Capítulo 1Hadassa Lacerda estava sentada à sua mesa de trabalho, olhando o celular repetidas vezes. Hoje era dia de pagamento e, assim que o salário caísse na conta, ela pretendia sumir dali.Era seu primeiro emprego e, cheia de expectativas, Hadassa Lacerda queria construir uma carreira brilhante. Mas logo descobriu que seu chefe era um verdadeiro cafajeste.Diziam que várias moças já haviam sido assediadas por ele, e por isso ninguém ficava muito tempo naquele escritório.Assim que entrou na empresa, Hadassa Lacerda percebeu que o chefe já tinha posto os olhos nela. Nos três meses em que trabalhou ali, viveu sempre em alerta, como quem foge de um predador.Mais cedo, o chefe a chamou para ir à sala dele depois do expediente.Só de lembrar do último episódio em que ele tentou se aproveitar dela, Hadassa Lacerda sentiu vontade de sair correndo dali sem olhar para trás.Ela sabia que nada de bom podia sair daquele convite, e não seria ingênua de se entregar fácil assim.No íntimo, Hadassa Lacerda só pedia que o salário entrasse logo: bastava o dinheiro cair na conta, e ela daria o troco que o chefe tanto merecia.De tanto checar o celular, a bateria quase acabou. Finalmente, faltando uma hora para o fim do expediente, o aparelho vibrou com um “ding”.Ela pegou o celular e, ao ver o comprovante, não conteve um leve sorriso no canto dos lábios.O salário tinha caído. Era a hora de ir embora.Hadassa Lacerda colocou a bolsa no ombro, pegou a carta de demissão que já havia preparado e a deixou sobre a mesa. Saiu da empresa de cabeça erguida, sem olhar para trás.Assim que cruzou a porta, disparou em disparada, como se temesse ser perseguida.Só de imaginar o chefe lendo a carta de demissão, Hadassa Lacerda não conseguiu segurar uma risada.Conseguia visualizar perfeitamente a expressão dele: o rosto retorcido de raiva, e aqueles poucos fios de cabelo quase se arrepiando de indignação.Agora, Hadassa Lacerda iria encontrar sua melhor amiga, Diana Vieira, para comemorar.Logo chegou o fim do expediente. O chefe, impaciente, esperava por Hadassa Lacerda em sua sala, mas ela não aparecia.Ao lembrar do rosto jovem e do corpo delicado da moça, ele ficou ainda mais inquieto.Decidido a conquistá-la de qualquer jeito, abriu a gaveta e colocou alguns maços de notas novinhas sobre a mesa. Achava que, recém-formada e necessitando de dinheiro, ela não resistiria à tentação.O chefe abriu a porta do escritório e foi até o salão principal, mas não havia mais ninguém.A garota ousou deixá-lo esperando, sumiu sem dar notícias. Amanhã, pensou ele, ela não escaparia de uma boa reprimenda.Ao se aproximar da mesa de Hadassa Lacerda, viu que estava vazia, exceto por uma folha de papel.Pegou o papel e, assim que leu, sentiu o sangue ferver.Na carta estava escrito:Seu canalha, você foi demitido! Eu não aguento mais! Todas aquelas mensagens que você me mandou, e as gravações das suas tentativas de assédio, já foram enviadas para todos os e-mails da empresa, inclusive para o da sua esposa. Pode voltar pra casa e se preparar para dormir no sofá!Ao terminar de ler, o chefe ficou tão furioso que rasgou o papel em pedacinhos.Jamais imaginou que um dia seria derrotado por uma garota.Além de não conseguir o que queria, ainda saiu humilhado.Descontou a raiva dando um soco na mesa de Hadassa Lacerda.De repente, o celular dele tocou. Ao ver quem era, sentiu as mãos tremerem: era a esposa.Atendeu vacilante, apenas para ouvir, do outro lado da linha, a mulher berrando:— Carlos Godoy, seu cafajeste, venha pra casa agora mesmo!Ao receber a ligação da esposa, o chefe tarado murchou na hora — o que o esperava em casa era mais uma tempestade de brigas e confusões!Hadassa Lacerda chegou em frente à empresa da melhor amiga. Não demorou muito até ver Diana Vieira sair correndo do prédio.— Dassa, você foi incrível! Eu devia aplaudir de pé pra você, com as mãos e os pés!Hadassa já tinha contado para Diana tudo sobre sua demissão e como conseguiu dar o troco no chefe abusador.Diana não escondia sua admiração, estava impressionada com a coragem da amiga.