Capítulo 1No início do verão, em Porto Esperança."Senhorita, rápido! Vamos embora..." - Otávio estava apoiando uma mulher no final da gravidez, fugindo desesperadamente pela porta dos fundos da família Silva, olhando para trás a cada passo.Kátia Silva estava dormindo quando alguém entrou sorrateiramente com um braseiro em seu quarto e fechou todas suas janelas e portas, quase a matando por falta de oxigênio.Naquele momento, sua cabeça estava tonta e ela sentiu uma forte vontade de vomitar. Ela era a única filha da família Silva, mas havia sido vítima de uma conspiração de seu próprio pai e madrasta."Senhorita, quando chegar à casa de seus avós, nunca mais retorne. É preciso contar a eles que seu pai não é uma pessoa confiável!" - informou Otávio com raiva e dor.Enquanto a levava embora, ele acrescentou: "A morte de sua mãe também pode ter sido culpa dele!"Essas palavras atingiram Kátia como um raio, deixando-a pálida e abalada.Otávio a ajudou a fugir rapidamente, dizendo: "Cuidado."Ela, como um zumbi, quase tropeçou várias vezes, com os avisos de Otávio ecoando em sua mente.Logo depois, ela, com a barriga já visivelmente grande, foi acomodada em um uber.Otavio, curvando-se e com lágrimas nos olhos, instruiu o motorista: "Meu irmão, por favor, cuide bem da senhorita. Dirija rápido e leve-a embora!"O motorista assentiu seriamente com a cabeça. Ele era o irmão mais novo de Otávio e a pessoa em quem Otávio mais confiava. Assim que o motorista acelerou."Ali está ela! Pare! Não a deixem escapar!"Sentada no carro, a jovem olhou pela janela quando ouviu os gritos e avistou um grupo de homens correndo em sua direção com bastões de madeira em mãos.Kátia, cujo cérebro quase falhou por falta de oxigênio, de repente ficou lúcida. Seu coração acelerou e suas pupilas dilataram."Você vai se arrepender! Como ousou deixá-la escapar?"Os homens começaram a golpear Otávio com socos e chutes, de forma brutal, derrubando-o rapidamente."Otávio!" - Kátia ficou batendo desesperadamente na janela do carro, gritando de raiva e desespero.Outros homens começaram a correr em direção ao carro deles."Pare! Pare já o carro!" - Eles brandiam seus bastões, com olhares e expressões que desejavam apenas a morte dela.O motorista segurou firmemente o volante, reprimindo sua preocupação com o irmão, e acelerou ainda mais."Otávio! Otávio..." - A jovem bateu na janela, com lágrimas de desespero caindo, sem pensar em sua própria situação.De longe, ela viu Otávio no chão, cuspindo sangue e gritando de dor enquanto era brutalmente espancado. Mesmo assim, ele sorria e acenava para ela com um olhar cheio de sofrimento e determinação, pedindo silenciosamente que ela partisse.O coração de Kátia se partiu: "Otávio..." - Era como se seu coração tivesse sido cortado. Ela sabia que Otávio estava pagando uma dívida de gratidão com seu avô.O motorista, ao enxergar a terrível situação de seu irmão pelo espelho retrovisor, não conteve as lágrimas. Mordeu os lábios, endureceu o coração e pisou no acelerador.Salvar seu irmão não era mais possível, pois eles estavam em menor número.O mais importante naquele momento era:Levar a senhorita para um lugar seguro e cumprir a missão confiada a ele por seu irmão.Rapidamente, o carro conseguiu se livrar de seus perseguidores e fugiu.Kátia, com os lábios comprimidos e lágrimas nos olhos, ouvia as palavras de Otávio reverberando em sua mente:"Senhorita, quando chegar à casa de seus avós, nunca mais retorne. É preciso contar a eles que seu pai não é uma pessoa confiável!"Pouco tempo depois…Um clarão ofuscante de fogo atravessou a janela do carro. Katia estreitou os olhos, e instintivamente levantou as mãos para se proteger. Em seguida, sua expressão mudou radicalmente.Ela avistou uma grande chama devorando aquela casa familiar. À frente, havia um vasto mar de fogo queimando tudo."Ah...!""Ah!!!"Gritos terríveis soaram, como se tivessem saído do inferno.Ela observou os funcionários em chamas tentando escapar, caindo no chão e gritando antes de serem queimados vivos.As pupilas de Kátia se dilataram. Seus olhos estavam cheios de horror e descrença.As imagens de seus avós, idosos e gentis, passaram por sua mente."Vovô! Vovó!!!" - Ela recuperou seus pensamentos do choque, gritando enquanto tentava abrir a porta do carro para sair. Sua reação foi ainda mais intensa, como se estivesse afundando em uma areia movediça.O motorista prudente já havia trancado as portas do carro, antecipando qualquer perigo.Mesmo tentando, ela não conseguiu abrir a porta: "Deixe-me sair! Eu quero descer!" - Ela gritou freneticamente, perdendo completamente o controle de suas emoções.O motorista sabia que não era seguro permanecer ali por muito tempo. Sem hesitar, acelerou e a levou em fuga."Vovô!!! Vovó..." - Katia, inclinando-se, bateu desesperadamente na janela do carro, gritando até ficar rouca, com lágrimas caindo incessavelmente: "Vovó..."As chamas, rugindo furiosamente, pareciam demônios lançando-se em disparada para o céu.Ela já estava rouca de tanto gritar, com o rosto inundado de lágrimas."Pare o carro! Pare o carro! Meus avós ainda estão dentro da