminhou até a poltrona ao lado da cama de Graciele e sentou-se, demonstrando sua habitual rebeldia.“Diga logo, por que me chamou de volta?”A empregada que estava ao lado rapidamente ajudou Graciele a se ajeitar, deixando-a recostada na cabeceira da cama.Ela perguntou diretamente: “Chamei você de volta para saber quando vai me trazer uma neta para esta casa?”Assim que ouviu isso, o semblante de Nelson se fechou, revelando certo desagrado.“Não precisa se preocupar com isso, avó. Eu tenho meus próprios planos.”Ao ouvi-lo, Graciele ficou ainda mais aflita.“Como não vou me preocupar? Olhe para você, quase trinta anos, nunca teve um namoro, até agora nem sinal de nora.”“O filho do seu primo, seu sobrinho, tem só três anos a menos que você, e já está para se casar com a namorada.”“E você? Nenhuma novidade, como vou ficar tranquila? Só de pensar no seu futuro fico sem dormir todas as noites!”Diante das reclamações de Graciele, Nelson agiu como se não ouvisse.Não só não se importou, como ainda respondeu: “Esse é um problema seu, eu não tenho pressa.”“Seu moleque!”Graciele se irritou só de olhar para ele, quase pegando o travesseiro ao lado para arremessar.De repente, algo lhe ocorreu. O olhar se desviou do rosto de Nelson para baixo, com uma expressão bastante complexa.“Nelson, diga a verdade para a vovó, você… tem algum problema… naquele sentido?”Graciele perguntou com cautela, entre a tentativa de sondar e a preocupação.Nelson: “......”Diante da hesitação dele, Graciele não conseguiu mais se conter.Ela acenou rapidamente e ordenou: “Carlos, depressa! Vá buscar o Dr. Macedo para fazer um exame completo no senhor Nelson.”“Sim, Sra. Graciele.”Carlos respondeu de imediato, pronto para sair.“Pare aí!”Nelson fechou o semblante, falando com os dentes cerrados.“Não tenho problema algum, não preciso de exame.”Graciele pareceu não acreditar muito, insistindo de forma afetuosa: “Nelson, se de fato houver algum problema, não tenha vergonha, quanto antes tratarmos, melhor será. Vai ficar tudo bem.”O rosto de Nelson ficou ainda mais sombrio.“Eu realmente não tenho problema.”“Tem certeza que não?”Vendo que Graciele ainda duvidava, Nelson cerrou os dentes e respondeu palavra por palavra, com ênfase:“Eu, real-men-te, não, tenho, pro-ble-ma!”Só depois de confirmar várias vezes é que Graciele finalmente se tranquilizou.Ela continuou a pressioná-lo: “Já que não tem problema, então trate de arranjar logo uma nora para mim!”Nelson manteve o rosto fechado, sem dizer uma única palavra, usando o silêncio para expressar sua resistência ao assunto.Como ele continuava irredutível, de repente uma ideia acendeu na mente de Graciele. Restava-lhe lançar mão de sua última cartada.Capítulo 2Noite chuvosa.A chuva caía intensamente do lado de fora, batendo contra a janela de vidro e deixando trilhas d’água escorrendo pelo vidro transparente.No interior da suíte do hotel, a iluminação permanecia fraca e indecisa.A mulher empurrou o homem contra a parede, seus braços finos e alvos enlaçaram o pescoço longo dele, com um olhar perdido e embriagado."Ajude-me... Eu estou me sentindo muito mal..."Nelson Belmonte fitou a mulher em seus braços, seus olhos cor de âmbar refletiam uma expressão enigmática e insondável.Ele segurou o queixo dela, e sua voz grave veio carregada de um leve tom rouco: "Sabe quem eu sou? Te atreve a se aproximar de mim?"A luz amarelada caía sobre o pequeno rosto de Belmira Galhardo, cuja pele alva como porcelana exibia um leve tom rosado, tornando-a ainda mais sedutora.Sob o nariz delicado e empinado, seus lábios eram vermelhos e brilhantes; os olhos, cintilantes e cheios de encanto.O nó na garganta de Nelson apertou, sentindo o calor crescente dentro de si quase incontrolável, todo o seu sangue fervilhava em suas veias.Depois de tantos anos de indiferença, aquela era a primeira vez que reagia diante de uma mulher.O mais surpreendente era que ele não rejeitava sua aproximação, tampouco seu toque.Naquele momento, a vontade de Belmira já estava completamente dominada pelo efeito do medicamento em seu corpo.Ao perceber a demora na resposta do homem, ela começou a tirar a roupa dele com as próprias mãos."Eu estou me sentindo muito mal..."Nelson segurou imediatamente a mão inquieta dela, o maxilar tenso denunciando sua luta interna por autocontrole, e sua voz soou