— Vamos! Hoje é dia de comemorar a libertação da nossa Dassa das garras daquele canalha. Precisamos celebrar essa vitória! — Diana puxou Hadassa pelo braço, cheia de empolgação.— Diana, recebi meu salário. O que quiser comer hoje é por minha conta.— Da última vez você já pagou. Agora é minha vez, e nem venha discutir comigo. Vamos para o nosso lugar de sempre! — respondeu Diana, já encaminhando as duas na direção da tradicional churrascaria do bairro.Hadassa Lacerda e Diana Vieira eram colegas desde a faculdade. No primeiro dia de aula, caíram no mesmo quarto do alojamento. Em quatro anos, construíram uma amizade inabalável.Diana era da cidade, enquanto Hadassa tinha vindo do interior. Mas Diana nunca viu isso como problema, e nos fins de semana sempre convidava Hadassa para ficar em sua casa.A mãe de Diana era uma mulher generosa, e gostava muito de Hadassa. Toda vez que Hadassa as visitava, a mãe de Diana cozinhava vários pratos que sabia que ela adorava.Muitas vezes, Hadassa sentia que a mãe da amiga era até mais carinhosa com ela do que sua própria mãe.Logo, as duas chegaram à churrascaria “Bom Retorno”.— Diana, escolha o que quiser, hoje é por minha conta! — Hadassa disse, passando o cardápio para a amiga.— Então não vou fazer cerimônia, hein!Depois de escolherem os pratos, entregaram o cardápio ao garçom.Não demorou e os espetinhos começaram a chegar à mesa.Comendo e bebendo, as duas se divertiam, rindo alto e celebrando.De repente, o celular de Hadassa apitou algumas vezes.Ela desbloqueou o aparelho e, ao ver as imagens na tela, o sorriso sumiu de seu rosto.— Dassa, o que aconteceu? — Diana percebeu a mudança na expressão da amiga e perguntou preocupada.Hadassa fitava o telefone, incrédula, sem conseguir reagir.Como Hadassa não dizia nada, Diana pegou o celular da mão dela.Ao ver as fotos, Diana não se conteve:— Que desgraçado, que tipo de animal faz uma coisa dessas? E ainda tem a cara de pau de te mandar essas fotos? O que ele acha que está fazendo?!— Dassa, não fica assim. Eu vou ligar pra ele agora mesmo pra xingá-lo! — Diana falou enquanto já discava para o número de Henrique Alves, namorado de Hadassa.Hadassa tinha acabado de receber algumas fotos enviadas por Henrique Alves: nelas, um homem e uma mulher, nus, deitados na cama. O homem era ninguém menos que Henrique, com quem Hadassa estava namorando há apenas três meses.No WhatsApp, Henrique ainda disse que estava apaixonado por outra mulher e queria terminar com Hadassa.Henrique Alves a perseguira por três anos, sempre dizendo que ela era o amor da vida dele. Depois de só três meses juntos, ele já estava com outra e ainda teve coragem de mandar fotos para Hadassa.Assim que Diana fez a ligação, ouviu-se apenas a mensagem de caixa postal: o telefone estava desligado.— Droga, desligou o celular! — Diana resmungou, indignada.— Dassa, vamos até a casa dele agora. Eu faço questão de resolver isso cara a cara com esse idiota! — Diana falou, pronta para defender a amiga.Ao ver seu namorado deitado nu na cama com outra mulher, Hadassa Lacerda não sentiu nem um pingo de tristeza ou mágoa.Henrique Alves vinha atrás dela havia exatos três anos. Durante esse tempo, Hadassa o rejeitara incontáveis vezes, mas ele nunca desistira.Até que, numa noite, três meses atrás, Hadassa foi encurralada por alguns marginais em uma viela. Henrique, sem pensar em sua própria segurança, correu para protegê-la, mesmo levando uma surra e ficando todo machucado.Depois desse dia, Hadassa passou a ver Henrique sob outra luz. Ele era bonito, vinha de uma boa família e, acima de tudo, era dedicado a ela. Pensou que, com um namorado assim, não sairia perdendo.Assim, na mais recente declaração de Henrique, ela finalmente aceitou seu pedido.Nunca imaginou que, mal haviam completado três meses juntos, Henrique faria algo assim.Na verdade, Hadassa não tinha sentimentos profundos por Henrique. Durante os três meses de namoro, ela sequer permitira que ele segurasse sua mão.Sempre que Henrique tentava avançar um pouco mais no relacionamento, Hadassa recusava, dizendo que ainda não era o momento.Agora, vendo que Henrique se interessara por outra pessoa, achou melhor terminar. Afinal, não fazia questão dele. Pegou o celular e mandou uma mensagem pelo WhatsApp: “Certo, terminamos. Não precisamos mais manter contato.” Assim que enviou, excluiu o contato de Henrique.