casa! Eu tenho que salvá-los!""Sra. Silva! A senhora não é uma deusa milagrosa! Entrar no local seria o mesmo que cometer suicídio! Há mais pessoas nos perseguindo! Quer que seu bebê morra junto?" - O motorista gritou, tentando fazê-la recuperar o juízo: "E se houver mais armadilhas à frente? Seu pai perdeu a sanidade a ponto de nem mesmo poupar a senhora!"Kátia parou de repente, pálida, tentando controlar seu colapso interior, enquanto a imagem hipócrita de seu pai, Leandro Pinto, passava por sua mente.A velocidade do carro apenas aumentava. Ele precisava cumprir a missão confiada por seu irmão, e não podia deixar que sua morte tivesse sido em vão.O ar quente, como demônios libertados, fez a casa se retorcer, e as paredes de tijolos começaram a rachar.Finalmente, com um estrondo que sacudiu os céus, Kátia avistou as chamas subindo imponentes. Tudo estava se desintegrando no fogo devastador.A onda de fogo foi tão forte que quase jogou o carro para longe. Se demorassem mais dez segundos para se afastar, eles já estariam mortos.Um medo profundo e uma tristeza avassaladora envolveram Kátia, como se sua alma tivesse sido arrancada. Ela ficou pálida, com os olhos dilatados pela dor.Tudo o que restou foi uma casca trêmula e chorosa com cabelos desgrenhados, olhando desesperadamente para pelo vidro traseiro do carro."Não..." - Ela realmente teve dificuldade em aceitar tudo aquilo. Suas mãos lentamente se fecharam em punhos, e um ódio infinito a envolveu.Seu pai e sua madrasta não apenas queriam matá-la e ao seu filho, mas também haviam assassinado seus avós de maneira tão cruel.Eles não eram humanos.A enorme tragédia era um peso difícil para Kátia suportar naquele momento.Sua barriga começou a se contrair, aumentando a dor......Seis anos depois, em Porto Esperança.Num domingo.A Mansão Vista do Lago Azul, um terreno de mil metros quadrados, abrigava o homem mais rico de Porto Esperança, Ítalo Ribeiro.Mesmo jovem, ele dominava o Império Sólido Investimentos e se tornou uma lenda no setor, um verdadeiro líder em Porto Esperança.Naquele dia, no entanto, ele não foi à empresa. Após o almoço, ficou descansando sozinho na cadeira de vime, no terraço do segundo andar.Vestindo uma túnica branca, com o sol quente batendo em seu corpo, ele adormeceu sem perceber, com uma expressão nobre e atraente, franzindo ligeiramente a testa.Em um quarto de hotel, naquela festa de sete anos atrás, ele caiu em uma armadilha, bebendo acidentalmente vinho adulterado...Sob a luz tênue, a garota parecia ter menos de vinte anos, com um rosto delicado e uma beleza pura e inocente.No momento em que a garota ficou paralisada, ele soube que havia entrado no quarto errado.Sob a influência da droga, ele se envolveu intensamente com a garota... apesar de suas tentativas desesperadas de resistir.Voltando para a realidade, uma brisa suave soprou, bagunçando os cabelos do homem e despertando-o de seu devaneio.Ele avistou um copo de leite à sua frente, parou por um momento para organizar seus pensamentos e olhou para cima à distância de um braço, vendo Rodrigo se abaixar ao seu lado: "Sr. Ribeiro, aqui está o seu leite."Ítalo pegou o copo, tomou um pequeno gole e voltou seu olhar para o jardim: "Ainda não há notícias sobre aquela garota?""Ainda não."Ele suspirou levemente: "Então continue procurando.""Sim."Com o passar dos anos, o homem carregou consigo um peso de dívida, afastando-se de outras mulheres, mas, inexplicavelmente, ainda era atraído pela lembrança daquela noite e pelo suave aroma de ervas que emanava da garota.O mordomo saiu e, logo em seguida, o seu celular tocou.Pegando o celular e vendo que era seu avô, Ítalo ajeitou seus pensamentos e deslizou o dedo para atender: "Alô? Como está, vovô?""Mais um mês se passou. Você finalmente encontrou uma namorada ou não?" - O velho parecia ter perdido a paciência, dando a ele um ultimato…"Se você não conseguir encontrar alguém por conta própria, quando a Wanda voltar ao país, o melhor será que vocês dois se casem logo e aprendam a se amar depois! Essa questão da vida não pode ser adiada, é hora de colocá-la como prioridade."Mais uma vez, a pressão para se casar!Ítalo, como de costume, deu algumas respostas evasivas.Antes de desligar, o velho instruiu: "Ah, daqui a alguns dias, a família Matos e a família Silva estarão celebrando um casamento. Lembre-se de me representar no evento, pois tenho alguns compromissos e não poderei voltar.""Família Matos? Família Silva?" - Que família Matos ou família Silva? Ítalo nunca tinha ouvido falar delas.O avô continuou: "Eu lhe enviei os detalhes da hora e do local pelo WhatsApp."Ele não fez mais perguntas, pois tinha que cumprir as tarefas que lhe foram dadas por seu avô.Em Porto Esperança, Ítalo considerava apenas quatro famílias como verdadeiros magnatas do setor financeiro: família Ribeiro, família Fonseca, família Vargas e família Ferreira. As demais, para ele, eram meramente insignificantes.