ainda mais rouca."Quer mesmo que eu te ajude?""Ajude-me..."Assim que terminou de falar, Belmira se colocou nas pontas dos pés e beijou os lábios finos do homem.Aquele beijo fez o coração de Nelson estremecer.A delicada fragrância floral única dela envolveu sua respiração, destruindo por completo o último resquício de razão que lhe restava."Muito bem, mas depois não venha se arrepender."Nelson fechou os olhos e seus dedos longos percorreram os cabelos dela, pousando na nuca com firmeza moderada.Em seguida, ele tomou a iniciativa e beijou os lábios macios e vermelhos da mulher.O calor dos dois se misturou, os lábios e os dentes entrelaçados em uma paixão arrebatadora.Com a outra mão, Nelson segurou firmemente a cintura fina da mulher, conduzindo-a passo a passo rumo ao desconhecido.Imersos em um beijo ardente, os dois acabaram se entregando ao suave leito.O ambiente ficou impregnado de desejo, roupas espalhadas por todo o chão.Do lado de fora, a chuva desfocava as linhas do mundo, criando uma atmosfera nebulosa.Dentro do quarto, o cenário era de pura intensidade e beleza.……No dia seguinte.Após a chuva, o céu clareou e a luz do sol invadiu o ambiente através da janela de vidro.Belmira franziu levemente as sobrancelhas e, instintivamente, levantou o braço dolorido para bloquear a luz forte.Quando seus olhos finalmente se adaptaram, ela os abriu devagar.Ao contemplar aquele ambiente desconhecido, o coração de Belmira disparou.A consciência foi voltando aos poucos, enquanto fragmentos da noite passada se encaixavam em sua mente.Na noite anterior...Belmira retirou o edredom de cima de si e olhou para baixo, examinando-se."!!!"Num instante, ela ficou completamente desperta, sentando-se na cama de supetão.O movimento brusco lhe causou uma dor intensa na região da cintura."Ah—"Belmira prendeu o fôlego, levando a mão à cintura em um gesto de resignação.Na noite anterior, ela fora ao Costa Azul Inn para negociar uma parceria com Roberto Leitão, vice-presidente do Grupo da Luz.Bastaram dois copos de bebida para que ela começasse a se sentir estranha, e Roberto logo revelou suas verdadeiras intenções.No momento crítico, ela pegou uma garrafa de bebida e acertou a cabeça de Roberto, aproveitando a oportunidade para fugir do salão privativo.Depois..."Já acordou?"De repente, uma voz masculina fria e magnética soou, interrompendo seus pensamentos.Belmira levantou a cabeça de repente, procurando a origem da voz.Diante de seus olhos, encontrou um rosto de traços definidos, belo e imponente.Os olhos profundos pareciam capazes de enxergar sua alma, e as sobrancelhas carregavam uma frieza e distância que intimidavam qualquer um.O nariz era alto e bem definido, e os lábios finos, cerrados num silêncio autoritário.Vestindo um terno azul-marinho de corte impecável, ele exalava uma elegância sóbria e uma masculinidade intensa.Belmira olhou fixamente para o homem à sua frente, tomada de surpresa.Nelson!Nelson Belmonte!A pessoa com quem ela estivera na noite anterior... era ele!Um homem no topo da pirâmide.Atual chefe da família Belmonte, a mais importante de Altavista, e líder do Grupo Horizonte, conhecido como o "demônio do mundo dos negócios".Detentor de um poder imenso, decisivo e implacável, era uma figura temida por todos.Dizia-se, inclusive, que ele era frio, cruel e impiedoso.Todos que ousaram provocá-lo ou ofendê-lo jamais tiveram um bom desfecho.Acabou para ela!!!Na noite anterior, havia se envolvido com ele—será que ele..."Já olhou o suficiente?"O pensamento de Belmira foi novamente interrompido por Nelson.A voz dele, assim como sua aparência, não transmitia qualquer calor.Belmira desviou o olhar às pressas, apertando o edredom contra o corpo.Nelson ajeitou a gravata, lançando-lhe um olhar indiferente, seus olhos passando pela clavícula dela.As marcas de beijos, intensas e dispersas, testemunhavam silenciosamente a intensidade da noite anterior.Seu olhar escureceu, e sua voz soou gélida e profunda: "Arrume-se. Precisamos conversar."Após dizer isso, ele virou-se e saiu do quarto.Belmira não ousou hesitar nem por um instante.Ela rapidamente pegou as roupas da noite anterior, vestiu-se e, mesmo com as pernas trêmulas e doloridas, caminhou devagar até o banheiro para se arrumar.Quando saiu do banheiro, o toque insistente do celular ecoou de dentro da bolsa.Belmira