— Vamos embora, vamos pra casa! — disse Hadassa, levantando-se.— Você não vai procurar o Henrique pra tirar essa história a limpo? — perguntou Diana Vieira.— Já mandei mensagem pelo WhatsApp, concordando com o término. Não tem mais por que manter contato — respondeu Hadassa, tranquila.— Ele fez isso com você e vai ficar assim, perdoado? — Diana protestou, indignada.— E o que eu ganharia procurando por ele? Ele já foi pra cama com outra. Um homem desses não vale a pena, não vou perder meu tempo.— Dassa, você é mesmo esclarecida. Isso aí, esse tipo de lixo não merece consideração. Pode esperar, vou te apresentar um cara muito melhor e mais bonito do que ele!— Agora não quero saber de namoro. Só quero encontrar logo um trabalho decente.— O pão de cada dia aparece, o emprego também. Hoje a gente vai curtir! Vem, vou te levar num lugar top!Quando chegaram ao destino, Hadassa descobriu que o tal “lugar top” de Diana era um bar.Hadassa seguiu Diana até o bar, onde a amiga pediu, com toda a desenvoltura, duas taças de vinho de frutas. Sentaram-se para beber.Era a primeira vez que Hadassa entrava num bar. Não se sentia à vontade com aquele ambiente barulhento e só viera por insistência de Diana. Se dependesse dela, jamais pisaria num lugar daqueles.A música alta fazia seus ouvidos zumbirem, e as luzes baixas criavam um clima onde ela sentia que não havia pessoas confiáveis por ali.O cheiro de cigarro e bebida pairava no ar; não havia nada ali que a agradasse.No outro lado do bar, em uma área reservada e luxuosa, Miguel Batista estava sentado, imóvel como uma estátua. Observava tudo ao redor com um olhar frio de desprezo.Guilherme Serra, por sua vez, abraçava duas belas mulheres, uma de cada lado, e olhava para Miguel como se ele fosse uma criatura estranha, zombando sem hesitar:— Miguel, aqui é um bar, não sua sala de reuniões. Não precisa ficar tão sério, como se estivesse prestes a começar uma conferência!O olhar de Miguel, cortante como uma lâmina, se voltou para Guilherme. Ao ver o amigo aproveitando o momento, saboreando uvas oferecidas pelas belas ao seu lado, Miguel não pôde deixar de sentir repulsa.Miguel era extremamente exigente com limpeza. Jamais comeria algo que outra pessoa tocou. Não fazia ideia se aquelas mulheres tinham lavado as mãos. Já Guilherme, parecia não se importar, e ainda aproveitava tudo com prazer.Capítulo 2Hadassa Lacerda estava sentada à sua mesa de trabalho, olhando o celular repetidas vezes. Hoje era dia de pagamento e, assim que o salário caísse na conta, ela pretendia sumir dali.Era seu primeiro emprego e, cheia de expectativas, Hadassa Lacerda queria construir uma carreira brilhante. Mas logo descobriu que seu chefe era um verdadeiro cafajeste.Diziam que várias moças já haviam sido assediadas por ele, e por isso ninguém ficava muito tempo naquele escritório.Assim que entrou na empresa, Hadassa Lacerda percebeu que o chefe já tinha posto os olhos nela. Nos três meses em que trabalhou ali, viveu sempre em alerta, como quem foge de um predador.Mais cedo, o chefe a chamou para ir à sala dele depois do expediente.Só de lembrar do último episódio em que ele tentou se aproveitar dela, Hadassa Lacerda sentiu vontade de sair correndo dali sem olhar para trás.Ela sabia que nada de bom podia sair daquele convite, e não seria ingênua de se entregar fácil assim.No íntimo, Hadassa Lacerda só pedia que o salário entrasse logo: bastava o dinheiro cair na conta, e ela daria o troco que o chefe tanto merecia.De tanto checar o celular, a bateria quase acabou. Finalmente, faltando uma hora para o fim do expediente, o aparelho vibrou com um “ding”.Ela pegou o celular e, ao ver o comprovante, não conteve um leve sorriso no canto dos