-No Canadá.No segundo andar de uma mansão, Kátia, usando um vestido francês, estava de braços cruzados em frente à janela. Com seu belo rosto alternando entre expressões de preocupação e alívio, Kátia havia visto uma notícia que a fez parar por um instante. A manchete estampava:O chefe da família Silva, Leandro, de Porto Esperança, pagou uma fortuna para tratar a grave doença de seu mordomo, Otávio! - Esse gesto de grande lealdade foi amplamente elogiado.Abaixo, uma foto de Otávio sentado em uma cadeira de rodas, bem vestido, mas visivelmente magro, acompanhava a matéria.Kátia observou a imagem e, em um flash, sua memória voltou rapidamente a seis anos atrás.Ela se lembrou de quando Otávio a ajudou a escapar da imensa mansão da família Silva, fugindo juntos, apenas para serem atacados por um grupo de pessoas... o chão coberto de sangue.Agora, a alegação era de que aqueles ferimentos haviam sido causados por uma doença grave? Quem, afinal, acreditaria nessa história?No entanto, o fato de Otávio ainda estar vivo trouxe uma imensa alegria para Kátia.Durante seis anos, Leandro foi ambicioso, mas nunca se atreveu a mudar o Grupo Silva para o Grupo Pinto, e até ganhou a reputação de ser um filho muito dedicado. Parecia que sua avaliação externa era bastante positiva."Kátia." - Fernanda sabia que não conseguiria esconder o fato por muito tempo, então se aproximou dela: "Na verdade, a notícia já estava circulando no país há meio mês."Kátia enxugou a umidade dos olhos: "Por que você não me contou antes?" - Sua voz não continha reprovação."..." - Fernanda permaneceu em silêncio, preocupada.Kátia decidiu imediatamente: "Estou pronta para voltar ao Porto Esperança. Está na hora de acertar as contas.""Mamãe!" - Naquele momento, a porta do quarto se abriu.Dois pequeninos adoráveis entraram correndo: "Mamãe, o que você disse agora a pouco? Vamos voltar para o país?"As crianças estavam ansiosas: "Mamãe, se estamos voltando para o país, significa que logo poderemos ver o papai?"Quando as crianças apareceram, Kátia imediatamente expressou um sorriso e se agachou para abraçá-las: "Queridos tem monstros no Porto Esperança! Vou derrotar os monstros e depois voltarei para buscá-los!""A mamãe não vai nos levar junto?" - O garotinho ficou desapontado.O outro também franziu a testa: "Mas mamãe....""Obedeçam!" - A voz de Kátia ficou mais alta, e as crianças não ousaram se opor. Ela não tinha tempo a perder, pois tinha que voltar para o país imediatamente para resgatar Otávio.Fernanda sabia que o fato de não levar as crianças com ela era uma forma de proteção. Afinal, todas elas quase haviam sido mortas naquele ano.Após acalmar as crianças, enquanto Kátia fazia as malas para partir, Fernanda a lembrou: "Kátia, a notícia sobre a busca de tratamento para o mordomo se espalhou pelo mundo, e o quanto foi gasto em publicidade é astronômico.""Então, para que eu voltasse, Leandro não poupou esforços. Desta vez, vou me certificar de que seu desejo se realize." - Apesar do tom firme, Kátia, com seu coração generoso, jamais se esqueceria sobre o que aconteceu seis anos atrás.Um avião decolou rapidamente do Canadá, com destino ao Aeroporto Internacional de Porto Esperança.Seis anos se passaram. Era hora da senhorita renascer das cinzas.Depois de várias horas, um voo aterrissou no Aeroporto Internacional de Porto Esperança sob um céu claro e ensolarado.Kátia, acompanhada pela multidão, desceu do avião e pisou novamente no solo de Porto Esperança. Diante do vento que soprava em seu rosto, ela olhou para o céu, sentindo uma pontada de dor no coração.Capítulo 2No início do verão, em Porto Esperança."Senhorita, rápido! Vamos embora..." - Otávio estava apoiando uma mulher no final da gravidez, fugindo desesperadamente pela porta dos fundos da família Silva, olhando para trás a cada passo.Kátia Silva estava dormindo quando alguém entrou sorrateiramente com um braseiro em seu quarto e fechou todas suas janelas e portas, quase a matando por falta de oxigênio.Naquele momento, sua cabeça estava tonta e ela sentiu uma forte vontade de vomitar. Ela era a única filha da família Silva, mas havia sido vítima de uma conspiração de seu próprio pai e madrasta."Senhorita, quando chegar à casa de seus avós, nunca mais retorne. É preciso contar a eles que seu pai não é uma pessoa confiável!" - informou Otávio com raiva e dor.Enquanto a levava embora, ele acrescentou: "A morte de sua mãe também pode ter sido culpa dele!"Essas palavras atingiram Kátia como um raio, deixando-a pálida e abalada.Otávio a ajudou a fugir rapidamente, dizendo: "Cuidado."Ela, como um zumbi, quase tropeçou várias vezes, com os avisos de Otávio ecoando em sua mente.Logo depois, ela, com a barriga já visivelmente grande, foi acomodada em um uber.Otavio, curvando-se e com lágrimas nos olhos, instruiu o motorista: "Meu irmão, por favor, cuide bem da senhorita. Dirija rápido e leve-a embora!"O motorista assentiu seriamente com a cabeça. Ele era o irmão mais novo de Otávio e a pessoa em quem Otávio mais confiava. Assim que o motorista acelerou."Ali está ela! Pare! Não a deixem escapar!"Sentada no carro, a jovem olhou pela janela quando ouviu os gritos e avistou um grupo de homens correndo em sua direção com bastões de madeira em mãos.Kátia, cujo cérebro quase falhou