retornou até a cama e, de dentro da bolsa, tirou o aparelho.No visor, apareceu: [tia Fabiana]Essas três palavras pesavam sobre ela como uma pedra maciça.Belmira respirou fundo, deslizou o dedo sobre o botão de atender e aproximou o telefone do ouvido.Antes mesmo que dissesse qualquer coisa, a voz do outro lado veio carregada de raiva e censura, sem disfarçar nada."Você está querendo me enlouquecer? Onde esteve ontem à noite? Eu mandei você conversar sobre a parceria com o Sr. Leitão, e você acaba agredindo o homem? Agora está se achando esperta, não é?""Você faz ideia do que acontece com quem desagrada o Sr. Leitão? Se quer se arruinar, ao menos não arraste a mim, seu tio Rafael e o Grupo Galhardo junto!""Belmira, eu aviso: se hoje você não for pedir desculpas ao Sr. Leitão e compensar o prejuízo ao Grupo Galhardo, não pense que vai pôr as mãos em nenhum pertence dos seus pais."Ao ouvir a última frase, a mão de Belmira, caída ao lado do corpo, fechou-se com força em um punho.Ela conteve-se, os dentes cerrados, e respondeu em voz baixa: "Está bem, eu entendi.""É bom mesmo entender, senão você vai se arrepender!"Em seguida, a ligação foi encerrada abruptamente.Belmira permaneceu segurando o celular, fechou os olhos por um instante; os nós dos dedos ficaram brancos de tão forte que apertava o aparelho.Alguns instantes depois, ela recompôs as emoções, escondendo todo o ressentimento que transparecia no olhar.Ela sabia que precisava se livrar desse jugo invisível e não poderia mais permitir que eles a manipulassem.Se quisesse enfrentá-los e ingressar no conselho do Grupo Galhardo, teria que recuperar as ações deixadas pelo avô.E para conseguir as ações, precisava cumprir o testamento do avô: encontrar alguém para se casar.Casar-se...De repente, um pensamento ousado surgiu em sua mente.Belmira mordeu os lábios e, tentando acalmar a respiração descompassada, saiu do quarto procurando aparentar tranquilidade.Mas, diante de Nelson, todo preparo psicológico se desfez por completo.Nelson estava sentado bem ao centro do sofá da sala, as pernas cruzadas, transmitindo um ar de autoridade natural, mesmo em sua postura relaxada.A mão direita repousava levemente sobre o joelho, enquanto a esquerda segurava um charuto que queimava devagar, deixando a fumaça pairar no ar.Mesmo silencioso, o homem tinha uma presença que ofuscava tudo ao redor, como se o mundo inteiro estremecesse ao compasso de sua respiração."Sr. Belmonte."Assim que Belmira falou, a voz saiu trêmula, impossível de controlar.Nelson parecia já estar um pouco impaciente.Uma nuvem de fumaça branca escapou de seus lábios finos e, através dela, aqueles olhos experientes a encararam fixamente.Belmira sentiu-se intimidada sob o olhar dele.No momento em que não sabia como reagir, o homem finalmente falou."Sente-se."A ordem era curta, mas carregava uma autoridade inquestionável.Belmira apertou os lábios, reuniu coragem e sentou-se na poltrona à direita de Nelson, tensa e desconfortável.O cheiro forte de tabaco no ar logo a incomodou.Belmira não conseguiu se conter e tossiu levemente duas vezes.Nelson lançou-lhe um olhar indiferente e, sem alterar a expressão, apagou o charuto no cinzeiro, extinguindo a brasa imediatamente.Ele falou em tom severo: "O que aconteceu ontem foi culpa minha, por ter me aproveitado da situação. Se quiser algum tipo de compensação, basta dizer."Ao ouvir isso, as mãos de Belmira, pousadas sobre o colo, apertaram-se, agarrando com força a borda do vestido."Eu..."Ela hesitou, não conseguindo disfarçar o nervosismo.Nelson não a apressou, aguardando que ela apresentasse suas condições.Belmira baixou a cabeça, sem coragem de encará-lo, deixando que as mechas soltas de cabelo escondessem a vergonha e o conflito em seu olhar.O silêncio pairou por alguns instantes.De repente, ela reuniu toda a coragem e declarou o que pensava: "Eu quero me casar."Ao ouvir isso, o olhar de Nelson tornou-se imediatamente mais frio.O ambiente ficou tenso, quase sufocante.Mas Belmira já não podia recuar. Resolveu ir até o fim.Ela ergueu o rosto de repente, encarando os olhos penetrantes de Nelson, e disse: "A compensação que desejo é que o Sr. Belmonte se case comigo."Assim que terminou de falar, Nelson soltou uma risada fria, vinda do fundo da garganta."Então quer se aproveitar de mim?"O tom