lábios.O salário tinha caído. Era a hora de ir embora.Hadassa Lacerda colocou a bolsa no ombro, pegou a carta de demissão que já havia preparado e a deixou sobre a mesa. Saiu da empresa de cabeça erguida, sem olhar para trás.Assim que cruzou a porta, disparou em disparada, como se temesse ser perseguida.Só de imaginar o chefe lendo a carta de demissão, Hadassa Lacerda não conseguiu segurar uma risada.Conseguia visualizar perfeitamente a expressão dele: o rosto retorcido de raiva, e aqueles poucos fios de cabelo quase se arrepiando de indignação.Agora, Hadassa Lacerda iria encontrar sua melhor amiga, Diana Vieira, para comemorar.Logo chegou o fim do expediente. O chefe, impaciente, esperava por Hadassa Lacerda em sua sala, mas ela não aparecia.Ao lembrar do rosto jovem e do corpo delicado da moça, ele ficou ainda mais inquieto.Decidido a conquistá-la de qualquer jeito, abriu a gaveta e colocou alguns maços de notas novinhas sobre a mesa. Achava que, recém-formada e necessitando de dinheiro, ela não resistiria à tentação.O chefe abriu a porta do escritório e foi até o salão principal, mas não havia mais ninguém.A garota ousou deixá-lo esperando, sumiu sem dar notícias. Amanhã, pensou ele, ela não escaparia de uma boa reprimenda.Ao se aproximar da mesa de Hadassa Lacerda, viu que estava vazia, exceto por uma folha de papel.Pegou o papel e, assim que leu, sentiu o sangue ferver.Na carta estava escrito:Seu canalha, você foi demitido! Eu não aguento mais! Todas aquelas mensagens que você me mandou, e as gravações das suas tentativas de assédio, já foram enviadas para todos os e-mails da empresa, inclusive para o da sua esposa. Pode voltar pra casa e se preparar para dormir no sofá!Ao terminar de ler, o chefe ficou tão furioso que rasgou o papel em pedacinhos.Jamais imaginou que um dia seria derrotado por uma garota.Além de não conseguir o que queria, ainda saiu humilhado.Descontou a raiva dando um soco na mesa de Hadassa Lacerda.De repente, o celular dele tocou. Ao ver quem era, sentiu as mãos tremerem: era a esposa.Atendeu vacilante, apenas para ouvir, do outro lado da linha, a mulher berrando:— Carlos Godoy, seu cafajeste, venha pra casa agora mesmo!Ao receber a ligação da esposa, o chefe tarado murchou na hora — o que o esperava em casa era mais uma tempestade de brigas e confusões!Hadassa Lacerda chegou em frente à empresa da melhor amiga. Não demorou muito até ver Diana Vieira sair correndo do prédio.— Dassa, você foi incrível! Eu devia aplaudir de pé pra você, com as mãos e os pés!Hadassa já tinha contado para Diana tudo sobre sua demissão e como conseguiu dar o troco no chefe abusador.Diana não escondia sua admiração, estava impressionada com a coragem da amiga.— Vamos! Hoje é dia de comemorar a libertação da nossa Dassa das garras daquele canalha. Precisamos celebrar essa vitória! — Diana puxou Hadassa pelo braço, cheia de empolgação.— Diana, recebi meu salário. O que quiser comer hoje é por minha conta.— Da última vez você já pagou. Agora é minha vez, e nem venha discutir comigo. Vamos para o nosso lugar de sempre! — respondeu Diana, já encaminhando as duas na direção da tradicional churrascaria do bairro.Hadassa Lacerda e Diana Vieira eram colegas desde a faculdade. No primeiro dia de aula, caíram no mesmo quarto do alojamento. Em quatro anos, construíram uma amizade inabalável.Diana era da cidade, enquanto Hadassa tinha vindo do interior. Mas Diana nunca viu isso como problema, e nos fins de semana sempre convidava Hadassa para ficar em sua casa.A mãe de Diana era uma mulher generosa, e gostava muito de Hadassa. Toda vez que Hadassa as visitava, a mãe de Diana cozinhava vários pratos que sabia que ela adorava.Muitas vezes, Hadassa sentia que a mãe da amiga era até mais carinhosa com ela do que sua própria mãe.Logo, as duas chegaram à churrascaria “Bom Retorno”.— Diana, escolha o que quiser, hoje é por minha conta! — Hadassa disse, passando o cardápio para a amiga.