por falta de oxigênio, de repente ficou lúcida. Seu coração acelerou e suas pupilas dilataram."Você vai se arrepender! Como ousou deixá-la escapar?"Os homens começaram a golpear Otávio com socos e chutes, de forma brutal, derrubando-o rapidamente."Otávio!" - Kátia ficou batendo desesperadamente na janela do carro, gritando de raiva e desespero.Outros homens começaram a correr em direção ao carro deles."Pare! Pare já o carro!" - Eles brandiam seus bastões, com olhares e expressões que desejavam apenas a morte dela.O motorista segurou firmemente o volante, reprimindo sua preocupação com o irmão, e acelerou ainda mais."Otávio! Otávio..." - A jovem bateu na janela, com lágrimas de desespero caindo, sem pensar em sua própria situação.De longe, ela viu Otávio no chão, cuspindo sangue e gritando de dor enquanto era brutalmente espancado. Mesmo assim, ele sorria e acenava para ela com um olhar cheio de sofrimento e determinação, pedindo silenciosamente que ela partisse.O coração de Kátia se partiu: "Otávio..." - Era como se seu coração tivesse sido cortado. Ela sabia que Otávio estava pagando uma dívida de gratidão com seu avô.O motorista, ao enxergar a terrível situação de seu irmão pelo espelho retrovisor, não conteve as lágrimas. Mordeu os lábios, endureceu o coração e pisou no acelerador.Salvar seu irmão não era mais possível, pois eles estavam em menor número.O mais importante naquele momento era:Levar a senhorita para um lugar seguro e cumprir a missão confiada a ele por seu irmão.Rapidamente, o carro conseguiu se livrar de seus perseguidores e fugiu.Kátia, com os lábios comprimidos e lágrimas nos olhos, ouvia as palavras de Otávio reverberando em sua mente:"Senhorita, quando chegar à casa de seus avós, nunca mais retorne. É preciso contar a eles que seu pai não é uma pessoa confiável!"Pouco tempo depois…Um clarão ofuscante de fogo atravessou a janela do carro. Katia estreitou os olhos, e instintivamente levantou as mãos para se proteger. Em seguida, sua expressão mudou radicalmente.Ela avistou uma grande chama devorando aquela casa familiar. À frente, havia um vasto mar de fogo queimando tudo."Ah...!""Ah!!!"Gritos terríveis soaram, como se tivessem saído do inferno.Ela observou os funcionários em chamas tentando escapar, caindo no chão e gritando antes de serem queimados vivos.As pupilas de Kátia se dilataram. Seus olhos estavam cheios de horror e descrença.As imagens de seus avós, idosos e gentis, passaram por sua mente."Vovô! Vovó!!!" - Ela recuperou seus pensamentos do choque, gritando enquanto tentava abrir a porta do carro para sair. Sua reação foi ainda mais intensa, como se estivesse afundando em uma areia movediça.O motorista prudente já havia trancado as portas do carro, antecipando qualquer perigo.Mesmo tentando, ela não conseguiu abrir a porta: "Deixe-me sair! Eu quero descer!" - Ela gritou freneticamente, perdendo completamente o controle de suas emoções.O motorista sabia que não era seguro permanecer ali por muito tempo. Sem hesitar, acelerou e a levou em fuga."Vovô!!! Vovó..." - Katia, inclinando-se, bateu desesperadamente na janela do carro, gritando até ficar rouca, com lágrimas caindo incessavelmente: "Vovó..."As chamas, rugindo furiosamente, pareciam demônios lançando-se em disparada para o céu.Ela já estava rouca de tanto gritar, com o rosto inundado de lágrimas."Pare o carro! Pare o carro! Meus avós ainda estão dentro da casa! Eu tenho que salvá-los!""Sra. Silva! A senhora não é uma deusa milagrosa! Entrar no local seria o mesmo que cometer suicídio! Há mais pessoas nos perseguindo! Quer que seu bebê morra junto?" - O motorista gritou, tentando fazê-la recuperar o juízo: "E se houver mais armadilhas à frente? Seu pai perdeu a sanidade a ponto de nem mesmo poupar a senhora!"Kátia parou de repente, pálida, tentando controlar seu colapso interior, enquanto a imagem hipócrita de seu pai, Leandro Pinto, passava por sua mente.A velocidade do carro apenas aumentava. Ele precisava cumprir a missão confiada por seu irmão, e não podia deixar que sua morte tivesse sido em vão.O ar quente, como demônios libertados, fez a casa se retorcer, e as paredes de tijolos começaram a rachar.Finalmente, com um estrondo que sacudiu os céus, Kátia avistou as chamas subindo imponentes. Tudo estava se desintegrando no fogo devastador.A onda de fogo foi tão forte que quase jogou o carro para longe. Se demorassem mais dez segundos para se afastar, eles já estariam mortos.Um medo profundo e uma tristeza avassaladora envolveram Kátia, como se sua alma tivesse sido arrancada. Ela ficou pálida, com os olhos dilatados pela dor.Tudo o que restou foi uma casca trêmula e chorosa com cabelos desgrenhados, olhando desesperadamente para pelo vidro traseiro do carro."Não..." - Ela realmente teve dificuldade em aceitar tudo aquilo. Suas mãos lentamente se fecharam em punhos, e um ódio infinito a envolveu.Seu pai e sua madrasta não apenas queriam matá-la e ao seu filho, mas também haviam assassinado seus avós de maneira tão cruel.Eles não eram humanos.A enorme tragédia era um peso difícil para Kátia suportar naquele momento.Sua