dele era de ironia, o olhar, de avaliação.Belmira engoliu em seco, as mãos suando, apertando ainda mais o vestido."O senhor mesmo disse que eu poderia pedir qualquer compensação.""A compensação que ofereço não inclui casamento."A voz de Nelson saiu ainda mais gelada.O coração de Belmira afundou, perdendo boa parte da coragem que havia reunido.Ela tornou a abaixar a cabeça e murmurou: "Mas, neste momento, não quero outra coisa além de me casar."Nelson manteve os lábios cerrados, os olhos, escuros como a noite, observando atentamente a mulher à sua frente.Era como se quisesse enxergar além da superfície e descobrir as verdadeiras intenções que ela escondia.Em pouco tempo, o toque abrupto de um celular rompeu o silêncio do ambiente.Nelson desviou o olhar dela e, sem pressa, tirou o celular do bolso interno do paletó.Ele lançou um olhar ao visor: era uma ligação da Vivendas do Parque da família Belmonte.Assim que atendeu, a voz aflita do mordomo Carlos soou do outro lado da linha: “senhor, a Sra. Graciele acabou de ter uma crise de angina, o senhor precisa voltar à Vivendas do Parque imediatamente.”Ao ouvir isso, Nelson teve uma leve mudança na expressão.Porém, não disse nada, respondeu apenas com calma: “Está bem.”Depois de desligar, guardou o celular de volta no bolso interno do paletó e se levantou lentamente.“Tenho outros assuntos para resolver agora. Trataremos do nosso assunto mais tarde.”Dito isso, Nelson se retirou do local sem qualquer hesitação.No instante em que a porta do quarto se fechou, toda a coragem de Belmira se esvaiu, tal qual um balão esvaziado.Apesar de já esperar por esse desfecho, sentiu um leve desapontamento no coração.Parecia que teria que reconsiderar seus planos.——Vivendas do Parque da família BelmonteO mordomo Carlos, ao ver Nelson retornar, subiu imediatamente para avisar Graciele Belmonte.“Sra. Graciele, o senhor já chegou.”Ao ser informada, Graciele levantou-se prontamente da cadeira de balanço entalhada e deitou-se ágilmente de volta na cama.Ela pressionou o peito com a mão, assumindo uma expressão de intensa dor e sofrimento.“Ai, que dor insuportável!”Enquanto falava, Graciele ainda tossiu algumas vezes de propósito.“Carlos, Nelson já voltou? Acho que não vou aguentar…”Antes que terminasse, Nelson entrou no quarto de Graciele, caminhando com calma.Sem expressão, ele desmascarou-a: “Pare de fingir, eu sei que a senhora não está doente.”Graciele: “......”Assim, sua mentira foi desmantelada e Graciele ficou visivelmente constrangida.Por fim, ela desistiu de fingir.“Seu garoto teimoso, precisa mesmo que eu passe mal para você voltar para casa?”Os lábios de Nelson se moveram levemente, prestes a dizer algo.No entanto, Graciele tomou a dianteira.“Não venha com essa desculpa de trabalho, por mais ocupado que esteja na empresa, não pode ser tão ocupado a ponto de não ter tempo para ver esta velha aqui, não é?”Nelson não encontrou argumentos para rebater.Silencioso, caminhou até a poltrona ao lado da cama de Graciele e sentou-se, demonstrando sua habitual rebeldia.“Diga logo, por que me chamou de volta?”A empregada que estava ao lado rapidamente ajudou Graciele a se ajeitar, deixando-a recostada na cabeceira da cama.Ela perguntou diretamente: “Chamei você de volta para saber quando vai me trazer uma neta para esta casa?”Assim que ouviu isso, o semblante de Nelson se fechou, revelando certo desagrado.“Não precisa se preocupar com isso, avó. Eu tenho meus próprios planos.”Ao ouvi-lo, Graciele ficou ainda mais aflita.“Como não vou me preocupar? Olhe para você, quase trinta anos, nunca teve um namoro, até agora nem sinal de nora.”“O filho do seu primo, seu sobrinho, tem só três anos a menos que você, e já está para se casar com a namorada.”“E você? Nenhuma novidade, como vou ficar tranquila? Só de pensar no seu futuro fico sem dormir todas as noites!”Diante das reclamações de Graciele, Nelson agiu como se não ouvisse.Não só não se importou, como ainda respondeu: “Esse é um problema seu, eu não tenho pressa.”“Seu moleque!”Graciele se irritou só de olhar para ele, quase pegando o travesseiro ao lado para arremessar.De repente, algo lhe ocorreu. O olhar se desviou do rosto de Nelson para baixo, com uma expressão bastante complexa.