— Então não vou fazer cerimônia, hein!Depois de escolherem os pratos, entregaram o cardápio ao garçom.Não demorou e os espetinhos começaram a chegar à mesa.Comendo e bebendo, as duas se divertiam, rindo alto e celebrando.De repente, o celular de Hadassa apitou algumas vezes.Ela desbloqueou o aparelho e, ao ver as imagens na tela, o sorriso sumiu de seu rosto.— Dassa, o que aconteceu? — Diana percebeu a mudança na expressão da amiga e perguntou preocupada.Hadassa fitava o telefone, incrédula, sem conseguir reagir.Como Hadassa não dizia nada, Diana pegou o celular da mão dela.Ao ver as fotos, Diana não se conteve:— Que desgraçado, que tipo de animal faz uma coisa dessas? E ainda tem a cara de pau de te mandar essas fotos? O que ele acha que está fazendo?!— Dassa, não fica assim. Eu vou ligar pra ele agora mesmo pra xingá-lo! — Diana falou enquanto já discava para o número de Henrique Alves, namorado de Hadassa.Hadassa tinha acabado de receber algumas fotos enviadas por Henrique Alves: nelas, um homem e uma mulher, nus, deitados na cama. O homem era ninguém menos que Henrique, com quem Hadassa estava namorando há apenas três meses.No WhatsApp, Henrique ainda disse que estava apaixonado por outra mulher e queria terminar com Hadassa.Henrique Alves a perseguira por três anos, sempre dizendo que ela era o amor da vida dele. Depois de só três meses juntos, ele já estava com outra e ainda teve coragem de mandar fotos para Hadassa.Assim que Diana fez a ligação, ouviu-se apenas a mensagem de caixa postal: o telefone estava desligado.— Droga, desligou o celular! — Diana resmungou, indignada.— Dassa, vamos até a casa dele agora. Eu faço questão de resolver isso cara a cara com esse idiota! — Diana falou, pronta para defender a amiga.Ao ver seu namorado deitado nu na cama com outra mulher, Hadassa Lacerda não sentiu nem um pingo de tristeza ou mágoa.Henrique Alves vinha atrás dela havia exatos três anos. Durante esse tempo, Hadassa o rejeitara incontáveis vezes, mas ele nunca desistira.Até que, numa noite, três meses atrás, Hadassa foi encurralada por alguns marginais em uma viela. Henrique, sem pensar em sua própria segurança, correu para protegê-la, mesmo levando uma surra e ficando todo machucado.Depois desse dia, Hadassa passou a ver Henrique sob outra luz. Ele era bonito, vinha de uma boa família e, acima de tudo, era dedicado a ela. Pensou que, com um namorado assim, não sairia perdendo.Assim, na mais recente declaração de Henrique, ela finalmente aceitou seu pedido.Nunca imaginou que, mal haviam completado três meses juntos, Henrique faria algo assim.Na verdade, Hadassa não tinha sentimentos profundos por Henrique. Durante os três meses de namoro, ela sequer permitira que ele segurasse sua mão.Sempre que Henrique tentava avançar um pouco mais no relacionamento, Hadassa recusava, dizendo que ainda não era o momento.Agora, vendo que Henrique se interessara por outra pessoa, achou melhor terminar. Afinal, não fazia questão dele. Pegou o celular e mandou uma mensagem pelo WhatsApp: “Certo, terminamos. Não precisamos mais manter contato.” Assim que enviou, excluiu o contato de Henrique.— Vamos embora, vamos pra casa! — disse Hadassa, levantando-se.— Você não vai procurar o Henrique pra tirar essa história a limpo? — perguntou Diana Vieira.— Já mandei mensagem pelo WhatsApp, concordando com o término. Não tem mais por que manter contato — respondeu Hadassa, tranquila.— Ele fez isso com você e vai ficar assim, perdoado? — Diana protestou, indignada.— E o que eu ganharia procurando por ele? Ele já foi pra cama com outra. Um homem desses não vale a pena, não vou perder meu tempo.— Dassa, você é mesmo esclarecida. Isso aí, esse tipo de lixo não merece consideração. Pode esperar, vou te apresentar um cara muito melhor e mais bonito do que ele!— Agora não quero saber de namoro. Só quero encontrar logo um trabalho decente.