barriga começou a se contrair, aumentando a dor......Seis anos depois, em Porto Esperança.Num domingo.A Mansão Vista do Lago Azul, um terreno de mil metros quadrados, abrigava o homem mais rico de Porto Esperança, Ítalo Ribeiro.Mesmo jovem, ele dominava o Império Sólido Investimentos e se tornou uma lenda no setor, um verdadeiro líder em Porto Esperança.Naquele dia, no entanto, ele não foi à empresa. Após o almoço, ficou descansando sozinho na cadeira de vime, no terraço do segundo andar.Vestindo uma túnica branca, com o sol quente batendo em seu corpo, ele adormeceu sem perceber, com uma expressão nobre e atraente, franzindo ligeiramente a testa.Em um quarto de hotel, naquela festa de sete anos atrás, ele caiu em uma armadilha, bebendo acidentalmente vinho adulterado...Sob a luz tênue, a garota parecia ter menos de vinte anos, com um rosto delicado e uma beleza pura e inocente.No momento em que a garota ficou paralisada, ele soube que havia entrado no quarto errado.Sob a influência da droga, ele se envolveu intensamente com a garota... apesar de suas tentativas desesperadas de resistir.Voltando para a realidade, uma brisa suave soprou, bagunçando os cabelos do homem e despertando-o de seu devaneio.Ele avistou um copo de leite à sua frente, parou por um momento para organizar seus pensamentos e olhou para cima à distância de um braço, vendo Rodrigo se abaixar ao seu lado: "Sr. Ribeiro, aqui está o seu leite."Ítalo pegou o copo, tomou um pequeno gole e voltou seu olhar para o jardim: "Ainda não há notícias sobre aquela garota?""Ainda não."Ele suspirou levemente: "Então continue procurando.""Sim."Com o passar dos anos, o homem carregou consigo um peso de dívida, afastando-se de outras mulheres, mas, inexplicavelmente, ainda era atraído pela lembrança daquela noite e pelo suave aroma de ervas que emanava da garota.O mordomo saiu e, logo em seguida, o seu celular tocou.Pegando o celular e vendo que era seu avô, Ítalo ajeitou seus pensamentos e deslizou o dedo para atender: "Alô? Como está, vovô?""Mais um mês se passou. Você finalmente encontrou uma namorada ou não?" - O velho parecia ter perdido a paciência, dando a ele um ultimato…"Se você não conseguir encontrar alguém por conta própria, quando a Wanda voltar ao país, o melhor será que vocês dois se casem logo e aprendam a se amar depois! Essa questão da vida não pode ser adiada, é hora de colocá-la como prioridade."Mais uma vez, a pressão para se casar!Ítalo, como de costume, deu algumas respostas evasivas.Antes de desligar, o velho instruiu: "Ah, daqui a alguns dias, a família Matos e a família Silva estarão celebrando um casamento. Lembre-se de me representar no evento, pois tenho alguns compromissos e não poderei voltar.""Família Matos? Família Silva?" - Que família Matos ou família Silva? Ítalo nunca tinha ouvido falar delas.O avô continuou: "Eu lhe enviei os detalhes da hora e do local pelo WhatsApp."Ele não fez mais perguntas, pois tinha que cumprir as tarefas que lhe foram dadas por seu avô.Em Porto Esperança, Ítalo considerava apenas quatro famílias como verdadeiros magnatas do setor financeiro: família Ribeiro, família Fonseca, família Vargas e família Ferreira. As demais, para ele, eram meramente insignificantes.-No Canadá.No segundo andar de uma mansão, Kátia, usando um vestido francês, estava de braços cruzados em frente à janela. Com seu belo rosto alternando entre expressões de preocupação e alívio, Kátia havia visto uma notícia que a fez parar por um instante. A manchete estampava:O chefe da família Silva, Leandro, de Porto Esperança, pagou uma fortuna para tratar a grave doença de seu mordomo, Otávio! - Esse gesto de grande lealdade foi amplamente elogiado.Abaixo, uma foto de Otávio sentado em uma cadeira de rodas, bem vestido, mas visivelmente magro, acompanhava a matéria.Kátia observou a imagem e, em um flash, sua memória voltou rapidamente a seis anos atrás.Ela se lembrou de quando Otávio a ajudou a escapar da imensa mansão da família Silva, fugindo juntos, apenas para serem atacados por um grupo de pessoas... o chão coberto de sangue.Agora, a alegação era de que aqueles ferimentos haviam sido causados por uma doença grave? Quem, afinal, acreditaria nessa história?No entanto, o fato de Otávio ainda estar vivo trouxe uma imensa alegria para Kátia.Durante seis anos, Leandro foi ambicioso, mas nunca se atreveu a mudar o Grupo Silva para o Grupo Pinto, e até ganhou a reputação de ser um filho muito dedicado. Parecia que sua avaliação externa era bastante positiva."Kátia." - Fernanda sabia que não conseguiria esconder o fato por muito tempo, então se aproximou dela: "Na verdade, a notícia já estava circulando no país há meio mês."Kátia enxugou a umidade dos olhos: "Por que você não me contou antes?" - Sua voz não continha reprovação."