“Nelson, diga a verdade para a vovó, você… tem algum problema… naquele sentido?”Graciele perguntou com cautela, entre a tentativa de sondar e a preocupação.Nelson: “......”Diante da hesitação dele, Graciele não conseguiu mais se conter.Ela acenou rapidamente e ordenou: “Carlos, depressa! Vá buscar o Dr. Macedo para fazer um exame completo no senhor Nelson.”“Sim, Sra. Graciele.”Carlos respondeu de imediato, pronto para sair.“Pare aí!”Nelson fechou o semblante, falando com os dentes cerrados.“Não tenho problema algum, não preciso de exame.”Graciele pareceu não acreditar muito, insistindo de forma afetuosa: “Nelson, se de fato houver algum problema, não tenha vergonha, quanto antes tratarmos, melhor será. Vai ficar tudo bem.”O rosto de Nelson ficou ainda mais sombrio.“Eu realmente não tenho problema.”“Tem certeza que não?”Vendo que Graciele ainda duvidava, Nelson cerrou os dentes e respondeu palavra por palavra, com ênfase:“Eu, real-men-te, não, tenho, pro-ble-ma!”Só depois de confirmar várias vezes é que Graciele finalmente se tranquilizou.Ela continuou a pressioná-lo: “Já que não tem problema, então trate de arranjar logo uma nora para mim!”Nelson manteve o rosto fechado, sem dizer uma única palavra, usando o silêncio para expressar sua resistência ao assunto.Como ele continuava irredutível, de repente uma ideia acendeu na mente de Graciele. Restava-lhe lançar mão de sua última cartada.Capítulo 3Noite chuvosa.A chuva caía intensamente do lado de fora, batendo contra a janela de vidro e deixando trilhas d’água escorrendo pelo vidro transparente.No interior da suíte do hotel, a iluminação permanecia fraca e indecisa.A mulher empurrou o homem contra a parede, seus braços finos e alvos enlaçaram o pescoço longo dele, com um olhar perdido e embriagado."Ajude-me... Eu estou me sentindo muito mal..."Nelson Belmonte fitou a mulher em seus braços, seus olhos cor de âmbar refletiam uma expressão enigmática e insondável.Ele segurou o queixo dela, e sua voz grave veio carregada de um leve tom rouco: "Sabe quem eu sou? Te atreve a se aproximar de mim?"A luz amarelada caía sobre o pequeno rosto de Belmira Galhardo, cuja pele alva como porcelana exibia um leve tom rosado, tornando-a ainda mais sedutora.Sob o nariz delicado e empinado, seus lábios eram vermelhos e brilhantes; os olhos, cintilantes e cheios de encanto.O nó na garganta de Nelson apertou, sentindo o calor crescente dentro de si quase incontrolável, todo o seu sangue fervilhava em suas veias.Depois de tantos anos de indiferença, aquela era a primeira vez que reagia diante de uma mulher.O mais surpreendente era que ele não rejeitava sua aproximação, tampouco seu toque.Naquele momento, a vontade de Belmira já estava completamente dominada pelo efeito do medicamento em seu corpo.Ao perceber a demora na resposta do homem, ela começou a tirar a roupa dele com as próprias mãos."Eu estou me sentindo muito mal..."Nelson segurou imediatamente a mão inquieta dela, o maxilar tenso denunciando sua luta interna por autocontrole, e sua voz soou ainda mais rouca."Quer mesmo que eu te ajude?""Ajude-me..."Assim que terminou de falar, Belmira se colocou nas pontas dos pés e beijou os lábios finos do homem.Aquele beijo fez o coração de Nelson estremecer.A delicada fragrância floral única dela envolveu sua respiração, destruindo por completo o último resquício de razão que lhe restava."Muito bem, mas depois não venha se arrepender."Nelson fechou os olhos e seus dedos longos percorreram os cabelos dela, pousando na nuca com firmeza moderada.Em seguida, ele tomou a iniciativa e beijou os lábios macios e vermelhos da mulher.O calor dos dois se misturou, os lábios e os dentes entrelaçados em uma paixão arrebatadora.Com a outra mão, Nelson segurou firmemente a cintura fina da mulher, conduzindo-a passo a passo rumo ao desconhecido.Imersos em um beijo ardente, os dois acabaram se entregando ao suave leito.O ambiente ficou impregnado de desejo, roupas espalhadas por todo o chão.Do lado de fora, a chuva desfocava as linhas do mundo, criando uma atmosfera nebulosa.Dentro do quarto, o cenário era de pura intensidade e beleza.……No dia seguinte.Após a chuva, o céu clareou e a luz do sol invadiu o ambiente através da janela de vidro.Belmira franziu levemente as sobrancelhas e, instintivamente, levantou o braço dolorido para bloquear a luz forte.Quando seus olhos finalmente se adaptaram, ela os abriu devagar.Ao contemplar aquele ambiente desconhecido, o coração de Belmira disparou.A consciência foi voltando aos poucos, enquanto fragmentos da noite passada se encaixavam em sua mente.Na noite anterior...Belmira retirou o edredom de cima de si e olhou para baixo, examinando-se."