— O pão de cada dia aparece, o emprego também. Hoje a gente vai curtir! Vem, vou te levar num lugar top!Quando chegaram ao destino, Hadassa descobriu que o tal “lugar top” de Diana era um bar.Hadassa seguiu Diana até o bar, onde a amiga pediu, com toda a desenvoltura, duas taças de vinho de frutas. Sentaram-se para beber.Era a primeira vez que Hadassa entrava num bar. Não se sentia à vontade com aquele ambiente barulhento e só viera por insistência de Diana. Se dependesse dela, jamais pisaria num lugar daqueles.A música alta fazia seus ouvidos zumbirem, e as luzes baixas criavam um clima onde ela sentia que não havia pessoas confiáveis por ali.O cheiro de cigarro e bebida pairava no ar; não havia nada ali que a agradasse.No outro lado do bar, em uma área reservada e luxuosa, Miguel Batista estava sentado, imóvel como uma estátua. Observava tudo ao redor com um olhar frio de desprezo.Guilherme Serra, por sua vez, abraçava duas belas mulheres, uma de cada lado, e olhava para Miguel como se ele fosse uma criatura estranha, zombando sem hesitar:— Miguel, aqui é um bar, não sua sala de reuniões. Não precisa ficar tão sério, como se estivesse prestes a começar uma conferência!O olhar de Miguel, cortante como uma lâmina, se voltou para Guilherme. Ao ver o amigo aproveitando o momento, saboreando uvas oferecidas pelas belas ao seu lado, Miguel não pôde deixar de sentir repulsa.Miguel era extremamente exigente com limpeza. Jamais comeria algo que outra pessoa tocou. Não fazia ideia se aquelas mulheres tinham lavado as mãos. Já Guilherme, parecia não se importar, e ainda aproveitava tudo com prazer.Capítulo 3Hadassa Lacerda estava sentada à sua mesa de trabalho, olhando o celular repetidas vezes. Hoje era dia de pagamento e, assim que o salário caísse na conta, ela pretendia sumir dali.Era seu primeiro emprego e, cheia de expectativas, Hadassa Lacerda queria construir uma carreira brilhante. Mas logo descobriu que seu chefe era um verdadeiro cafajeste.Diziam que várias moças já haviam sido assediadas por ele, e por isso ninguém ficava muito tempo naquele escritório.Assim que entrou na empresa, Hadassa Lacerda percebeu que o chefe já tinha posto os olhos nela. Nos três meses em que trabalhou ali, viveu sempre em alerta, como quem foge de um predador.Mais cedo, o chefe a chamou para ir à sala dele depois do expediente.Só de lembrar do último episódio em que ele tentou se aproveitar dela, Hadassa Lacerda sentiu vontade de sair correndo dali sem olhar para trás.Ela sabia que nada de bom podia sair daquele convite, e não seria ingênua de se entregar fácil assim.No íntimo, Hadassa Lacerda só pedia que o salário entrasse logo: bastava o dinheiro cair na conta, e ela daria o troco que o chefe tanto merecia.De tanto checar o celular, a bateria quase acabou. Finalmente, faltando uma hora para o fim do expediente, o aparelho vibrou com um “ding”.Ela pegou o celular e, ao ver o comprovante, não conteve um leve sorriso no canto dos lábios.O salário tinha caído. Era a hora de ir embora.Hadassa Lacerda colocou a bolsa no ombro, pegou a carta de demissão que já havia preparado e a deixou sobre a mesa. Saiu da empresa de cabeça erguida, sem olhar para trás.Assim que cruzou a porta, disparou em disparada, como se temesse ser perseguida.Só de imaginar o chefe lendo a carta de demissão, Hadassa Lacerda não conseguiu segurar uma risada.Conseguia visualizar perfeitamente a expressão dele: o rosto retorcido de raiva, e aqueles poucos fios de cabelo quase se arrepiando de indignação.Agora, Hadassa Lacerda iria encontrar sua melhor amiga, Diana Vieira, para comemorar.Logo chegou o fim do expediente. O chefe, impaciente, esperava por Hadassa Lacerda em sua sala, mas ela não aparecia.Ao lembrar do rosto jovem e do corpo delicado da moça, ele ficou ainda mais inquieto.Decidido a conquistá-la de qualquer jeito, abriu a gaveta e colocou alguns maços de notas novinhas sobre a mesa. Achava que, recém-formada e necessitando de dinheiro, ela não resistiria à tentação.O chefe abriu a porta do escritório e foi até o salão principal, mas não havia mais ninguém.A garota ousou deixá-lo esperando, sumiu sem dar notícias. Amanhã, pensou ele, ela não escaparia de uma boa reprimenda.Ao se aproximar da mesa de Hadassa Lacerda, viu que estava vazia, exceto por uma folha de papel.Pegou