..." - Fernanda permaneceu em silêncio, preocupada.Kátia decidiu imediatamente: "Estou pronta para voltar ao Porto Esperança. Está na hora de acertar as contas.""Mamãe!" - Naquele momento, a porta do quarto se abriu.Dois pequeninos adoráveis entraram correndo: "Mamãe, o que você disse agora a pouco? Vamos voltar para o país?"As crianças estavam ansiosas: "Mamãe, se estamos voltando para o país, significa que logo poderemos ver o papai?"Quando as crianças apareceram, Kátia imediatamente expressou um sorriso e se agachou para abraçá-las: "Queridos tem monstros no Porto Esperança! Vou derrotar os monstros e depois voltarei para buscá-los!""A mamãe não vai nos levar junto?" - O garotinho ficou desapontado.O outro também franziu a testa: "Mas mamãe....""Obedeçam!" - A voz de Kátia ficou mais alta, e as crianças não ousaram se opor. Ela não tinha tempo a perder, pois tinha que voltar para o país imediatamente para resgatar Otávio.Fernanda sabia que o fato de não levar as crianças com ela era uma forma de proteção. Afinal, todas elas quase haviam sido mortas naquele ano.Após acalmar as crianças, enquanto Kátia fazia as malas para partir, Fernanda a lembrou: "Kátia, a notícia sobre a busca de tratamento para o mordomo se espalhou pelo mundo, e o quanto foi gasto em publicidade é astronômico.""Então, para que eu voltasse, Leandro não poupou esforços. Desta vez, vou me certificar de que seu desejo se realize." - Apesar do tom firme, Kátia, com seu coração generoso, jamais se esqueceria sobre o que aconteceu seis anos atrás.Um avião decolou rapidamente do Canadá, com destino ao Aeroporto Internacional de Porto Esperança.Seis anos se passaram. Era hora da senhorita renascer das cinzas.Depois de várias horas, um voo aterrissou no Aeroporto Internacional de Porto Esperança sob um céu claro e ensolarado.Kátia, acompanhada pela multidão, desceu do avião e pisou novamente no solo de Porto Esperança. Diante do vento que soprava em seu rosto, ela olhou para o céu, sentindo uma pontada de dor no coração.Capítulo 3No início do verão, em Porto Esperança."Senhorita, rápido! Vamos embora..." - Otávio estava apoiando uma mulher no final da gravidez, fugindo desesperadamente pela porta dos fundos da família Silva, olhando para trás a cada passo.Kátia Silva estava dormindo quando alguém entrou sorrateiramente com um braseiro em seu quarto e fechou todas suas janelas e portas, quase a matando por falta de oxigênio.Naquele momento, sua cabeça estava tonta e ela sentiu uma forte vontade de vomitar. Ela era a única filha da família Silva, mas havia sido vítima de uma conspiração de seu próprio pai e madrasta."Senhorita, quando chegar à casa de seus avós, nunca mais retorne. É preciso contar a eles que seu pai não é uma pessoa confiável!" - informou Otávio com raiva e dor.Enquanto a levava embora, ele acrescentou: "A morte de sua mãe também pode ter sido culpa dele!"Essas palavras atingiram Kátia como um raio, deixando-a pálida e abalada.Otávio a ajudou a fugir rapidamente, dizendo: "Cuidado."Ela, como um zumbi, quase tropeçou várias vezes, com os avisos de Otávio ecoando em sua mente.Logo depois, ela, com a barriga já visivelmente grande, foi acomodada em um uber.Otavio, curvando-se e com lágrimas nos olhos, instruiu o motorista: "Meu irmão, por favor, cuide bem da senhorita. Dirija rápido e leve-a embora!"O motorista assentiu seriamente com a cabeça. Ele era o irmão mais novo de Otávio e a pessoa em quem Otávio mais confiava. Assim que o motorista acelerou."Ali está ela! Pare! Não a deixem escapar!"Sentada no carro, a jovem olhou pela janela quando ouviu os gritos e avistou um grupo de homens correndo em sua direção com bastões de madeira em mãos.Kátia, cujo cérebro quase falhou por falta de oxigênio, de repente ficou lúcida. Seu coração acelerou e suas pupilas dilataram."Você vai se arrepender! Como ousou deixá-la escapar?"Os homens começaram a golpear Otávio com socos e chutes, de forma brutal, derrubando-o rapidamente."Otávio!" - Kátia ficou batendo desesperadamente na janela do carro, gritando de raiva e desespero.Outros homens começaram a correr em direção ao carro deles."Pare! Pare já o carro!" - Eles brandiam seus bastões, com olhares e expressões que desejavam apenas a morte dela.O motorista segurou firmemente o volante, reprimindo sua preocupação com o irmão, e acelerou ainda mais."Otávio! Otávio..." - A jovem bateu na janela, com lágrimas de desespero caindo, sem pensar em sua própria situação.De longe, ela viu Otávio no chão, cuspindo sangue e gritando de dor enquanto era brutalmente espancado. Mesmo assim, ele sorria e acenava para ela com um olhar cheio de sofrimento e determinação, pedindo silenciosamente que ela partisse.O coração de Kátia se partiu: "Otávio..." - Era como se seu coração tivesse sido cortado. Ela sabia que Otávio estava pagando uma dívida de gratidão com seu avô.O motorista, ao enxergar a terrível situação de seu irmão pelo espelho retrovisor, não conteve as lágrimas. Mordeu os lábios, endureceu o coração e pisou no acelerador.Salvar seu irmão não era mais possível, pois eles estavam em menor número.O mais importante naquele momento era:Levar a senhorita para um lugar seguro e cumprir a missão confiada a ele por seu irmão.Rapidamente, o carro conseguiu se livrar de seus perseguidores e fugiu.Kátia, com os lábios comprimidos e lágrimas nos olhos, ouvia as palavras de Otávio reverberando em sua mente:"Senhorita, quando