!!!"Num instante, ela ficou completamente desperta, sentando-se na cama de supetão.O movimento brusco lhe causou uma dor intensa na região da cintura."Ah—"Belmira prendeu o fôlego, levando a mão à cintura em um gesto de resignação.Na noite anterior, ela fora ao Costa Azul Inn para negociar uma parceria com Roberto Leitão, vice-presidente do Grupo da Luz.Bastaram dois copos de bebida para que ela começasse a se sentir estranha, e Roberto logo revelou suas verdadeiras intenções.No momento crítico, ela pegou uma garrafa de bebida e acertou a cabeça de Roberto, aproveitando a oportunidade para fugir do salão privativo.Depois..."Já acordou?"De repente, uma voz masculina fria e magnética soou, interrompendo seus pensamentos.Belmira levantou a cabeça de repente, procurando a origem da voz.Diante de seus olhos, encontrou um rosto de traços definidos, belo e imponente.Os olhos profundos pareciam capazes de enxergar sua alma, e as sobrancelhas carregavam uma frieza e distância que intimidavam qualquer um.O nariz era alto e bem definido, e os lábios finos, cerrados num silêncio autoritário.Vestindo um terno azul-marinho de corte impecável, ele exalava uma elegância sóbria e uma masculinidade intensa.Belmira olhou fixamente para o homem à sua frente, tomada de surpresa.Nelson!Nelson Belmonte!A pessoa com quem ela estivera na noite anterior... era ele!Um homem no topo da pirâmide.Atual chefe da família Belmonte, a mais importante de Altavista, e líder do Grupo Horizonte, conhecido como o "demônio do mundo dos negócios".Detentor de um poder imenso, decisivo e implacável, era uma figura temida por todos.Dizia-se, inclusive, que ele era frio, cruel e impiedoso.Todos que ousaram provocá-lo ou ofendê-lo jamais tiveram um bom desfecho.Acabou para ela!!!Na noite anterior, havia se envolvido com ele—será que ele..."Já olhou o suficiente?"O pensamento de Belmira foi novamente interrompido por Nelson.A voz dele, assim como sua aparência, não transmitia qualquer calor.Belmira desviou o olhar às pressas, apertando o edredom contra o corpo.Nelson ajeitou a gravata, lançando-lhe um olhar indiferente, seus olhos passando pela clavícula dela.As marcas de beijos, intensas e dispersas, testemunhavam silenciosamente a intensidade da noite anterior.Seu olhar escureceu, e sua voz soou gélida e profunda: "Arrume-se. Precisamos conversar."Após dizer isso, ele virou-se e saiu do quarto.Belmira não ousou hesitar nem por um instante.Ela rapidamente pegou as roupas da noite anterior, vestiu-se e, mesmo com as pernas trêmulas e doloridas, caminhou devagar até o banheiro para se arrumar.Quando saiu do banheiro, o toque insistente do celular ecoou de dentro da bolsa.Belmira retornou até a cama e, de dentro da bolsa, tirou o aparelho.No visor, apareceu: [tia Fabiana]Essas três palavras pesavam sobre ela como uma pedra maciça.Belmira respirou fundo, deslizou o dedo sobre o botão de atender e aproximou o telefone do ouvido.Antes mesmo que dissesse qualquer coisa, a voz do outro lado veio carregada de raiva e censura, sem disfarçar nada."Você está querendo me enlouquecer? Onde esteve ontem à noite? Eu mandei você conversar sobre a parceria com o Sr. Leitão, e você acaba agredindo o homem? Agora está se achando esperta, não é?""Você faz ideia do que acontece com quem desagrada o Sr. Leitão? Se quer se arruinar, ao menos não arraste a mim, seu tio Rafael e o Grupo Galhardo junto!""Belmira, eu aviso: se hoje você não for pedir desculpas ao Sr. Leitão e compensar o prejuízo ao Grupo Galhardo, não pense que vai pôr as mãos em nenhum pertence dos seus pais."Ao ouvir a última frase, a mão de Belmira, caída ao lado do corpo, fechou-se com força em um punho.Ela conteve-se, os dentes cerrados, e respondeu em voz baixa: "Está bem, eu entendi.""