o papel e, assim que leu, sentiu o sangue ferver.Na carta estava escrito:Seu canalha, você foi demitido! Eu não aguento mais! Todas aquelas mensagens que você me mandou, e as gravações das suas tentativas de assédio, já foram enviadas para todos os e-mails da empresa, inclusive para o da sua esposa. Pode voltar pra casa e se preparar para dormir no sofá!Ao terminar de ler, o chefe ficou tão furioso que rasgou o papel em pedacinhos.Jamais imaginou que um dia seria derrotado por uma garota.Além de não conseguir o que queria, ainda saiu humilhado.Descontou a raiva dando um soco na mesa de Hadassa Lacerda.De repente, o celular dele tocou. Ao ver quem era, sentiu as mãos tremerem: era a esposa.Atendeu vacilante, apenas para ouvir, do outro lado da linha, a mulher berrando:— Carlos Godoy, seu cafajeste, venha pra casa agora mesmo!Ao receber a ligação da esposa, o chefe tarado murchou na hora — o que o esperava em casa era mais uma tempestade de brigas e confusões!Hadassa Lacerda chegou em frente à empresa da melhor amiga. Não demorou muito até ver Diana Vieira sair correndo do prédio.— Dassa, você foi incrível! Eu devia aplaudir de pé pra você, com as mãos e os pés!Hadassa já tinha contado para Diana tudo sobre sua demissão e como conseguiu dar o troco no chefe abusador.Diana não escondia sua admiração, estava impressionada com a coragem da amiga.— Vamos! Hoje é dia de comemorar a libertação da nossa Dassa das garras daquele canalha. Precisamos celebrar essa vitória! — Diana puxou Hadassa pelo braço, cheia de empolgação.— Diana, recebi meu salário. O que quiser comer hoje é por minha conta.— Da última vez você já pagou. Agora é minha vez, e nem venha discutir comigo. Vamos para o nosso lugar de sempre! — respondeu Diana, já encaminhando as duas na direção da tradicional churrascaria do bairro.Hadassa Lacerda e Diana Vieira eram colegas desde a faculdade. No primeiro dia de aula, caíram no mesmo quarto do alojamento. Em quatro anos, construíram uma amizade inabalável.Diana era da cidade, enquanto Hadassa tinha vindo do interior. Mas Diana nunca viu isso como problema, e nos fins de semana sempre convidava Hadassa para ficar em sua casa.A mãe de Diana era uma mulher generosa, e gostava muito de Hadassa. Toda vez que Hadassa as visitava, a mãe de Diana cozinhava vários pratos que sabia que ela adorava.Muitas vezes, Hadassa sentia que a mãe da amiga era até mais carinhosa com ela do que sua própria mãe.Logo, as duas chegaram à churrascaria “Bom Retorno”.— Diana, escolha o que quiser, hoje é por minha conta! — Hadassa disse, passando o cardápio para a amiga.— Então não vou fazer cerimônia, hein!Depois de escolherem os pratos, entregaram o cardápio ao garçom.Não demorou e os espetinhos começaram a chegar à mesa.Comendo e bebendo, as duas se divertiam, rindo alto e celebrando.De repente, o celular de Hadassa apitou algumas vezes.Ela desbloqueou o aparelho e, ao ver as imagens na tela, o sorriso sumiu de seu rosto.— Dassa, o que aconteceu? — Diana percebeu a mudança na expressão da amiga e perguntou preocupada.Hadassa fitava o telefone, incrédula, sem conseguir reagir.Como Hadassa não dizia nada, Diana pegou o celular da mão dela.Ao ver as fotos, Diana não se conteve:— Que desgraçado, que tipo de animal faz uma coisa dessas? E ainda tem a cara de pau de te mandar essas fotos? O que ele acha que está fazendo?!— Dassa, não fica assim. Eu vou ligar pra ele agora mesmo pra xingá-lo! — Diana falou enquanto já discava para o número de Henrique Alves, namorado de Hadassa.Hadassa tinha acabado de receber algumas fotos enviadas por Henrique Alves: nelas, um homem e uma mulher, nus, deitados na cama. O homem era ninguém menos que Henrique, com quem Hadassa estava namorando há apenas três meses.No WhatsApp, Henrique ainda disse que estava apaixonado por outra mulher e queria terminar com Hadassa.Henrique Alves a perseguira por três anos, sempre dizendo que ela era o amor da vida dele. Depois de só três meses juntos, ele já estava com outra e ainda teve coragem de mandar fotos para Hadassa.Assim que Diana fez a ligação, ouviu-se apenas a mensagem de caixa postal: o telefone estava desligado.