chegar à casa de seus avós, nunca mais retorne. É preciso contar a eles que seu pai não é uma pessoa confiável!"Pouco tempo depois…Um clarão ofuscante de fogo atravessou a janela do carro. Katia estreitou os olhos, e instintivamente levantou as mãos para se proteger. Em seguida, sua expressão mudou radicalmente.Ela avistou uma grande chama devorando aquela casa familiar. À frente, havia um vasto mar de fogo queimando tudo."Ah...!""Ah!!!"Gritos terríveis soaram, como se tivessem saído do inferno.Ela observou os funcionários em chamas tentando escapar, caindo no chão e gritando antes de serem queimados vivos.As pupilas de Kátia se dilataram. Seus olhos estavam cheios de horror e descrença.As imagens de seus avós, idosos e gentis, passaram por sua mente."Vovô! Vovó!!!" - Ela recuperou seus pensamentos do choque, gritando enquanto tentava abrir a porta do carro para sair. Sua reação foi ainda mais intensa, como se estivesse afundando em uma areia movediça.O motorista prudente já havia trancado as portas do carro, antecipando qualquer perigo.Mesmo tentando, ela não conseguiu abrir a porta: "Deixe-me sair! Eu quero descer!" - Ela gritou freneticamente, perdendo completamente o controle de suas emoções.O motorista sabia que não era seguro permanecer ali por muito tempo. Sem hesitar, acelerou e a levou em fuga."Vovô!!! Vovó..." - Katia, inclinando-se, bateu desesperadamente na janela do carro, gritando até ficar rouca, com lágrimas caindo incessavelmente: "Vovó..."As chamas, rugindo furiosamente, pareciam demônios lançando-se em disparada para o céu.Ela já estava rouca de tanto gritar, com o rosto inundado de lágrimas."Pare o carro! Pare o carro! Meus avós ainda estão dentro da casa! Eu tenho que salvá-los!""Sra. Silva! A senhora não é uma deusa milagrosa! Entrar no local seria o mesmo que cometer suicídio! Há mais pessoas nos perseguindo! Quer que seu bebê morra junto?" - O motorista gritou, tentando fazê-la recuperar o juízo: "E se houver mais armadilhas à frente? Seu pai perdeu a sanidade a ponto de nem mesmo poupar a senhora!"Kátia parou de repente, pálida, tentando controlar seu colapso interior, enquanto a imagem hipócrita de seu pai, Leandro Pinto, passava por sua mente.A velocidade do carro apenas aumentava. Ele precisava cumprir a missão confiada por seu irmão, e não podia deixar que sua morte tivesse sido em vão.O ar quente, como demônios libertados, fez a casa se retorcer, e as paredes de tijolos começaram a rachar.Finalmente, com um estrondo que sacudiu os céus, Kátia avistou as chamas subindo imponentes. Tudo estava se desintegrando no fogo devastador.A onda de fogo foi tão forte que quase jogou o carro para longe. Se demorassem mais dez segundos para se afastar, eles já estariam mortos.Um medo profundo e uma tristeza avassaladora envolveram Kátia, como se sua alma tivesse sido arrancada. Ela ficou pálida, com os olhos dilatados pela dor.Tudo o que restou foi uma casca trêmula e chorosa com cabelos desgrenhados, olhando desesperadamente para pelo vidro traseiro do carro."Não..." - Ela realmente teve dificuldade em aceitar tudo aquilo. Suas mãos lentamente se fecharam em punhos, e um ódio infinito a envolveu.Seu pai e sua madrasta não apenas queriam matá-la e ao seu filho, mas também haviam assassinado seus avós de maneira tão cruel.Eles não eram humanos.A enorme tragédia era um peso difícil para Kátia suportar naquele momento.Sua barriga começou a se contrair, aumentando a dor......Seis anos depois, em Porto Esperança.Num domingo.A Mansão Vista do Lago Azul, um terreno de mil metros quadrados, abrigava o homem mais rico de Porto Esperança, Ítalo Ribeiro.Mesmo jovem, ele dominava o Império Sólido Investimentos e se tornou uma lenda no setor, um verdadeiro líder em Porto Esperança.Naquele dia, no entanto, ele não foi à empresa. Após o almoço, ficou descansando sozinho na cadeira de vime, no terraço do segundo andar.Vestindo uma túnica branca, com o sol quente batendo em seu corpo, ele adormeceu sem perceber, com uma expressão nobre e atraente, franzindo ligeiramente a testa.Em um quarto de hotel, naquela festa de sete anos atrás, ele caiu em uma armadilha, bebendo acidentalmente vinho adulterado...Sob a luz tênue, a garota parecia ter menos de vinte anos, com um rosto delicado e uma beleza pura e inocente.No momento em que a garota ficou paralisada, ele soube que havia entrado no quarto errado.Sob a influência da droga, ele se envolveu intensamente com a garota... apesar de suas tentativas desesperadas de resistir.Voltando para a realidade, uma brisa suave soprou, bagunçando os cabelos do homem e despertando-o de seu devaneio.Ele avistou um copo de leite à sua frente, parou por um momento para organizar seus pensamentos e olhou para cima à distância de um braço, vendo Rodrigo se abaixar ao seu lado: "Sr. Ribeiro, aqui está o seu leite."