É bom mesmo entender, senão você vai se arrepender!"Em seguida, a ligação foi encerrada abruptamente.Belmira permaneceu segurando o celular, fechou os olhos por um instante; os nós dos dedos ficaram brancos de tão forte que apertava o aparelho.Alguns instantes depois, ela recompôs as emoções, escondendo todo o ressentimento que transparecia no olhar.Ela sabia que precisava se livrar desse jugo invisível e não poderia mais permitir que eles a manipulassem.Se quisesse enfrentá-los e ingressar no conselho do Grupo Galhardo, teria que recuperar as ações deixadas pelo avô.E para conseguir as ações, precisava cumprir o testamento do avô: encontrar alguém para se casar.Casar-se...De repente, um pensamento ousado surgiu em sua mente.Belmira mordeu os lábios e, tentando acalmar a respiração descompassada, saiu do quarto procurando aparentar tranquilidade.Mas, diante de Nelson, todo preparo psicológico se desfez por completo.Nelson estava sentado bem ao centro do sofá da sala, as pernas cruzadas, transmitindo um ar de autoridade natural, mesmo em sua postura relaxada.A mão direita repousava levemente sobre o joelho, enquanto a esquerda segurava um charuto que queimava devagar, deixando a fumaça pairar no ar.Mesmo silencioso, o homem tinha uma presença que ofuscava tudo ao redor, como se o mundo inteiro estremecesse ao compasso de sua respiração."Sr. Belmonte."Assim que Belmira falou, a voz saiu trêmula, impossível de controlar.Nelson parecia já estar um pouco impaciente.Uma nuvem de fumaça branca escapou de seus lábios finos e, através dela, aqueles olhos experientes a encararam fixamente.Belmira sentiu-se intimidada sob o olhar dele.No momento em que não sabia como reagir, o homem finalmente falou."Sente-se."A ordem era curta, mas carregava uma autoridade inquestionável.Belmira apertou os lábios, reuniu coragem e sentou-se na poltrona à direita de Nelson, tensa e desconfortável.O cheiro forte de tabaco no ar logo a incomodou.Belmira não conseguiu se conter e tossiu levemente duas vezes.Nelson lançou-lhe um olhar indiferente e, sem alterar a expressão, apagou o charuto no cinzeiro, extinguindo a brasa imediatamente.Ele falou em tom severo: "O que aconteceu ontem foi culpa minha, por ter me aproveitado da situação. Se quiser algum tipo de compensação, basta dizer."Ao ouvir isso, as mãos de Belmira, pousadas sobre o colo, apertaram-se, agarrando com força a borda do vestido."Eu..."Ela hesitou, não conseguindo disfarçar o nervosismo.Nelson não a apressou, aguardando que ela apresentasse suas condições.Belmira baixou a cabeça, sem coragem de encará-lo, deixando que as mechas soltas de cabelo escondessem a vergonha e o conflito em seu olhar.O silêncio pairou por alguns instantes.De repente, ela reuniu toda a coragem e declarou o que pensava: "Eu quero me casar."Ao ouvir isso, o olhar de Nelson tornou-se imediatamente mais frio.O ambiente ficou tenso, quase sufocante.Mas Belmira já não podia recuar. Resolveu ir até o fim.Ela ergueu o rosto de repente, encarando os olhos penetrantes de Nelson, e disse: "A compensação que desejo é que o Sr. Belmonte se case comigo."Assim que terminou de falar, Nelson soltou uma risada fria, vinda do fundo da garganta."Então quer se aproveitar de mim?"O tom dele era de ironia, o olhar, de avaliação.Belmira engoliu em seco, as mãos suando, apertando ainda mais o vestido."O senhor mesmo disse que eu poderia pedir qualquer compensação.""A compensação que ofereço não inclui casamento."A voz de Nelson saiu ainda mais gelada.O coração de Belmira afundou, perdendo boa parte da coragem que havia reunido.Ela tornou a abaixar a cabeça e murmurou: "Mas, neste momento, não quero outra coisa além de me casar."Nelson manteve os lábios cerrados, os olhos, escuros como a noite, observando atentamente a mulher à sua frente.Era como se quisesse enxergar além da superfície e descobrir as verdadeiras intenções que ela escondia.Em pouco tempo, o toque abrupto de um celular rompeu o silêncio do ambiente.Nelson desviou o olhar dela e, sem pressa, tirou o celular do bolso interno do paletó.Ele lançou um olhar ao visor: era uma ligação da Vivendas do Parque da família Belmonte.Assim que atendeu, a voz aflita do mordomo Carlos soou do outro lado da linha: “senhor, a Sra. Graciele acabou de ter uma crise de angina, o senhor precisa voltar à Vivendas do Parque imediatamente.”Ao ouvir isso, Nelson teve uma leve mudança na expressão.Porém, não disse nada, respondeu apenas com calma: “Está bem.”Depois de desligar, guardou o celular de volta no bolso interno do paletó e se levantou lentamente.