— Droga, desligou o celular! — Diana resmungou, indignada.— Dassa, vamos até a casa dele agora. Eu faço questão de resolver isso cara a cara com esse idiota! — Diana falou, pronta para defender a amiga.Ao ver seu namorado deitado nu na cama com outra mulher, Hadassa Lacerda não sentiu nem um pingo de tristeza ou mágoa.Henrique Alves vinha atrás dela havia exatos três anos. Durante esse tempo, Hadassa o rejeitara incontáveis vezes, mas ele nunca desistira.Até que, numa noite, três meses atrás, Hadassa foi encurralada por alguns marginais em uma viela. Henrique, sem pensar em sua própria segurança, correu para protegê-la, mesmo levando uma surra e ficando todo machucado.Depois desse dia, Hadassa passou a ver Henrique sob outra luz. Ele era bonito, vinha de uma boa família e, acima de tudo, era dedicado a ela. Pensou que, com um namorado assim, não sairia perdendo.Assim, na mais recente declaração de Henrique, ela finalmente aceitou seu pedido.Nunca imaginou que, mal haviam completado três meses juntos, Henrique faria algo assim.Na verdade, Hadassa não tinha sentimentos profundos por Henrique. Durante os três meses de namoro, ela sequer permitira que ele segurasse sua mão.Sempre que Henrique tentava avançar um pouco mais no relacionamento, Hadassa recusava, dizendo que ainda não era o momento.Agora, vendo que Henrique se interessara por outra pessoa, achou melhor terminar. Afinal, não fazia questão dele. Pegou o celular e mandou uma mensagem pelo WhatsApp: “Certo, terminamos. Não precisamos mais manter contato.” Assim que enviou, excluiu o contato de Henrique.— Vamos embora, vamos pra casa! — disse Hadassa, levantando-se.— Você não vai procurar o Henrique pra tirar essa história a limpo? — perguntou Diana Vieira.— Já mandei mensagem pelo WhatsApp, concordando com o término. Não tem mais por que manter contato — respondeu Hadassa, tranquila.— Ele fez isso com você e vai ficar assim, perdoado? — Diana protestou, indignada.— E o que eu ganharia procurando por ele? Ele já foi pra cama com outra. Um homem desses não vale a pena, não vou perder meu tempo.— Dassa, você é mesmo esclarecida. Isso aí, esse tipo de lixo não merece consideração. Pode esperar, vou te apresentar um cara muito melhor e mais bonito do que ele!— Agora não quero saber de namoro. Só quero encontrar logo um trabalho decente.— O pão de cada dia aparece, o emprego também. Hoje a gente vai curtir! Vem, vou te levar num lugar top!Quando chegaram ao destino, Hadassa descobriu que o tal “lugar top” de Diana era um bar.Hadassa seguiu Diana até o bar, onde a amiga pediu, com toda a desenvoltura, duas taças de vinho de frutas. Sentaram-se para beber.Era a primeira vez que Hadassa entrava num bar. Não se sentia à vontade com aquele ambiente barulhento e só viera por insistência de Diana. Se dependesse dela, jamais pisaria num lugar daqueles.A música alta fazia seus ouvidos zumbirem, e as luzes baixas criavam um clima onde ela sentia que não havia pessoas confiáveis por ali.O cheiro de cigarro e bebida pairava no ar; não havia nada ali que a agradasse.No outro lado do bar, em uma área reservada e luxuosa, Miguel Batista estava sentado, imóvel como uma estátua. Observava tudo ao redor com um olhar frio de desprezo.Guilherme Serra, por sua vez, abraçava duas belas mulheres, uma de cada lado, e olhava para Miguel como se ele fosse uma criatura estranha, zombando sem hesitar:— Miguel, aqui é um bar, não sua sala de reuniões. Não precisa ficar tão sério, como se estivesse prestes a começar uma conferência!O olhar de Miguel, cortante como uma lâmina, se voltou para Guilherme. Ao ver o amigo aproveitando o momento, saboreando uvas oferecidas pelas belas ao seu lado, Miguel não pôde deixar de sentir repulsa.Miguel era extremamente exigente com limpeza. Jamais comeria algo que outra pessoa tocou. Não fazia ideia se aquelas mulheres tinham lavado as mãos. Já Guilherme, parecia não se importar, e ainda aproveitava tudo com prazer.