Ítalo pegou o copo, tomou um pequeno gole e voltou seu olhar para o jardim: "Ainda não há notícias sobre aquela garota?""Ainda não."Ele suspirou levemente: "Então continue procurando.""Sim."Com o passar dos anos, o homem carregou consigo um peso de dívida, afastando-se de outras mulheres, mas, inexplicavelmente, ainda era atraído pela lembrança daquela noite e pelo suave aroma de ervas que emanava da garota.O mordomo saiu e, logo em seguida, o seu celular tocou.Pegando o celular e vendo que era seu avô, Ítalo ajeitou seus pensamentos e deslizou o dedo para atender: "Alô? Como está, vovô?""Mais um mês se passou. Você finalmente encontrou uma namorada ou não?" - O velho parecia ter perdido a paciência, dando a ele um ultimato…"Se você não conseguir encontrar alguém por conta própria, quando a Wanda voltar ao país, o melhor será que vocês dois se casem logo e aprendam a se amar depois! Essa questão da vida não pode ser adiada, é hora de colocá-la como prioridade."Mais uma vez, a pressão para se casar!Ítalo, como de costume, deu algumas respostas evasivas.Antes de desligar, o velho instruiu: "Ah, daqui a alguns dias, a família Matos e a família Silva estarão celebrando um casamento. Lembre-se de me representar no evento, pois tenho alguns compromissos e não poderei voltar.""Família Matos? Família Silva?" - Que família Matos ou família Silva? Ítalo nunca tinha ouvido falar delas.O avô continuou: "Eu lhe enviei os detalhes da hora e do local pelo WhatsApp."Ele não fez mais perguntas, pois tinha que cumprir as tarefas que lhe foram dadas por seu avô.Em Porto Esperança, Ítalo considerava apenas quatro famílias como verdadeiros magnatas do setor financeiro: família Ribeiro, família Fonseca, família Vargas e família Ferreira. As demais, para ele, eram meramente insignificantes.-No Canadá.No segundo andar de uma mansão, Kátia, usando um vestido francês, estava de braços cruzados em frente à janela. Com seu belo rosto alternando entre expressões de preocupação e alívio, Kátia havia visto uma notícia que a fez parar por um instante. A manchete estampava:O chefe da família Silva, Leandro, de Porto Esperança, pagou uma fortuna para tratar a grave doença de seu mordomo, Otávio! - Esse gesto de grande lealdade foi amplamente elogiado.Abaixo, uma foto de Otávio sentado em uma cadeira de rodas, bem vestido, mas visivelmente magro, acompanhava a matéria.Kátia observou a imagem e, em um flash, sua memória voltou rapidamente a seis anos atrás.Ela se lembrou de quando Otávio a ajudou a escapar da imensa mansão da família Silva, fugindo juntos, apenas para serem atacados por um grupo de pessoas... o chão coberto de sangue.Agora, a alegação era de que aqueles ferimentos haviam sido causados por uma doença grave? Quem, afinal, acreditaria nessa história?No entanto, o fato de Otávio ainda estar vivo trouxe uma imensa alegria para Kátia.Durante seis anos, Leandro foi ambicioso, mas nunca se atreveu a mudar o Grupo Silva para o Grupo Pinto, e até ganhou a reputação de ser um filho muito dedicado. Parecia que sua avaliação externa era bastante positiva."Kátia." - Fernanda sabia que não conseguiria esconder o fato por muito tempo, então se aproximou dela: "Na verdade, a notícia já estava circulando no país há meio mês."Kátia enxugou a umidade dos olhos: "Por que você não me contou antes?" - Sua voz não continha reprovação."..." - Fernanda permaneceu em silêncio, preocupada.Kátia decidiu imediatamente: "Estou pronta para voltar ao Porto Esperança. Está na hora de acertar as contas.""Mamãe!" - Naquele momento, a porta do quarto se abriu.Dois pequeninos adoráveis entraram correndo: "Mamãe, o que você disse agora a pouco? Vamos voltar para o país?"As crianças estavam ansiosas: "Mamãe, se estamos voltando para o país, significa que logo poderemos ver o papai?"Quando as crianças apareceram, Kátia imediatamente expressou um sorriso e se agachou para abraçá-las: "Queridos tem monstros no Porto Esperança! Vou derrotar os monstros e depois voltarei para buscá-los!""A mamãe não vai nos levar junto?" - O garotinho ficou desapontado.O outro também franziu a testa: "Mas mamãe....""Obedeçam!" - A voz de Kátia ficou mais alta, e as crianças não ousaram se opor. Ela não tinha tempo a perder, pois tinha que voltar para o país imediatamente para resgatar Otávio.Fernanda sabia que o fato de não levar as crianças com ela era uma forma de proteção. Afinal, todas elas quase haviam sido mortas naquele ano.Após acalmar as crianças, enquanto Kátia fazia as malas para partir, Fernanda a lembrou: "Kátia, a notícia sobre a busca de tratamento para o mordomo se espalhou pelo mundo, e o quanto foi gasto em publicidade é astronômico.""Então, para que eu voltasse, Leandro não poupou esforços. Desta vez, vou me certificar de que seu desejo se realize." - Apesar do tom firme, Kátia, com seu coração generoso, jamais se esqueceria sobre o que aconteceu seis anos atrás.Um avião decolou rapidamente do Canadá, com destino ao Aeroporto Internacional de Porto Esperança.Seis anos se passaram. Era hora da senhorita renascer das cinzas.Depois de várias horas, um voo aterrissou no Aeroporto Internacional de Porto Esperança sob um céu claro e ensolarado.Kátia, acompanhada pela multidão, desceu do avião e pisou novamente no solo de Porto Esperança. Diante do vento que soprava em seu rosto, ela olhou para o céu, sentindo uma pontada de dor no coração.