“Tenho outros assuntos para resolver agora. Trataremos do nosso assunto mais tarde.”Dito isso, Nelson se retirou do local sem qualquer hesitação.No instante em que a porta do quarto se fechou, toda a coragem de Belmira se esvaiu, tal qual um balão esvaziado.Apesar de já esperar por esse desfecho, sentiu um leve desapontamento no coração.Parecia que teria que reconsiderar seus planos.——Vivendas do Parque da família BelmonteO mordomo Carlos, ao ver Nelson retornar, subiu imediatamente para avisar Graciele Belmonte.“Sra. Graciele, o senhor já chegou.”Ao ser informada, Graciele levantou-se prontamente da cadeira de balanço entalhada e deitou-se ágilmente de volta na cama.Ela pressionou o peito com a mão, assumindo uma expressão de intensa dor e sofrimento.“Ai, que dor insuportável!”Enquanto falava, Graciele ainda tossiu algumas vezes de propósito.“Carlos, Nelson já voltou? Acho que não vou aguentar…”Antes que terminasse, Nelson entrou no quarto de Graciele, caminhando com calma.Sem expressão, ele desmascarou-a: “Pare de fingir, eu sei que a senhora não está doente.”Graciele: “......”Assim, sua mentira foi desmantelada e Graciele ficou visivelmente constrangida.Por fim, ela desistiu de fingir.“Seu garoto teimoso, precisa mesmo que eu passe mal para você voltar para casa?”Os lábios de Nelson se moveram levemente, prestes a dizer algo.No entanto, Graciele tomou a dianteira.“Não venha com essa desculpa de trabalho, por mais ocupado que esteja na empresa, não pode ser tão ocupado a ponto de não ter tempo para ver esta velha aqui, não é?”Nelson não encontrou argumentos para rebater.Silencioso, caminhou até a poltrona ao lado da cama de Graciele e sentou-se, demonstrando sua habitual rebeldia.“Diga logo, por que me chamou de volta?”A empregada que estava ao lado rapidamente ajudou Graciele a se ajeitar, deixando-a recostada na cabeceira da cama.Ela perguntou diretamente: “Chamei você de volta para saber quando vai me trazer uma neta para esta casa?”Assim que ouviu isso, o semblante de Nelson se fechou, revelando certo desagrado.“Não precisa se preocupar com isso, avó. Eu tenho meus próprios planos.”Ao ouvi-lo, Graciele ficou ainda mais aflita.“Como não vou me preocupar? Olhe para você, quase trinta anos, nunca teve um namoro, até agora nem sinal de nora.”“O filho do seu primo, seu sobrinho, tem só três anos a menos que você, e já está para se casar com a namorada.”“E você? Nenhuma novidade, como vou ficar tranquila? Só de pensar no seu futuro fico sem dormir todas as noites!”Diante das reclamações de Graciele, Nelson agiu como se não ouvisse.Não só não se importou, como ainda respondeu: “Esse é um problema seu, eu não tenho pressa.”“Seu moleque!”Graciele se irritou só de olhar para ele, quase pegando o travesseiro ao lado para arremessar.De repente, algo lhe ocorreu. O olhar se desviou do rosto de Nelson para baixo, com uma expressão bastante complexa.“Nelson, diga a verdade para a vovó, você… tem algum problema… naquele sentido?”Graciele perguntou com cautela, entre a tentativa de sondar e a preocupação.Nelson: “......”Diante da hesitação dele, Graciele não conseguiu mais se conter.Ela acenou rapidamente e ordenou: “Carlos, depressa! Vá buscar o Dr. Macedo para fazer um exame completo no senhor Nelson.”“Sim, Sra. Graciele.”Carlos respondeu de imediato, pronto para sair.“Pare aí!”Nelson fechou o semblante, falando com os dentes cerrados.“Não tenho problema algum, não preciso de exame.”Graciele pareceu não acreditar muito, insistindo de forma afetuosa: “Nelson, se de fato houver algum problema, não tenha vergonha, quanto antes tratarmos, melhor será. Vai ficar tudo bem.”O rosto de Nelson ficou ainda mais sombrio.“Eu realmente não tenho problema.”“Tem certeza que não?”Vendo que Graciele ainda duvidava, Nelson cerrou os dentes e respondeu palavra por palavra, com ênfase:“Eu, real-men-te, não, tenho, pro-ble-ma!”Só depois de confirmar várias vezes é que Graciele finalmente se tranquilizou.Ela continuou a pressioná-lo: “Já que não tem problema, então trate de arranjar logo uma nora para mim!”Nelson manteve o rosto fechado, sem dizer uma única palavra, usando o silêncio para expressar sua resistência ao assunto.Como ele continuava irredutível, de repente uma ideia acendeu na mente de Graciele. Restava-lhe lançar mão de sua última cartada.

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